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Waldir Guerra

Waldir Guerra

Quinta, 15 Junho 2017 07:23

Precisamos retomar o voo do crescimento

O governo brasileiro e nós juntos estamos vivendo dias difíceis. É uma sensação parecida como a de pilotar um avião em tempo ruim e tendo que confiar só nos instrumentos. Parece que logo ali na frente o tempo vai melhorar, porém, o voo precisa continuar porque não dá mais para voltar. Pilotar assim é angustiante demais – e para os passageiros também.

O governo do presidente Michel Temer está assim e até pior: atingido por uma tempestade seu voo pode ter o pouso forçado antes do destino – que é 31 de dezembro de 2018. Contudo – porque não há outra alternativa melhor – me atrevo dizer que ele deveria continuar.

As acusações contra grande parte dos políticos com mandato continuam a pipocar e agora até o presidente Michel Temer foi atingido e, por consequência, seu governo. As provas são tão fortes que estou inclinado também a repetir o que muitos dizem: que se dane. Se tiver que pagar, que pague. Digo isso porque a cada dia mais me convenço do envolvimento, pois a maioria dos políticos abusaram nos gastos para se eleger.

Então, já que as evidências contra o próprio presidente são graves que seja acusado; seja julgado e se condenado que pague.

Apesar de tudo isso concordo com o bom economista Delfin Neto que insiste para que o STF adote a solução do “menor custo social” e aceite o sobrestamento, até 1/1/2019, das questões que Temer deve esclarecer à Justiça. “Com isso se dará nova força ao governo para continuar com as reformas... e no futuro próximo responderá pelo que tenha feito”.

O governo de Michel Temer precisa continuar esse voo, mesmo que seja pelo auxílio de instrumentos (STF) porque é a única maneira que o país tem para fazer as reformas. Sem elas, em especial a da Previdência não somente os Estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, mas o próprio país – e nós todos juntos, claro – ficaremos prostrados.

No caso de um afastamento do atual presidente uma nova fase de incertezas com a sucessão se iniciará e um longo processo sucessório irá travar todas as grandes discussões do País; me refiro ás reformas. Tem gente demais - são 14 milhões de desempregados - esperando desesperados que o Brasil retome o voo do desenvolvimento e ele só acontecerá se as reformas forem aprovadas.

O momento é difícil sim, mas é de grandes mudanças também. Ou você tem alguma dúvida que a Lava Jato irá criar grandes mudanças na vida dos brasileiros? Vai sim! As próximas eleições irão mudar a cara dos políticos que governam o Brasil. Uma grande parte dos atuais mandatários estará impedida de se candidatar. Alguns ainda tentarão se reeleger, mas os próprios eleitores, agora devidamente esclarecidos pela publicidade das denúncias, os excluirá da administração pública.

Você não pensa assim? Não concorda? Então me ajude aí, por favor; mostre-me outra solução, mas que seja executável em alguns poucos meses, ou melhor, em poucos dias; já que o país, com 14 milhões de desempregados, não vai resistir e irá desmoronar, assim como a Venezuela desmoronou. É angustiante sei, mas o Brasil precisa continuar este voo para pousar tranquilo nas eleições de 2018; daí sim, trocar de aeronave e voar em outra conexão – e torcer que seja numa aeronave nova.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; Piloto Privado, foi vereador, secretário do Governo e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Segunda, 29 Maio 2017 21:33

Simplificar é preciso, e urgente

Muito verdadeira a afirmação de que no Brasil se criam dificuldades para vender facilidades. Talvez a origem desse vício entranhado hoje no caráter de grande parte da população brasileira tenha se originado com a cedência, a alguns poucos portugueses afortunados, as Capitanias Hereditárias, quinhentos anos atrás.

O tal “jeitinho brasileiro” é um descendente direto dessas facilidades que começaram logo depois do descobrimento do Brasil. E foram se multiplicando em maneiras diferentes de se criar dificuldades na vida dos brasileiros para delas alguns poucos usufruir vantagens.

Desculpe, mas essa irritação de hoje vem de ter sido obrigado a apresentar uma Cartela do Idoso exposta no para-brisa do carro a fim de ocupar uma das vagas para idosos. Levei multa porque estava sem a cartela. Apresentei minha Carteira de Identidade atestando meu direito; o guarda não aceitou. Fui multado. Pior...

