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Waldir Guerra

Waldir Guerra

Segunda, 07 Agosto 2017 07:12

Acusações que cansam a todos

Um fim de semana em que novamente preciso fazer um artigo e desta vez determinado a não comentar os últimos acontecimentos políticos nacionais. É uma recomendação de amigos e concordo com isso, até porque esse questionamento ao atual governo federal está se tornando cansativo pra todo mundo, inclusive para meus leitores.

Tudo bem, mas de antemão confesso que é difícil largar os assuntos políticos, afinal, sempre foi assim na maior parte da minha vida. A política partidária entrou cedo na minha vida. Aos 23 anos já estava fazendo campanha para me eleger vereador na pequena cidade de Pato Branco, Estado do Paraná e para isso tinha o incentivo e a ajuda firme de um ex-vereador, meu pai.

Eleito com uma expressiva votação, o quinto vereador mais votado do município, já na Primeira Legislatura fui eleito Secretário da Mesa Diretora. Tendo em vista que o Presidente da Câmara, João Dalpasquale, ter se licenciado exerci, então, a Presidência do Legislativo Patobranquense durante quase todo aquele período.

Naqueles tempos vereador não recebia salário e também não tinha qualquer funcionário para assessorá-lo. Nem mesmo a própria Câmara de Vereadores os tinha. Eles eram requisitados à Prefeitura que os cedia para trabalhar nos dias em que havia Sessão no Legislativo – uma ou mesmo duas sessões semanais.

A primeira impressão que transparece é de que naqueles tempos não havia tanto trabalho, mas havia sim. A diferença dos dias de hoje com aqueles de antigamente é que hoje as Câmaras de Vereadores têm uma estrutura muito grande e a maior parte dos trabalhos – e dos gastos, claro – está voltada para atender a própria Casa.

(Cruzes! Lá fui eu navegar pelo passado. Bastava dizer que a política partidária está de todas as maneiras entranhada na minha vida, como disse no começo e estaria justificado para comentar a cerca de qualquer outro assunto; e pronto. Mas já que comecei...)

Ainda preciso acrescentar que dei um tempo na questão político-partidária a partir de 1964 quando os militares tomaram conta do país. Por conta disso larguei mão das coisas políticas e mergulhei Brasil a dentro; fui abrir lavouras novas no Estado de Mato Grosso. Certamente tomei uma das decisões mais difíceis na minha vida – mas foi acertada.

Se fui infectado novamente pelo vírus da política partidária em 1986, ou teria sido uma recaída ao mesmo vício, não saberia dizer, mas lembro que fui estimulado para que isso acontecesse pelo irmão Alceni e pelo médico, George Takimoto – que acabara de se eleger Vice-Governador – para que aceitasse comandar uma Secretaria no Governo do Estado.

Quatro anos trabalhando diuturnamente sob o comando de um governador (Marcelo Miranda) dinâmico e bem intencionado. Juntos conseguimos iniciar o processo da industrialização do Estado e foi pelo bom trabalho naquela Secretaria que me levou a ser candidato à Câmara dos Deputados em 1990. Terceiro candidato a deputado federal mais votado do Estado – ainda hoje sinto muito orgulho disso.

Em 1998 lutei, como candidato a vice-governador, para eleger Pedro Pedrossian ao governo do Estado; não conseguimos. O Partido dos Trabalhadores (PT) emplacou no MS seu primeiro governador. Foi a partir daí que os governos petistas iniciaram sua maneira de administrar a coisa pública.

Neste final de semana penso que poderia, sim, ter feito um pouco mais na política partidária e não ficar apenas no voto, como foi a recomendação de meu pai – ele que teve três filhos eleitos deputados federais. Contudo, se vivo fosse certamente não recomendaria fazer parte desta atual maneira de fazer política e estaria também cansado das acusações aos atuais políticos.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Terça, 25 Julho 2017 17:42

Aumento de impostos

Você viu? O governo federal aumentou impostos e logo nos combustíveis que certamente irão influenciar os preços dos fretes e, por consequência, a economia como um todo.

Naturalmente você deve ter pensado, assim como também pensei, que tendo em vista a crise política em que o país se encontra o governo não deveria tomar esta atitude. Este governo está pedindo para levar vaias pensamos nos dois. E não deixa de ser verdade porque a FIESP já encomendou outro pato amarelo a fim de protestar contra o aumento de impostos.

