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Waldir Guerra

Waldir Guerra

Segunda, 17 Abril 2017 16:33

Quase perdendo a fé

Não posso perder a esperança na recuperação do Brasil; mas confesso que estou quase perdendo a fé nisso.

O Brasil está numa crise política histórica; me atrevo dizer que ainda maior que a criada pelos militares quando assumiram o controle do pais na revolução em 1964.

Naquela ocasião apenas alguns dos eleitos foram cassados pelo Regime Militar, os demais continuaram atuando - um tanto tolhidos nos seus direitos é verdade, mas continuaram.

Agora não, a maioria dos políticos, pelo menos os líderes partidários, terá um destino pior, além de sua cassação; parece que grande parte irá pra cadeia mesmo. E não é apenas porque usaram dinheiro do caixa 2; é porque usaram recursos desviados de empresas públicas. Não há como a Justiça não condenar essa maioria. Assim, ficaremos sem liderança política - estamos no mato sem cachorro.

Na verdade, nem sei mais o que dizer dessa situação um tanto desesperadora. Gostaria de fazer o que Nizan Guanaes está fazendo. Sempre leio a coluna dele e numa delas ele diz que, aconselhado por Abílio Diniz, está rezando todos os dias pela manhã e tem encontrado um grande alívio para aguentar o tranco que suas empresas estão passando nessa crise econômica e política.

Na verdade, rezar sempre rezei e foi minha mãe que me ensinou. Tão católica e devota era minha mãe que até tentou me convencer a ser padre. Lembro como foi difícil persuadi-la a deixar-me sair do seminário. Ela ainda tentou com mais dois irmãos, mas também não conseguiu ter um filho padre.

Como sou cristão e acredito que Deus também nos ouve e atende através de intercessores (santos) talvez seja bom pedir à minha mãe - que já era santa aqui e com certeza está no Céu - para interceder junto a Ele para que ajude o Brasil a superar essa crise.

Se ainda não fiz isso é porque nem saberia como explicar à minha mãe todas essas complicações políticas nossas. E, além disso, não nego que ando meio descrente dos meus semelhantes, especialmente dos adultos - me refiro aos eleitores.

Depois, coisa pior: assim como estou perdendo a fé na recuperação do país, também ando perdendo um pouco de fé na religião porque, não somente a minha, mas todas elas estão mais concentradas em arrecadar dinheiro que pregar os ensinamentos religiosos. Sem contar as barbáries que outras andam aprontando por aí em nome de Deus.

E como continuar tendo fé se ainda nos faltam quase dois anos para termos um governo novo, eleito pelo povo e com mais força que este? Como ter fé se essa "mãe de todas as bombas" chamada Lava Jato implodiu com todas as lideranças políticas, enfraqueceu de tal forma este governo de Michel Temer que, tudo indica, não vai conseguir aprovar as reformas necessárias. Assim, o país pode se transformar, economicamente, numa Grécia - ou pior, num governo como o do Rio de Janeiro.

Me perdoe, caro leitor, todo esse pessimismo (dei uma relida no que escrevi até aqui e me achei meio negativo, cético, sei lá). Talvez todo esse espalhafato acerca dos depoimentos tornados públicos na Lava Jato nesses últimos dias estejam me influenciando negativamente. Mas, aposto que a você deve estar acontecendo o mesmo: estamos quase perdendo a fé na recuperação do Brasil.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Domingo, 09 Abril 2017 09:58

O Brasil tem jeito, sim

A situação econômica do Brasil continua muito ruim; são 13 milhões de desempregados. As consequências disso estão aí bem evidentes e são muitas, mas basta ver o aumento da criminalidade que é a mais cruel de todas - ela assusta. E isso tem jeito?

Jeito tem e não está tão difícil de consertar. Já foram feitas algumas coisas boas, como tirar do governo a presidente Dilma, por exemplo; isso foi traumático, mas necessário se não a situação hoje estaria muito pior.

Fizemos o controle das contas públicas. Hoje o país já está com superávit. Conseguimos com isso controlar a inflação que é uma das piores coisas, pois corrói o salário dos trabalhadores. Agora só falta fazer duas coisas, a Reforma da Previdência e fazer que o povo seja mais patriota, ou melhor dizendo: que os eleitores sejam mais patriotas. E um bom exemplo tive faz muito tempo...

Em 1981 a Associação Brasileira dos Produtores de Sementes, da qual participávamos alguns produtores de soja do MS, promoveu uma viagem aos Estados Unidos para aprendermos com os americanos suas técnicas na produção de sementes de soja - sim, pois eles eram os maiores e melhores do mundo nisso naqueles tempos e nós brasileiros estávamos iniciando a sojicultura no país.

De Chicago, onde desembarcamos e antes de partirmos para as visitas aos grandes produtores, queríamos conhecer a Bolsa de Mercadorias de Chicago, afinal, desde aquela época e ainda hoje, os preços mundiais da soja são determinados lá e por ela. Acordamos cedo e saímos do hotel caminhando, pois o prédio da Bolsa era pertinho.