Dia seguinte busquei na Prefeitura uma segunda via da Cartela, mas somente poderia requere-la se apresentasse um BO, Boletim de Ocorrência que deveria fazê-lo na Polícia Civil. Veja o que faz a burocratização neste país, uma simples cartela sem foto se sobrepõe a todos os meus documentos de Identidade. Ainda pior, além de não acreditarem nos meus documentos, também não acreditam que perdi a cartela; acreditam no BO da Polícia – ainda bem.

Ainda hoje uma das múltiplas maneiras de usufruir vantagens é a de explorar os cidadãos brasileiros, com a burocratização, através de Cartórios. Desculpe, mas não sei dizer quando foram criados aqui no Brasil os (des)necessários cartórios. Hoje eles se chamam cartórios de registro civil, cartório de tabelionato de notas, cartório de registro de imóveis, cartório de registro de títulos e documentos...

Eles, os cartórios, são o símbolo maior da burocratização brasileira. Nem na ditadura militar e sob o governo de generais se conseguiu acabar com seus poderes mais prepotentes. Em 18/07/79 pelo Decreto 83.740 foi lançado o Programa de Desburocratização e nomeado para o cargo de Ministro da Desburocratização, Hélio Beltrão e assim se previa a melhoria no atendimento dos usuários do serviço público.

O competente ministro Hélio Beltrão conseguiu quase extinguir a necessidade de reconhecimento de uma assinatura por um cartório. Infelizmente com a extinção do Ministério da Desburocratização voltaram com força total o símbolo maior dos cartórios, os “reconhecimentos de firmas”; só que agora com estampilhas coloridas e carimbos diversos, tudo como nos séculos passados. Como herança do excelente trabalho realizado por este ministério, temos a criação do juizado especial e o nascimento da lei de microempresas, políticas que visavam simplificar o serviço público.

Se me perguntares como é em outros países esses processos de reconhecimento de firmas posso dizer que nos Estados Unidos também se reconhece uma assinatura, mas é feita por uma outra pessoa qualquer que lhe conhece e que nada vai lhe cobrar, apenas ela se credenciou para isso junto ao governo.

O Legislativo, através da Câmara dos Deputados e Senado Federal, bem que tenta diminuir a burocratização no país. Agora mesmo o Congresso Nacional criou uma Comissão Mista de Desburocratização para tratar disso e essa Comissão já tem seu presidente indicado, deputado Júlio Lopes e também um relator, senador Antônio Anastasia.

O Executivo, Presidência da República, criou um Decreto no dia 7 de março de 2017 onde cria o Conselho Nacional da Desburocratização. Nesse Conselho participam todos os ministérios e dele e da Comissão do Legislativo se espera que no Brasil se extingam as dificuldades e se simplifique o atendimento aos usuários do serviço público.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Segunda, 15 Maio 2017 19:26

A disputa acabou num empate técnico

Os que esperavam coisas bombásticas a semana passada, no depoimento do ex-presidente Lula em Curitiba, certamente devem estar frustrados. Tirando os noves fora dos mais fanáticos, a disputa acabou num empate técnico entre Moro x Lula, segundo os jornais.

Acompanhei o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do que ele disse ao juiz Sergio Moro. Preciso destacar a importância para o Brasil do que seu governo fez em benefício dos mais pobres. Que ninguém se engane, a história lhe dará, sim, esse crédito.

Infelizmente a história vai lhe cobrar muito caro os erros que ele cometeu, não somente nos oito anos do seu governo, mas também nos cinco anos de sua pupila e sucessora, Dilma Rousseff. Metade da população do país, as mulheres brasileiras – grande parte delas – não vai perdoá-lo por ter errado ao escolher mal sua sucessora.

Concordo que deveria, sim, escolher uma mulher para ser sua candidata; era o momento certo para fazê-lo, mas escolheu mal, escolheu uma pessoa despreparada e incompetente.

Se realmente, como ele afirmou, elegeria um poste para sucede-lo, ele é o responsável direto pelo fracasso da ex-presidente. Pior, porque criou mais um estigma para as mulheres ambicionarem disputar novamente o cargo de presidente do Brasil.

Mulheres competentes existem e não é necessário citar exemplos externos, como Angela Merkel, que governa a poderosa Alemanha há onze anos. Temos aqui a competentíssima presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia que nos deixa boquiabertos por sua competência.