Até a oposição já saiu vibrando por receber mais este motivo para continuar com o “Fora Temer”.

Mas veja bem, caro leitor, os banqueiros (nem sei o porquê, mas não gosto de banqueiros e rentistas em geral), esses caras competentes que administram as finanças do governo brasileiro e são capitaneados pelo atual Ministro da Fazenda podem não ter encontrado outra forma para fechar as contas.

Contudo, minha impressão é que eles estão apertando a corda no pescoço dos congressistas para que aprovem a Reforma da Previdência. Se a intenção foi esta, eles estão cobertos de razão, pois é aí que está a solução do problema, aprovar uma boa Reforma na Previdência. Para isso temos o exemplo do Rio de Janeiro que por incompetência administrativa – ou mesmo pela roubalheira dos políticos – hoje não consegue pagar em dia suas contas nem mesmo dos seus funcionários, que dirá, então, dos aposentados.

Na questão das aposentadorias, para exemplificar, constatei um caso de uma saudável jovem senhora de 50 anos que disse estar aposentada no Estado do Rio de Janeiro, mas trabalha desde 2003, numa loja de venda de peças de aviões em Miami. Nem me atrevi perguntar se nesses 14 anos que está trabalhando nos Estados Unidos teria continuado a pagar as devidas contribuições porque sua resposta poderia ser outra surpresa ainda maior.

Milhares de exemplos de aposentadorias precoces existem, mas com uma boa reforma na Previdência não poderão ser criadas outras e assim se acabaria com essas regalias daqui para frente, pois além de prejudicarem as finanças públicas, essas aposentadorias precoces tiram do trabalho no melhor momento da vida, em relação a sua produtividade, bons funcionários. Ou seja: funcionários se aposentam quando estão na melhor fase produtiva de suas vidas. Claro, saem para prestar serviços a particulares, ou então, para montarem um negócio próprio e aí está um grande prejuízo ao Poder Público.

Além dos escandalosos casos de aposentadorias precoces há um excesso de funcionários que multiplicam suas despesas, como mordomias de todo jeito; férias de três meses ao ano e despesas de toda ordem. Sim, a Reforma da Previdência precisa ser bem-feita não apenas para que Estados e União possam pagar suas contas, mas para que os governos voltem a ter capacidade para investir mais em bens comuns como saneamento básico, saúde pública, transporte urbano, educação e em estradas – especialmente em ferrovias.

Depois de uma boa reforma na Previdência vamos lutar para que um novo governo privatize todas as empresas públicas que, como estamos vendo através da Lava Jato, serviram bem até aqui, mas nestes últimos anos tornaram-se cabides de empregos e em roubalheiras de políticos. Se dizendo isso desagrado algum esquerdopata nem lamento porque sei que este aumento de impostos que agora você e eu teremos de arcar é por conta das más administrações de muitos deles.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Governo e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Segunda, 10 Julho 2017 08:00

Tempestade Perfeita se formando

A denúncia apresentada pelo procurador Rodrigo Janot na semana passada contra o presidente Michel Temer acabou balançando ainda mais a sustentação do presidente no cargo. Tudo indica que está se formando uma Tempestade Perfeita no atual governo.

Digo isso porque parece que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, foi picado pela mosca azul e encolheu a defesa que vinha fazendo a favor de Michel Temer. Como sucessor direto que é do presidente, caso aceita a denúncia contra Michel Temer, Rodrigo Maia irá substitui-lo por seis meses e imagino que este é o desejo do atual presidente da Câmara dos Deputados.

A seu favor Michel Temer terá possivelmente ainda nesta semana a aprovação da Reforma da CLT e deverá usar essa conquista para fortalecer sua permanência no governo. Isso lhe reforçará o discurso de que somente ele seria capaz de aprovar a Reforma da Previdência – hoje extremamente necessária.

Também lhe dará mais ânimo para ter os votos necessários na CCJ, Comissão de Constituição e Justiça, da Câmara dos Deputados que irá apreciar a acusação que lhe move o MPF. A vitória na CCJ não é decisiva, mas serve para influenciar a votação final que será feita no Plenário da Câmara.

