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Quinta, 09 Novembro 2017 07:07

Hospital Cassems já realiza primeiro ato de captação de órgãos em MS Destaque

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Equipe médica de Brasilia mobilizada para captação de órgãos no Hospital Cassems da Capital Equipe médica de Brasilia mobilizada para captação de órgãos no Hospital Cassems da Capital Assessoria de Comunicação/Cassems

Pouco mais de um ano após a inauguração na Capital, o Hospital Cassems de Campo Grande realiza a primeira cirurgia de captação de órgãos para transplante da história. A equipe médica responsável pelo procedimento chegou em Campo Grande na madrugada desta quinta-feira (9), procedente de Brasília, para a cirurgia que coletou os rins, fígado e córneas da doadora, procedimento que teve duração média de quatro horas.

Uma verdadeira força-tarefa foi montada para que o procedimento de captação dos órgãos fosse realizado. Ao saber da possibilidade de uma possível doadora, as equipes do hospital se mobilizaram durante toda quarta-feira para viabilizar o processo de doação. Em um primeiro momento, médicos e assistentes sociais conversaram com a família que, prontamente, autorizou a realização do procedimento. Em seguida, começou uma corrida contra o tempo para solucionar, com rapidez, as questões burocráticas.

Com a ajuda da OPO (a Organização de Procura de Órgãos) de Mato Grosso do Sul foi possível agilizar todo o processo, fazer a ponte entre o hospital e a Central de Transplante Estadual e definir quais órgãos seriam captados e para quais locais eles seriam direcionados. Duas equipes médicas foram acionadas: uma de Brasília e outra de Campo Grande. Rins, fígado e córneas salvarão as vidas de outras pessoas que aguardam na fila do transplante pela oportunidade de um recomeço.

Segundo a coordenadora da OPO estadual, Ana Paula Silva das Neves, é muito importante hospitais que possuem unidades de tratamento intensivo instituírem a cultura de notificar a entidade e a central de transplantes sempre que surgir uma possibilidade de doação de órgãos. “É importante que os hospitais também tenham uma comissão intra hospitalar para doação de órgãos. Quando recebemos a notificação de um possível doador, nos mobilizamos, conversamos com os familiares e viabilizamos todo o processo”, explica a coordenadora.

Luiz Gustavo Guedes Diaz é cirurgião geral e integrante da equipe de transplante de fígado que veio de Brasília para realizar a cirurgia de captação do órgão. Responsável por iniciar o procedimento, Luiz reforça que é necessário trabalhar muito ainda para instituir uma cultura de doação de órgãos no Brasil. “A espera na fila de transplante é sempre uma angústia e a mortalidade ainda é muito alta. Em média 20% dos pacientes morrem antes de terem a oportunidade de receber uma doação. Quando temos mais hospitais engajados nessa luta, significa que também teremos mais oportunidades de vida para nossos pacientes”, analisa.

A diretora técnica do Hospital Cassems de Campo Grande, Priscilla Alexandrino, compartilha do mesmo pensamento do cirurgião geral. Para ela, o Mato Grosso do Sul tem um território muito extenso e muitas coisas se concentram em Campo Grande. “Precisamos nos organizar para termos mais capilaridade e alcançar o maior número de hospitais possível que tenham condições de realizar a captação de órgãos para transplante”.

O presidente da Cassems, Ricardo Ayache, reforça que a rede hospitalar da Cassems está preparada para realizar esses procedimentos em pelo menos três hospitais que possuem centro de tratamento intensivo. “Isso é um reflexo dos investimentos em tecnologia e recursos humanos que têm sido feitos pela Cassems e da percepção das nossas equipes no sentido de ampliar as opções dos cuidados em saúde”.

A certeza de que a vida continua

A técnica de enfermagem Marilene da Silva perdeu a vida aos 39 anos. Deixou marido e uma filha de 17 anos. Mas nem sempre a morte é o final da jornada. Para quem ficou, o momento de dor e tristeza pode parecer infinito, mas realizar o último desejo de quem partiu significa um alento e uma forma de manter viva a memória daqueles que amamos. Ao saber da morte prematura da mãe, Carolina da Silva Arce não pensou duas vezes. Falou para o pai, o professor Henrique Arce, que a mãe queria que seus órgãos fossem doados. A decisão foi rápida. Henrique também não pensou muito. Atendeu os desejos da filha e da esposa recém-falecida. Um ato de bondade e desprendimento em meio a dor da perda.

“Minha mãe sempre ajudou muita gente. Era ela quem cuidava de todo mundo da família. Nós sempre conversávamos sobre doação de órgãos e ela queria ser doadora. Essa é uma forma de mantê-la viva e de ajudar quem precisa”, conta a adolescente, de forma serena e consciente que a lição de amor que a mãe deixou ajudará na superação desse momento. (Miriam Ibanhes - AssCom Hospitais Cassems)

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