Outro erro que agora mesmo Lula está sendo cobrado – e a história continuará a fazê-lo para sempre – será a de imputar-lhe a culpa por ter levado ao extremo o uso e o abuso dos recursos públicos a fim de continuar ocupando o Poder Político do Brasil.

Sim, são verdadeiras suas afirmações de que para se eleger a grande maioria dos políticos desviava recursos públicos e os usava nas campanhas políticas. Sim, hoje graças a Lava Jato todos os brasileiros sabem que, não somente políticos, mas que os próprios partidos políticos se transformaram em organizações que rapinaram a coisa pública.

Acontece que Lula e seus comandados, quando no poder, multiplicaram os valores desviados e "se lambuzaram" nisso - como disse o ex-ministro da Justiça, Jaques Wagner. (Perdoe-me caro leitor, mas isso não faz lembrar a novela Saramandaia quando Dona Redonda de tanto comer explodiu, causando um tremor de terra?).

Mas, retornando o pensamento: com o Mensalão ficou provado que o partido do presidente Lula usava recursos públicos para se manter no comando da política e governar. Tanto que José Dirceu e mais 38 outros membros do esquema foram condenados pela Justiça.

Lá atrás, no Mensalão, Lula simplesmente dizia que não sabia de nada. Foi poupado e a Justiça o deixou em paz, mas agora no Petrolão os depoimentos mostram que a roubalheira continuou a acontecer e de forma geral em quase todos os órgãos e empresas públicas. Ainda que continue dizendo que não sabia de nada, como acreditar se nem ele, nem sua sucessora - que "fez o diabo para se reeleger"- não sejam culpados disso?

Assim, esta semana começamos bem melhor que a passada e por isso, então, nos concentremos nas reformas no Congresso Nacional já que o embate do juiz Sergio Moro x ex-presidente Lula acabou num empate técnico.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Governo e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Ainda não dá para cantar vitória, mas já há bons motivos pra gente se animar um pouco mais. Explico: A reforma mais importante é a da Previdência porque sem ela o Governo Federal não vai conseguir fechar suas contas; pior, sem ela o atual governo de Michel Temer acaba.

Assim pressionado, o governo está usando a reforma da CLT, Consolidação das Leis do Trabalho, outra importante e também necessária reforma, para verificar se tem os votos necessários a fim de aprovar a Reforma da Previdência junto aos deputados.

Como se viu na semana passada os deputados aprovaram mais de 100 alterações na CLT. Algumas delas muito importantes e que irão animar a economia brasileira que anda de mal a pior. Por exemplo, como a que extingue o imposto sindical - aquela obrigação dos empregados pagarem um dia por ano do seu salário ao seu sindicato. Sem ela muitos sindicatos serão extintos no Brasil - felizmente pode-se dizer. Dou um bom exemplo:

Segundo o jornal espanhol El Pais, o Brasil tem 17.082 sindicatos; enquanto a Argentina tem apenas 100. Aqui o governo federal repassa 3,6 bilhões de reais por ano aos sindicatos brasileiros e os TCUs, Tribunais de Contas, não podem fiscalizá-los. Gente! Por favor, vamos acabar com essa conversa mole, dinheiro público tem que ter fiscalização, sim.

Outra coisa, sempre é bom lembrar ao caro leitor que o Brasil tem 95% de todas as ações trabalhistas do mundo. Segundo as Nações Unidas existem 193 países no mundo todo. Fora o nosso, os demais países (192) só detém 5% dos processos - pensando bem, a gente poderia transferir-lhes metade dos processos, uns cinco milhões só para aprender com outros como lidar com isso.

Os que mais protestam contra as reformas são os "Fora Temer", mas deduzo que eles não sabem o que querem. Olha, até já pensei em me incluir nessa turma quando tive dúvidas na capacidade de Michel Temer em controlar as contas do governo e confesso que ainda posso repensar a ideia caso este governo não consiga aprovar a Reforma da Previdência.

Nessas discussões todas gostaria de saber o que eles querem mesmo, pois protestam; fazem greves; dizem que irão chamar o "exército" do Stédile e até dizem que a Reforma da Previdência não é necessária, mas não me apresentam outros planos, outras boas soluções. Aquelas que eles apresentaram no governo Dilma nunca me convenceram e não seria agora que iria acreditar nelas - e por consequência nem neles.