Não acredito que Michel Temer seja afastado pelo plenário da Câmara dos Deputados porque são apenas 175 votos, dos 513 deputados, que ele precisa. Porém, não dá para subestimar alguns perigos que se evidenciam. O primeiro deles é a força da oposição. Afinal, ninguém desconhece a capacidade da militância do PT pela busca de um comando político; ainda mais agora que se trata de dar o troco a Michel Temer.

Que a oposição, agora representada pelo PT, PSOL e etc. prefiram Rodrigo Maia a Michel Temer governando até as próximas eleições é compreensível, pois com isso a Reforma da Previdência fica do jeito que eles preferem. Ou até nem fica e assim o país mergulha na esculhambação em que se encontra o Rio de Janeiro: sem conseguir pagar suas contas e sem condições de implementar obra alguma. Esse “quanto pior, melhor” serve apenas para manter aquele discurso demagógico, mas isso incomoda o esforço para consertar a economia.

Depois, ainda precisa considerar que dois partidos leais ao presidente Temer tendem a se afastar dele. Me refiro ao PSDB que parece vai mesmo desembarcar deste governo; pelo menos é o que sinaliza seu atual presidente, Tasso Jereissati. Outro partido, o DEM, partido do presidente da Câmara dos Deputados, se afastaria mesmo. E por que não? Afinal, parece que somente assim os democratas teriam um presidente governando o país.

Apesar de demonstrar certa insegurança até mesmo na sua postura física, o deputado federal Rodrigo Maia tem a orientá-lo o sogro, Wellington Moreira Franco que está ao lado do presidente Temer. Foi de lá que saiu a indicação de seu nome para presidir a Câmara dos Deputados. Tem mais: seu pai, Cesar Maia, ex-governador do Rio de Janeiro que de bobo não tem nada, quer ser senador e com um filho presidente do Brasil, essa luta ficaria bem mais fácil.

Pois é, apesar de Rodrigo Maia nem de longe ter a experiencia de Michel Temer para completar este pouco mais de ano para as próximas eleições, mesmo assim, parece que está se formando uma Tempestade Perfeita em seu favor. Tempestade Perfeita é quando qualquer evento em que uma situação fica drasticamente agravada em decorrência de uma combinação excepcionalmente rara de circunstancias.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Domingo, 25 Junho 2017 17:57

Torço para que Michel Temer continue

Ainda continuo torcendo para que Michel Temer se mantenha no cargo de presidente; e sabe por que? Porque não temos outro para continuar no seu lugar. Torço somente por causa disso.

O tempo é curto, sei. Um ano e meio exatamente – a partir desta semana – é o que falta para que acabe este seu governo. Tempo curto diria você caro leitor, mas não para quem já passou dos oitenta, no meu caso. E por conta disso, tenho pressa; muita pressa.

Dizem que foi na comemoração dos oitenta anos de Platão que lhe perguntaram quantos anos ele tinha. Respondeu que dez ou doze, não saberia dizer porque dos oitenta já vividos uns poucos mais, talvez 10 ou 12 tinha para esperar de sua vida. Assim estou me sentindo hoje, como Platão. Por isso, ninguém tem mais pressa que eu para que este momento ruim acabe e o Brasil volte a trilhar o caminho do desenvolvimento.

Por isso sou contra o “Fora Temer”. E veja bem, não votei nele, mas quando a presidente Dilma Rousseff caiu e Michel Temer assumiu substituindo-a no comando de um novo governo gostei de ver a vontade do presidente em consertar as contas e suas propostas de reformas para endireitar os estragos feitos na economia do país pela incompetência do governo de Dilma.

Agora, a cada dia que passa as acusações ficam mais graves contra Michel Temer e todos os que o cercam. Nesta guerra entre a Justiça e todos os demais políticos que usaram recursos públicos surripiados para se elegerem – ou para se beneficiarem pessoalmente – penso que todos devem ser julgados; e se culpados, que paguem! Inclusive o próprio presidente.

A todos os que me perguntaram nesses últimos dias o que teria para dizer desta nossa grave situação política respondi que nada sei, mas também digo que ninguém sabe o que pode acontecer. Lembro agora que foi na festa de casamento do caro amigo Gandi Jamil, no ano que antecedeu a eleição de Fernando Collor, onde encontrei o todo poderoso Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho) da Rede Globo.

Já estávamos na reta final para as eleições presidenciais e ninguém sabia dizer quem poderia vencer as eleições. Boni também disse que não via nenhum dos políticos conhecidos com possibilidades de se eleger, mas saberia dizer quem seria o ganhador: seria um candidato jovem; prometendo acabar com a corrupção e mostrando muito entusiasmo.