Além disso, tenho também algumas dúvidas que não consigo entender. Se você, caro leitor entende, então, use meu e-mail aí em baixo e me ajude explicando por que nas greves, como as da semana passada e mesmo nas manifestações passadas, os Black Blocs, que se sabe estão a serviço de alguns partidos políticos da esquerda se infiltram nas manifestações e promovem quebra-quebras, brigas com a polícia e partem para agressões físicas; o que eles querem, afinal? Mais: Os "Fora Temer" querem colocar quem na Presidência da República?

Quanto a Reforma da Previdência é compreensível que sejam contrários a ela os que ficarão prejudicados e certamente perderão alguns direitos no futuro, mas o Brasil precisa equiparar os direitos na aposentadoria dos funcionários públicos com os privados, afinal, os direitos precisam ser iguais a todos, ora essa!

Apesar disso tudo, sei que ainda é cedo, mas já há bons motivos pra gente se animar um pouco mais.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Segunda, 17 Abril 2017 16:33

Quase perdendo a fé

Não posso perder a esperança na recuperação do Brasil; mas confesso que estou quase perdendo a fé nisso.

O Brasil está numa crise política histórica; me atrevo dizer que ainda maior que a criada pelos militares quando assumiram o controle do pais na revolução em 1964.

Naquela ocasião apenas alguns dos eleitos foram cassados pelo Regime Militar, os demais continuaram atuando - um tanto tolhidos nos seus direitos é verdade, mas continuaram.

Agora não, a maioria dos políticos, pelo menos os líderes partidários, terá um destino pior, além de sua cassação; parece que grande parte irá pra cadeia mesmo. E não é apenas porque usaram dinheiro do caixa 2; é porque usaram recursos desviados de empresas públicas. Não há como a Justiça não condenar essa maioria. Assim, ficaremos sem liderança política - estamos no mato sem cachorro.

Na verdade, nem sei mais o que dizer dessa situação um tanto desesperadora. Gostaria de fazer o que Nizan Guanaes está fazendo. Sempre leio a coluna dele e numa delas ele diz que, aconselhado por Abílio Diniz, está rezando todos os dias pela manhã e tem encontrado um grande alívio para aguentar o tranco que suas empresas estão passando nessa crise econômica e política.

Na verdade, rezar sempre rezei e foi minha mãe que me ensinou. Tão católica e devota era minha mãe que até tentou me convencer a ser padre. Lembro como foi difícil persuadi-la a deixar-me sair do seminário. Ela ainda tentou com mais dois irmãos, mas também não conseguiu ter um filho padre.

Como sou cristão e acredito que Deus também nos ouve e atende através de intercessores (santos) talvez seja bom pedir à minha mãe - que já era santa aqui e com certeza está no Céu - para interceder junto a Ele para que ajude o Brasil a superar essa crise.

Se ainda não fiz isso é porque nem saberia como explicar à minha mãe todas essas complicações políticas nossas. E, além disso, não nego que ando meio descrente dos meus semelhantes, especialmente dos adultos - me refiro aos eleitores.

Depois, coisa pior: assim como estou perdendo a fé na recuperação do país, também ando perdendo um pouco de fé na religião porque, não somente a minha, mas todas elas estão mais concentradas em arrecadar dinheiro que pregar os ensinamentos religiosos. Sem contar as barbáries que outras andam aprontando por aí em nome de Deus.

E como continuar tendo fé se ainda nos faltam quase dois anos para termos um governo novo, eleito pelo povo e com mais força que este? Como ter fé se essa "mãe de todas as bombas" chamada Lava Jato implodiu com todas as lideranças políticas, enfraqueceu de tal forma este governo de Michel Temer que, tudo indica, não vai conseguir aprovar as reformas necessárias. Assim, o país pode se transformar, economicamente, numa Grécia - ou pior, num governo como o do Rio de Janeiro.

Me perdoe, caro leitor, todo esse pessimismo (dei uma relida no que escrevi até aqui e me achei meio negativo, cético, sei lá). Talvez todo esse espalhafato acerca dos depoimentos tornados públicos na Lava Jato nesses últimos dias estejam me influenciando negativamente. Mas, aposto que a você deve estar acontecendo o mesmo: estamos quase perdendo a fé na recuperação do Brasil.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Domingo, 09 Abril 2017 09:58

O Brasil tem jeito, sim

A situação econômica do Brasil continua muito ruim; são 13 milhões de desempregados. As consequências disso estão aí bem evidentes e são muitas, mas basta ver o aumento da criminalidade que é a mais cruel de todas - ela assusta. E isso tem jeito?

Jeito tem e não está tão difícil de consertar. Já foram feitas algumas coisas boas, como tirar do governo a presidente Dilma, por exemplo; isso foi traumático, mas necessário se não a situação hoje estaria muito pior.

Fizemos o controle das contas públicas. Hoje o país já está com superávit. Conseguimos com isso controlar a inflação que é uma das piores coisas, pois corrói o salário dos trabalhadores. Agora só falta fazer duas coisas, a Reforma da Previdência e fazer que o povo seja mais patriota, ou melhor dizendo: que os eleitores sejam mais patriotas. E um bom exemplo tive faz muito tempo...

Em 1981 a Associação Brasileira dos Produtores de Sementes, da qual participávamos alguns produtores de soja do MS, promoveu uma viagem aos Estados Unidos para aprendermos com os americanos suas técnicas na produção de sementes de soja - sim, pois eles eram os maiores e melhores do mundo nisso naqueles tempos e nós brasileiros estávamos iniciando a sojicultura no país.

De Chicago, onde desembarcamos e antes de partirmos para as visitas aos grandes produtores, queríamos conhecer a Bolsa de Mercadorias de Chicago, afinal, desde aquela época e ainda hoje, os preços mundiais da soja são determinados lá e por ela. Acordamos cedo e saímos do hotel caminhando, pois o prédio da Bolsa era pertinho.

Ruas desertas as 7:00 horas da manhã e todos nós estranhamos quando vimos um prédio antigo e grandioso que não possuía nenhuma propaganda política e nenhum papel colado de candidato - era tempo de eleições nos Estados Unidos e havia propaganda política em todas as casas e pichações em todos os muros.

Por que esse prédio está limpinho e sem propagandas perguntamos ao americano que nos conduzia? Ele respondeu: "Mas este é o prédio dos Correios; é um prédio público e todos os candidatos sabem que os cidadãos americanos ficam irritados com os que sujam coisas públicas, ou explicando melhor: colocar propaganda ali perde voto".

Pois é, ao ouvir a explicação alguém lembrou das campanhas políticas no Brasil que aqui se emporcalhava tudo também e principalmente o que era público.

Já melhoramos muito porque nossas campanhas não sujam tanto as ruas como antigamente, mas o que nossos representantes fazem com as coisas públicas pioramos demais. E não são apenas os políticos que roubam descaradamente os recursos púbicos como estamos vendo através da Operação Lava Jato, mas a culpa disso tudo é dos eleitores e não adianta lamentar agora. Com a Constituição de 1988 criamos direitos demais - e de menos com obrigações individuais.

Não dá para continuar assim.

Na última década o sonho de nossa juventude foi ser funcionário público - e muitos conseguiram.

Só que agora os governos mal e mal conseguem pagar-lhes os salários. Ficam faltando recursos para estradas, hospitais e a educação. Principalmente à educação para prepararmos melhor o futuro do país e melhorarmos o patriotismo dos brasileiros.

Acredito, sim, que o Brasil tem jeito e também acredito que essa Operação Lava Jato será o norte para orientar os eleitores na eleição de 2018.

*O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Domingo, 19 Março 2017 14:53

Um bom livro, uma ótima leitura

Nessa angústia na Lava Jato de que vai acontecer e não acontece nada; nesse intervalo entre vai acontecer e não acontece nada com as reformas deste novo governo decidi parar e me dedicar ler o livro “O Futuro Chegou” do escritor Domenico de Masi. E fiz bem ao fazer isso.

Livro de 750 páginas, meio desajeitado para mantê-lo nas mãos durante a leitura, mas a curiosidade em saber um pouco mais sobre a propalada era pós-industrial que segundo Domenico e outros sociólogos já estaríamos vivendo, me encorajou ler a obra toda. A leitura dele foi consumida como uma sobremesa, quanto mais avançava mais queria.

Foi mais uma boa aula acerca da evolução da humanidade desses últimos dez mil anos. Desde o período essencialmente agrícola e pastoril; mais a descrição minuciosa do período industrial que durou duzentos anos, e já acabou, pois agora já estamos vivendo uma nova era, a pós-industrial.