Na eleição deu Fernando Collor que como todos lembram entrou na campanha de mangas arregaçadas e gritando aos quatro ventos que vinha para “caçar marajás”. Deu no que deu, nem caçou marajá algum e acabou sendo cassado – literalmente caçado, ele mesmo – e por corrupção.

E já que nada sei dizer do que pode acontecer neste interregno que vai daqui até as eleições de 2018, então digo que ajudemos a conscientizar os eleitores para que não seja eleito outro “caçador de marajás”, ou mesmo mais um, ou uma, que venha repetindo mil vezes as mesmas mentiras, se eleja e seja necessário cassá-lo também.

Assim, torço para que Michel Temer se mantenha no cargo de presidente e que juntamente com o Congresso Nacional faça as reformas necessárias porque não existe no momento outro com capacidade para substitui-lo.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Quinta, 15 Junho 2017 07:23

Precisamos retomar o voo do crescimento

O governo brasileiro e nós juntos estamos vivendo dias difíceis. É uma sensação parecida como a de pilotar um avião em tempo ruim e tendo que confiar só nos instrumentos. Parece que logo ali na frente o tempo vai melhorar, porém, o voo precisa continuar porque não dá mais para voltar. Pilotar assim é angustiante demais – e para os passageiros também.

O governo do presidente Michel Temer está assim e até pior: atingido por uma tempestade seu voo pode ter o pouso forçado antes do destino – que é 31 de dezembro de 2018. Contudo – porque não há outra alternativa melhor – me atrevo dizer que ele deveria continuar.

As acusações contra grande parte dos políticos com mandato continuam a pipocar e agora até o presidente Michel Temer foi atingido e, por consequência, seu governo. As provas são tão fortes que estou inclinado também a repetir o que muitos dizem: que se dane. Se tiver que pagar, que pague. Digo isso porque a cada dia mais me convenço do envolvimento, pois a maioria dos políticos abusaram nos gastos para se eleger.

Então, já que as evidências contra o próprio presidente são graves que seja acusado; seja julgado e se condenado que pague.

Apesar de tudo isso concordo com o bom economista Delfin Neto que insiste para que o STF adote a solução do “menor custo social” e aceite o sobrestamento, até 1/1/2019, das questões que Temer deve esclarecer à Justiça. “Com isso se dará nova força ao governo para continuar com as reformas... e no futuro próximo responderá pelo que tenha feito”.

O governo de Michel Temer precisa continuar esse voo, mesmo que seja pelo auxílio de instrumentos (STF) porque é a única maneira que o país tem para fazer as reformas. Sem elas, em especial a da Previdência não somente os Estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, mas o próprio país – e nós todos juntos, claro – ficaremos prostrados.

No caso de um afastamento do atual presidente uma nova fase de incertezas com a sucessão se iniciará e um longo processo sucessório irá travar todas as grandes discussões do País; me refiro ás reformas. Tem gente demais - são 14 milhões de desempregados - esperando desesperados que o Brasil retome o voo do desenvolvimento e ele só acontecerá se as reformas forem aprovadas.

O momento é difícil sim, mas é de grandes mudanças também. Ou você tem alguma dúvida que a Lava Jato irá criar grandes mudanças na vida dos brasileiros? Vai sim! As próximas eleições irão mudar a cara dos políticos que governam o Brasil. Uma grande parte dos atuais mandatários estará impedida de se candidatar. Alguns ainda tentarão se reeleger, mas os próprios eleitores, agora devidamente esclarecidos pela publicidade das denúncias, os excluirá da administração pública.

Você não pensa assim? Não concorda? Então me ajude aí, por favor; mostre-me outra solução, mas que seja executável em alguns poucos meses, ou melhor, em poucos dias; já que o país, com 14 milhões de desempregados, não vai resistir e irá desmoronar, assim como a Venezuela desmoronou. É angustiante sei, mas o Brasil precisa continuar este voo para pousar tranquilo nas eleições de 2018; daí sim, trocar de aeronave e voar em outra conexão – e torcer que seja numa aeronave nova.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; Piloto Privado, foi vereador, secretário do Governo e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Segunda, 29 Maio 2017 21:33

Simplificar é preciso, e urgente

Muito verdadeira a afirmação de que no Brasil se criam dificuldades para vender facilidades. Talvez a origem desse vício entranhado hoje no caráter de grande parte da população brasileira tenha se originado com a cedência, a alguns poucos portugueses afortunados, as Capitanias Hereditárias, quinhentos anos atrás.

O tal “jeitinho brasileiro” é um descendente direto dessas facilidades que começaram logo depois do descobrimento do Brasil. E foram se multiplicando em maneiras diferentes de se criar dificuldades na vida dos brasileiros para delas alguns poucos usufruir vantagens.

Desculpe, mas essa irritação de hoje vem de ter sido obrigado a apresentar uma Cartela do Idoso exposta no para-brisa do carro a fim de ocupar uma das vagas para idosos. Levei multa porque estava sem a cartela. Apresentei minha Carteira de Identidade atestando meu direito; o guarda não aceitou. Fui multado. Pior...

Dia seguinte busquei na Prefeitura uma segunda via da Cartela, mas somente poderia requere-la se apresentasse um BO, Boletim de Ocorrência que deveria fazê-lo na Polícia Civil. Veja o que faz a burocratização neste país, uma simples cartela sem foto se sobrepõe a todos os meus documentos de Identidade. Ainda pior, além de não acreditarem nos meus documentos, também não acreditam que perdi a cartela; acreditam no BO da Polícia – ainda bem.

Ainda hoje uma das múltiplas maneiras de usufruir vantagens é a de explorar os cidadãos brasileiros, com a burocratização, através de Cartórios. Desculpe, mas não sei dizer quando foram criados aqui no Brasil os (des)necessários cartórios. Hoje eles se chamam cartórios de registro civil, cartório de tabelionato de notas, cartório de registro de imóveis, cartório de registro de títulos e documentos...

Eles, os cartórios, são o símbolo maior da burocratização brasileira. Nem na ditadura militar e sob o governo de generais se conseguiu acabar com seus poderes mais prepotentes. Em 18/07/79 pelo Decreto 83.740 foi lançado o Programa de Desburocratização e nomeado para o cargo de Ministro da Desburocratização, Hélio Beltrão e assim se previa a melhoria no atendimento dos usuários do serviço público.

O competente ministro Hélio Beltrão conseguiu quase extinguir a necessidade de reconhecimento de uma assinatura por um cartório. Infelizmente com a extinção do Ministério da Desburocratização voltaram com força total o símbolo maior dos cartórios, os “reconhecimentos de firmas”; só que agora com estampilhas coloridas e carimbos diversos, tudo como nos séculos passados. Como herança do excelente trabalho realizado por este ministério, temos a criação do juizado especial e o nascimento da lei de microempresas, políticas que visavam simplificar o serviço público.

Se me perguntares como é em outros países esses processos de reconhecimento de firmas posso dizer que nos Estados Unidos também se reconhece uma assinatura, mas é feita por uma outra pessoa qualquer que lhe conhece e que nada vai lhe cobrar, apenas ela se credenciou para isso junto ao governo.

O Legislativo, através da Câmara dos Deputados e Senado Federal, bem que tenta diminuir a burocratização no país. Agora mesmo o Congresso Nacional criou uma Comissão Mista de Desburocratização para tratar disso e essa Comissão já tem seu presidente indicado, deputado Júlio Lopes e também um relator, senador Antônio Anastasia.

O Executivo, Presidência da República, criou um Decreto no dia 7 de março de 2017 onde cria o Conselho Nacional da Desburocratização. Nesse Conselho participam todos os ministérios e dele e da Comissão do Legislativo se espera que no Brasil se extingam as dificuldades e se simplifique o atendimento aos usuários do serviço público.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Segunda, 15 Maio 2017 19:26

A disputa acabou num empate técnico

Os que esperavam coisas bombásticas a semana passada, no depoimento do ex-presidente Lula em Curitiba, certamente devem estar frustrados. Tirando os noves fora dos mais fanáticos, a disputa acabou num empate técnico entre Moro x Lula, segundo os jornais.

Acompanhei o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do que ele disse ao juiz Sergio Moro. Preciso destacar a importância para o Brasil do que seu governo fez em benefício dos mais pobres. Que ninguém se engane, a história lhe dará, sim, esse crédito.