Na página 549 Domenico De Masi me situou e me descreveu: “As novas tecnologias têm agido como teste para colocar em evidência a progressiva dicotomia entre um número decrescente de pessoas que continua a viver conforme modalidades industriais, senão ainda rurais, e um número crescente de pessoas que começa a viver de modo cada vez mais coerente com a cultura pós-moderna. Simplifico chamando de “analógicos” os primeiros e “digitais” os segundos”.

Faltou apenas citar meu nome quando no parágrafo seguinte continuou: “Em princípio, os “analógicos” são mais velhos que os digitais e irão demograficamente desaparecer nos próximos decênios. Não têm facilidade com a informática ...” e vai por aí afora descrevendo como analógicos todos aqueles que estão agarrados com os valores do passado industrial, mas que irão desaparecer para dar lugar aos digitais.

Aproveitei como boa lição de Domenico sua descrição da vida e luta de Karl Marx e de Friedrich Engels – companheiro de Marx por toda sua vida. Os dois fundaram o socialismo científico e em coautoria criaram o Manifesto Comunista. Fiquei com outra opinião acerca da luta de Marx na defesa dos operários durante o período mais tenebroso da era industrial, no começo dela. Continuo com o mesmo pensamento de sempre quanto a utopia dos sonhos de Marx e Engels para implantar o comunismo no mundo todo.

Pela influência que o comunismo teve para grande parte da humanidade e já que entre os sociólogos há certa discordância sobre a data a ser considerada para o fim da era industrial, parece-me justo concordar com os que afirmam ela seja fixada na derrubada do muro de Berlim. Afinal, ali naquele momento da história morreu também o sonho marxista: o comunismo. Ficou provado que ele não é viável como forma de conduzir uma nação, ali também a era industrial começou a dar lugar a pós-industrial.

Na parte final do livro, Domenico se dedica a uma bela dissertação sobre a formação sociológica do povo brasileiro e gostei quando discorda de Stefan Zweig que diz que indígenas não influíram na formação do povo brasileiro: “não existe uma poesia pré-histórica brasileira, nem uma religião brasileira, nem uma música brasileira antiga...; e Domenico replica: “Mas de quem crê Zweig que os brasileiros de hoje tenham herdado sua doçura, brandura e tolerância senão dos progenitores indígenas? Como poderiam tê-la herdado dos portugueses, dos holandeses que abriram caminho com tiros de canhão contra gente desarmada que não conhecia nem a roda?

Realmente é um bom livro e uma ótima leitura.

(Em tempo: Obrigado meus bons amigos Peterson e Carini pelo belo presente: o empolgante livro “O Futuro Chegou” de Domenico De Masi).

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Segunda, 06 Março 2017 07:56

Hora da onça beber água

O Carnaval acabou e a partir desta semana deveríamos, nós brasileiros, iniciar o nosso ano de trabalho. É um dito popular, mas que tem lá seu fundo de verdade não tenho dúvidas.

Também não tenho dúvidas que agora chegou a hora da onça beber água. Ou seja, o presidente Michel Temer precisa aprovar a Reforma da Previdência para tirar o país do atoleiro em que se encontra e seu prazo para isso é curto. Curto porque a Lava Jato avança como um caçador profissional e pode não lhe dar tempo suficiente para isso.

Pior, além do caçador já ter abatido com sua pontaria certeira um bom número de membros do atual governo, ainda ameaça derrubar uma grande parte dos congressistas que o apoiam – o que inviabilizaria a aprovação não somente das Reformas, mas da sobrevivência do próprio governo.

Todos nós sabemos da necessidade na aprovação da Reforma da Previdência. Uma reforma necessária para o Brasil e sabemos que ela vai cutucar vespeiro com vara curta. Mais grave, ela vai mexer com um grande enxame de abelhas e essa colmeia tem, não uma, mas milhares, dezenas de milhares de rainhas que irão brigar até a morte para não ceder seus espaços já conquistados no reino público.

A pressa não é apenas para escapar do caçador profissional e também nem tanto para fechar as contas do país, a pressa que aflige o presidente tem muito a ver com o ano de 2018, pois ele significa eleições; e ele sabe que é somente nisso que a maioria absoluta dos congressistas está de olho, cada um na sua própria reeleição.

Apesar disso tudo, minha fé ainda continua e baseada na capacidade do atual presidente, Michel Temer. Já disse aqui, mas insisto em relembrar que por ter sido três vezes presidente da Câmara dos Deputados e ter presidido por muitos anos um dos maiores partidos do país, o PMDB, o credencia fazer todas as reformas necessárias para nos arrancar do buraco em que os governos populistas nos meteram.