Infelizmente a história vai lhe cobrar muito caro os erros que ele cometeu, não somente nos oito anos do seu governo, mas também nos cinco anos de sua pupila e sucessora, Dilma Rousseff. Metade da população do país, as mulheres brasileiras – grande parte delas – não vai perdoá-lo por ter errado ao escolher mal sua sucessora.

Concordo que deveria, sim, escolher uma mulher para ser sua candidata; era o momento certo para fazê-lo, mas escolheu mal, escolheu uma pessoa despreparada e incompetente.

Se realmente, como ele afirmou, elegeria um poste para sucede-lo, ele é o responsável direto pelo fracasso da ex-presidente. Pior, porque criou mais um estigma para as mulheres ambicionarem disputar novamente o cargo de presidente do Brasil.

Mulheres competentes existem e não é necessário citar exemplos externos, como Angela Merkel, que governa a poderosa Alemanha há onze anos. Temos aqui a competentíssima presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia que nos deixa boquiabertos por sua competência.

Outro erro que agora mesmo Lula está sendo cobrado – e a história continuará a fazê-lo para sempre – será a de imputar-lhe a culpa por ter levado ao extremo o uso e o abuso dos recursos públicos a fim de continuar ocupando o Poder Político do Brasil.

Sim, são verdadeiras suas afirmações de que para se eleger a grande maioria dos políticos desviava recursos públicos e os usava nas campanhas políticas. Sim, hoje graças a Lava Jato todos os brasileiros sabem que, não somente políticos, mas que os próprios partidos políticos se transformaram em organizações que rapinaram a coisa pública.

Acontece que Lula e seus comandados, quando no poder, multiplicaram os valores desviados e "se lambuzaram" nisso - como disse o ex-ministro da Justiça, Jaques Wagner. (Perdoe-me caro leitor, mas isso não faz lembrar a novela Saramandaia quando Dona Redonda de tanto comer explodiu, causando um tremor de terra?).

Mas, retornando o pensamento: com o Mensalão ficou provado que o partido do presidente Lula usava recursos públicos para se manter no comando da política e governar. Tanto que José Dirceu e mais 38 outros membros do esquema foram condenados pela Justiça.

Lá atrás, no Mensalão, Lula simplesmente dizia que não sabia de nada. Foi poupado e a Justiça o deixou em paz, mas agora no Petrolão os depoimentos mostram que a roubalheira continuou a acontecer e de forma geral em quase todos os órgãos e empresas públicas. Ainda que continue dizendo que não sabia de nada, como acreditar se nem ele, nem sua sucessora - que "fez o diabo para se reeleger"- não sejam culpados disso?

Assim, esta semana começamos bem melhor que a passada e por isso, então, nos concentremos nas reformas no Congresso Nacional já que o embate do juiz Sergio Moro x ex-presidente Lula acabou num empate técnico.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Governo e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Ainda não dá para cantar vitória, mas já há bons motivos pra gente se animar um pouco mais. Explico: A reforma mais importante é a da Previdência porque sem ela o Governo Federal não vai conseguir fechar suas contas; pior, sem ela o atual governo de Michel Temer acaba.

Assim pressionado, o governo está usando a reforma da CLT, Consolidação das Leis do Trabalho, outra importante e também necessária reforma, para verificar se tem os votos necessários a fim de aprovar a Reforma da Previdência junto aos deputados.

Como se viu na semana passada os deputados aprovaram mais de 100 alterações na CLT. Algumas delas muito importantes e que irão animar a economia brasileira que anda de mal a pior. Por exemplo, como a que extingue o imposto sindical - aquela obrigação dos empregados pagarem um dia por ano do seu salário ao seu sindicato. Sem ela muitos sindicatos serão extintos no Brasil - felizmente pode-se dizer. Dou um bom exemplo:

Segundo o jornal espanhol El Pais, o Brasil tem 17.082 sindicatos; enquanto a Argentina tem apenas 100. Aqui o governo federal repassa 3,6 bilhões de reais por ano aos sindicatos brasileiros e os TCUs, Tribunais de Contas, não podem fiscalizá-los. Gente! Por favor, vamos acabar com essa conversa mole, dinheiro público tem que ter fiscalização, sim.

Outra coisa, sempre é bom lembrar ao caro leitor que o Brasil tem 95% de todas as ações trabalhistas do mundo. Segundo as Nações Unidas existem 193 países no mundo todo. Fora o nosso, os demais países (192) só detém 5% dos processos - pensando bem, a gente poderia transferir-lhes metade dos processos, uns cinco milhões só para aprender com outros como lidar com isso.

Os que mais protestam contra as reformas são os "Fora Temer", mas deduzo que eles não sabem o que querem. Olha, até já pensei em me incluir nessa turma quando tive dúvidas na capacidade de Michel Temer em controlar as contas do governo e confesso que ainda posso repensar a ideia caso este governo não consiga aprovar a Reforma da Previdência.

Nessas discussões todas gostaria de saber o que eles querem mesmo, pois protestam; fazem greves; dizem que irão chamar o "exército" do Stédile e até dizem que a Reforma da Previdência não é necessária, mas não me apresentam outros planos, outras boas soluções. Aquelas que eles apresentaram no governo Dilma nunca me convenceram e não seria agora que iria acreditar nelas - e por consequência nem neles.

Além disso, tenho também algumas dúvidas que não consigo entender. Se você, caro leitor entende, então, use meu e-mail aí em baixo e me ajude explicando por que nas greves, como as da semana passada e mesmo nas manifestações passadas, os Black Blocs, que se sabe estão a serviço de alguns partidos políticos da esquerda se infiltram nas manifestações e promovem quebra-quebras, brigas com a polícia e partem para agressões físicas; o que eles querem, afinal? Mais: Os "Fora Temer" querem colocar quem na Presidência da República?

Quanto a Reforma da Previdência é compreensível que sejam contrários a ela os que ficarão prejudicados e certamente perderão alguns direitos no futuro, mas o Brasil precisa equiparar os direitos na aposentadoria dos funcionários públicos com os privados, afinal, os direitos precisam ser iguais a todos, ora essa!

Apesar disso tudo, sei que ainda é cedo, mas já há bons motivos pra gente se animar um pouco mais.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Segunda, 17 Abril 2017 16:33

Quase perdendo a fé

Não posso perder a esperança na recuperação do Brasil; mas confesso que estou quase perdendo a fé nisso.

O Brasil está numa crise política histórica; me atrevo dizer que ainda maior que a criada pelos militares quando assumiram o controle do pais na revolução em 1964.

Naquela ocasião apenas alguns dos eleitos foram cassados pelo Regime Militar, os demais continuaram atuando - um tanto tolhidos nos seus direitos é verdade, mas continuaram.

Agora não, a maioria dos políticos, pelo menos os líderes partidários, terá um destino pior, além de sua cassação; parece que grande parte irá pra cadeia mesmo. E não é apenas porque usaram dinheiro do caixa 2; é porque usaram recursos desviados de empresas públicas. Não há como a Justiça não condenar essa maioria. Assim, ficaremos sem liderança política - estamos no mato sem cachorro.

Na verdade, nem sei mais o que dizer dessa situação um tanto desesperadora. Gostaria de fazer o que Nizan Guanaes está fazendo. Sempre leio a coluna dele e numa delas ele diz que, aconselhado por Abílio Diniz, está rezando todos os dias pela manhã e tem encontrado um grande alívio para aguentar o tranco que suas empresas estão passando nessa crise econômica e política.

Na verdade, rezar sempre rezei e foi minha mãe que me ensinou. Tão católica e devota era minha mãe que até tentou me convencer a ser padre. Lembro como foi difícil persuadi-la a deixar-me sair do seminário. Ela ainda tentou com mais dois irmãos, mas também não conseguiu ter um filho padre.

Como sou cristão e acredito que Deus também nos ouve e atende através de intercessores (santos) talvez seja bom pedir à minha mãe - que já era santa aqui e com certeza está no Céu - para interceder junto a Ele para que ajude o Brasil a superar essa crise.

Se ainda não fiz isso é porque nem saberia como explicar à minha mãe todas essas complicações políticas nossas. E, além disso, não nego que ando meio descrente dos meus semelhantes, especialmente dos adultos - me refiro aos eleitores.

Depois, coisa pior: assim como estou perdendo a fé na recuperação do país, também ando perdendo um pouco de fé na religião porque, não somente a minha, mas todas elas estão mais concentradas em arrecadar dinheiro que pregar os ensinamentos religiosos. Sem contar as barbáries que outras andam aprontando por aí em nome de Deus.