Ainda hoje penso que, sim, ele tem capacidade para fazê-las, pois vi como arregimentou facilmente o número necessário de deputados para aprovar o saneamento das contas do governo no ano passado. Acompanhei as eleições para as presidências, tanto no Senado como na Câmara, já neste ano, onde agora comandam pessoas de sua confiança.

Nessa questão de fé e esperança preciso confessar que ao longo da vida muitas vezes duvidei da existência de Deus, mas sempre que tomei outro caminho diferente, lá na frente dei de cara com Ele e voltei a ter fé.

Assim também tem me acontecido na questão da recuperação econômica do país. Por diversos momentos perdi a fé neste governo; não ao ponto de me incluir na turma dos “Fora Temer” – pois estes representam os bezerros recém desmamados das tetas governamentais.

Mas quando me vejo desanimado fico imaginando o Brasil desgovernado economicamente assim como se encontram hoje os Estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Ou pior, o Brasil desgovernado socialmente como estiveram alguns presídios no começo deste ano. É nesse momento que dou de cara com Deus e coloco fé na única maneira de recuperarmos o país: através das Reformas, especialmente a da Previdência.

Dos ditos populares, o que diz que, para os brasileiros, o ano começa após os Carnaval, não importa tanto agora. Importa mesmo que esta é a hora da onça beber água. Ou seja: o presidente aprova as reformas, ou sai de cena.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Segunda, 06 Fevereiro 2017 13:47

A semana começa com mais esperança

Esta semana começa mais animada e não estou me referindo a ela por conta da proximidade com o Carnaval, mas pelos acontecimentos políticos que, em minha opinião, foram animadores para a economia.

A primeira delas foi a eleição de Eunício de Oliveira para presidente do Senado Federal. Com esta eleição ficou demonstrada a boa liderança do presidente Michel Temer, pois conseguiu emplacar no cargo uma pessoa de sua confiança para aprovar as reformas necessárias e colocar o país novamente nos trilhos do crescimento econômico.

Veja bem, não estou afirmando que o senador Eunício seja um paladino da moral e também tenha mais competência que seu antecessor, Renan Calheiros, para comandar o Senado, mas por enquanto, não aparece tão enrolado em escândalos. Quanto à sua capacidade administrativa ainda não se pode dizer muita coisa porque ele está em seu primeiro mandato – tem apenas dois anos na Casa.

O que importa dizer é que ele está entre aqueles congressistas que conhecem o tamanho da crise em que se encontra o Brasil – agora com 12,3 milhões de desempregados – e sabe que só sairemos dessa crise com as reformas propostas pelo atual governo. Em suma: Eunício está afinado com o Presidente Temer.

Outra notícia animadora foi a eleição de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara dos Deputados. Era disparado o melhor nome daquela meia dúzia que se apresentou para a disputa. Mas o que chamou atenção foi o apoio tácito do Presidente da República – claro, mais as manobras políticas feitas pelo Governo para que ele fosse eleito.

Certamente as primeiras grandes decisões das Reformas serão iniciadas pela Câmara, a Casa do Povo, e Rodrigo Maia é também um defensor delas. Com sua tranquila eleição quem mais saiu fortalecido foi o Presidente Michel Temer.

Por favor, não faça um julgamento errado. Nunca votei em Michel Temer – nem mesmo pra vice-presidente – mas repito o que tenho afirmado outras vezes: Michel Temer é a melhor opção que temos em mãos neste momento para sairmos dessa enrascada que a ex-presidente Dilma Rousseff nos meteu. Além do mais, ele é um dos políticos mais competentes deste país. Por três vezes presidiu a Câmara dos Deputados e conhece todas as carências e manhas dos deputados. Ele sabe da importância em ter o apoio de uma maioria firme especialmente dentro da Câmara dos Deputados.

A nomeação para uma Secretaria de Governo de Wellington Moreira Franco, por exemplo, aos olhos da oposição foi para protegê-lo da Lava Jato, assim como foi a do Lula para Chefe da Casa Civil no Governo Dilma. Pois é; as duas coisas se parecem mesmo. Acontece que Moreira Franco é sogro de Rodrigo Maia que agora preside a Câmara dos Deputados. A intenção de o presidente Michel Temer talvez até tenha sido para protegê-lo, mas penso que foi mais para tê-lo no árduo trabalho de coordenar a aprovação das Reformas na Câmara, apenas isso – Até porque na dinâmica vida dos políticos, ninguém costuma segurar escada pra outro.