E como continuar tendo fé se ainda nos faltam quase dois anos para termos um governo novo, eleito pelo povo e com mais força que este? Como ter fé se essa "mãe de todas as bombas" chamada Lava Jato implodiu com todas as lideranças políticas, enfraqueceu de tal forma este governo de Michel Temer que, tudo indica, não vai conseguir aprovar as reformas necessárias. Assim, o país pode se transformar, economicamente, numa Grécia - ou pior, num governo como o do Rio de Janeiro.

Me perdoe, caro leitor, todo esse pessimismo (dei uma relida no que escrevi até aqui e me achei meio negativo, cético, sei lá). Talvez todo esse espalhafato acerca dos depoimentos tornados públicos na Lava Jato nesses últimos dias estejam me influenciando negativamente. Mas, aposto que a você deve estar acontecendo o mesmo: estamos quase perdendo a fé na recuperação do Brasil.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Domingo, 09 Abril 2017 09:58

O Brasil tem jeito, sim

A situação econômica do Brasil continua muito ruim; são 13 milhões de desempregados. As consequências disso estão aí bem evidentes e são muitas, mas basta ver o aumento da criminalidade que é a mais cruel de todas - ela assusta. E isso tem jeito?

Jeito tem e não está tão difícil de consertar. Já foram feitas algumas coisas boas, como tirar do governo a presidente Dilma, por exemplo; isso foi traumático, mas necessário se não a situação hoje estaria muito pior.

Fizemos o controle das contas públicas. Hoje o país já está com superávit. Conseguimos com isso controlar a inflação que é uma das piores coisas, pois corrói o salário dos trabalhadores. Agora só falta fazer duas coisas, a Reforma da Previdência e fazer que o povo seja mais patriota, ou melhor dizendo: que os eleitores sejam mais patriotas. E um bom exemplo tive faz muito tempo...

Em 1981 a Associação Brasileira dos Produtores de Sementes, da qual participávamos alguns produtores de soja do MS, promoveu uma viagem aos Estados Unidos para aprendermos com os americanos suas técnicas na produção de sementes de soja - sim, pois eles eram os maiores e melhores do mundo nisso naqueles tempos e nós brasileiros estávamos iniciando a sojicultura no país.

De Chicago, onde desembarcamos e antes de partirmos para as visitas aos grandes produtores, queríamos conhecer a Bolsa de Mercadorias de Chicago, afinal, desde aquela época e ainda hoje, os preços mundiais da soja são determinados lá e por ela. Acordamos cedo e saímos do hotel caminhando, pois o prédio da Bolsa era pertinho.

Ruas desertas as 7:00 horas da manhã e todos nós estranhamos quando vimos um prédio antigo e grandioso que não possuía nenhuma propaganda política e nenhum papel colado de candidato - era tempo de eleições nos Estados Unidos e havia propaganda política em todas as casas e pichações em todos os muros.

Por que esse prédio está limpinho e sem propagandas perguntamos ao americano que nos conduzia? Ele respondeu: "Mas este é o prédio dos Correios; é um prédio público e todos os candidatos sabem que os cidadãos americanos ficam irritados com os que sujam coisas públicas, ou explicando melhor: colocar propaganda ali perde voto".

Pois é, ao ouvir a explicação alguém lembrou das campanhas políticas no Brasil que aqui se emporcalhava tudo também e principalmente o que era público.

Já melhoramos muito porque nossas campanhas não sujam tanto as ruas como antigamente, mas o que nossos representantes fazem com as coisas públicas pioramos demais. E não são apenas os políticos que roubam descaradamente os recursos púbicos como estamos vendo através da Operação Lava Jato, mas a culpa disso tudo é dos eleitores e não adianta lamentar agora. Com a Constituição de 1988 criamos direitos demais - e de menos com obrigações individuais.

Não dá para continuar assim.

Na última década o sonho de nossa juventude foi ser funcionário público - e muitos conseguiram.

Só que agora os governos mal e mal conseguem pagar-lhes os salários. Ficam faltando recursos para estradas, hospitais e a educação. Principalmente à educação para prepararmos melhor o futuro do país e melhorarmos o patriotismo dos brasileiros.

Acredito, sim, que o Brasil tem jeito e também acredito que essa Operação Lava Jato será o norte para orientar os eleitores na eleição de 2018.

*O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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