Quanto à retomada dos empregos, a meu ver, somente acontecerá quando o país se jogar com toda força na retomada em obras de infraestrutura e para que isso aconteça precisamos apressar as Reformas.

Mas, felizmente, esta semana começa mais animada, pois o caminho está aberto para que cada brasileiro faça sua parte no trabalho de pressionar nossos representantes no Congresso Nacional para aprovarem as Reformas necessárias a fim de sairmos dessa crise em que o Brasil foi jogado.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Segunda, 23 Janeiro 2017 08:18

Que semana, hein?

Que semana esta última, não é mesmo? Três acontecimentos importantes – dois deles brutais para nós brasileiros – mais a posse de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos que embasbacou o mundo todo.

Prato cheio foi apenas para a mídia nacional que ficou pulando de uma desgraça pra outra e depois amenizava fazendo comentários diretos de Washington sobre a posse do presidente americano. A GloboNews e todas suas congêneres passaram os dias e vararam noites adentro ruminando esses três acontecimentos. Foi dose!

As revoltas dentro de presídios mostrando a brutalidade das mortes praticadas entre os próprios presidiários nos mostraram o quanto foram irresponsáveis com esse assunto todos os governos – desde o descobrimento até hoje. Uma vergonha nacional.

Mas pensando bem, essas revoltas dentro das penitenciárias brasileiras fazem parte do nosso problema maior que é o estado amoral – ou imoral mesmo – que está formada hoje grande parte da nossa malha social. Para explicar isso não é necessário ficar me alongando muito com mais palavras, basta olhar para o que vem nos acontecendo na operação Lava Jato: nosso sistema político está podre; a maioria de nossos grupos empresariais está corrompida. E consequentemente de cima para baixo assim está formado o nosso tecido social – ou você pode achar que aconteceu de baixo para cima, tanto faz.

Outra desgraça foi a lamentável morte do ministro Teori Zavascki, mas que não faz parte desse nosso problema maior, pois não acredito ter sido um crime (acredito em acidente mesmo); acredito que fomos apenas vítimas de um infortúnio.

Como disse no último artigo: por favor, consideremos que o ano de 2017 vai começar depois do Carnaval e por conta disso ainda estamos no rescaldo do ano 2016. Assim a gente aguenta melhor toda essa desgraceira que vem desabando sobre o povo brasileiro e reforça nossa esperança que as coisas irão melhorar – após o Carnaval.

Então, vamos pensar que o mundo está mudando. Veja o que acontece lá fora: a tão festejada Primavera Árabe acabou gerando guerras pelo poder na maioria dos países que deveriam, com o fim das tiranias, serem exemplos democráticos. Milhões de pessoas viraram refugiados e inundaram a Europa criando problemas sociais em quase todos os países da Comunidade Europeia.

Muito por conta disso, a Inglaterra, se afasta da Comunidade Europeia (CE) e os ingleses decidem eles mesmos tomar conta de suas vidas e seus negócios. O mundo civilizado começa a se fechar contra a invasão de emigrantes desesperados. Milhões que querem trabalhar – ou apenas sobreviver – e países europeus já não querem mais imigrantes.

Agora os americanos irão se fechar também e quem disse isso foi seu presidente no dia da posse. Donald Trump ganhou sua eleição com discurso de cuidar dos empregos americanos. Isso não significa que será o fim da globalização porque sem mercado consumidor eles não ficam não. Mas que teremos mudanças radicais, isso é verdade; se prepare.

Grandes mudanças já estão acontecendo pelo mundo todo e nós brasileiros estaremos no meio delas e para que estejamos preparados para recebê-las – ou enfrentá-las, sei lá – precisamos concluir o trabalho, e bem feito, da Operação Lava Jato.

A Lava Jato precisa ser a senha para iniciar a recuperação do nosso tecido social e sacramentar a educação de nossas futuras gerações. Só assim estaremos aptos para participar das mudanças que o mundo globalizado requer. Ou começamos agora essa reeducação social tendo como start a Lava Jato, ou, daqui a pouco, a barbárie já iniciada nos presídios irá sair de lá direto para as ruas.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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