Ruas desertas as 7:00 horas da manhã e todos nós estranhamos quando vimos um prédio antigo e grandioso que não possuía nenhuma propaganda política e nenhum papel colado de candidato - era tempo de eleições nos Estados Unidos e havia propaganda política em todas as casas e pichações em todos os muros.

Por que esse prédio está limpinho e sem propagandas perguntamos ao americano que nos conduzia? Ele respondeu: "Mas este é o prédio dos Correios; é um prédio público e todos os candidatos sabem que os cidadãos americanos ficam irritados com os que sujam coisas públicas, ou explicando melhor: colocar propaganda ali perde voto".

Pois é, ao ouvir a explicação alguém lembrou das campanhas políticas no Brasil que aqui se emporcalhava tudo também e principalmente o que era público.

Já melhoramos muito porque nossas campanhas não sujam tanto as ruas como antigamente, mas o que nossos representantes fazem com as coisas públicas pioramos demais. E não são apenas os políticos que roubam descaradamente os recursos púbicos como estamos vendo através da Operação Lava Jato, mas a culpa disso tudo é dos eleitores e não adianta lamentar agora. Com a Constituição de 1988 criamos direitos demais - e de menos com obrigações individuais.

Não dá para continuar assim.

Na última década o sonho de nossa juventude foi ser funcionário público - e muitos conseguiram.

Só que agora os governos mal e mal conseguem pagar-lhes os salários. Ficam faltando recursos para estradas, hospitais e a educação. Principalmente à educação para prepararmos melhor o futuro do país e melhorarmos o patriotismo dos brasileiros.

Acredito, sim, que o Brasil tem jeito e também acredito que essa Operação Lava Jato será o norte para orientar os eleitores na eleição de 2018.

*O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Domingo, 19 Março 2017 14:53

Um bom livro, uma ótima leitura

Nessa angústia na Lava Jato de que vai acontecer e não acontece nada; nesse intervalo entre vai acontecer e não acontece nada com as reformas deste novo governo decidi parar e me dedicar ler o livro “O Futuro Chegou” do escritor Domenico de Masi. E fiz bem ao fazer isso.

Livro de 750 páginas, meio desajeitado para mantê-lo nas mãos durante a leitura, mas a curiosidade em saber um pouco mais sobre a propalada era pós-industrial que segundo Domenico e outros sociólogos já estaríamos vivendo, me encorajou ler a obra toda. A leitura dele foi consumida como uma sobremesa, quanto mais avançava mais queria.

Foi mais uma boa aula acerca da evolução da humanidade desses últimos dez mil anos. Desde o período essencialmente agrícola e pastoril; mais a descrição minuciosa do período industrial que durou duzentos anos, e já acabou, pois agora já estamos vivendo uma nova era, a pós-industrial.

Na página 549 Domenico De Masi me situou e me descreveu: “As novas tecnologias têm agido como teste para colocar em evidência a progressiva dicotomia entre um número decrescente de pessoas que continua a viver conforme modalidades industriais, senão ainda rurais, e um número crescente de pessoas que começa a viver de modo cada vez mais coerente com a cultura pós-moderna. Simplifico chamando de “analógicos” os primeiros e “digitais” os segundos”.

Faltou apenas citar meu nome quando no parágrafo seguinte continuou: “Em princípio, os “analógicos” são mais velhos que os digitais e irão demograficamente desaparecer nos próximos decênios. Não têm facilidade com a informática ...” e vai por aí afora descrevendo como analógicos todos aqueles que estão agarrados com os valores do passado industrial, mas que irão desaparecer para dar lugar aos digitais.

Aproveitei como boa lição de Domenico sua descrição da vida e luta de Karl Marx e de Friedrich Engels – companheiro de Marx por toda sua vida. Os dois fundaram o socialismo científico e em coautoria criaram o Manifesto Comunista. Fiquei com outra opinião acerca da luta de Marx na defesa dos operários durante o período mais tenebroso da era industrial, no começo dela. Continuo com o mesmo pensamento de sempre quanto a utopia dos sonhos de Marx e Engels para implantar o comunismo no mundo todo.

Pela influência que o comunismo teve para grande parte da humanidade e já que entre os sociólogos há certa discordância sobre a data a ser considerada para o fim da era industrial, parece-me justo concordar com os que afirmam ela seja fixada na derrubada do muro de Berlim. Afinal, ali naquele momento da história morreu também o sonho marxista: o comunismo. Ficou provado que ele não é viável como forma de conduzir uma nação, ali também a era industrial começou a dar lugar a pós-industrial.

Na parte final do livro, Domenico se dedica a uma bela dissertação sobre a formação sociológica do povo brasileiro e gostei quando discorda de Stefan Zweig que diz que indígenas não influíram na formação do povo brasileiro: “não existe uma poesia pré-histórica brasileira, nem uma religião brasileira, nem uma música brasileira antiga...; e Domenico replica: “Mas de quem crê Zweig que os brasileiros de hoje tenham herdado sua doçura, brandura e tolerância senão dos progenitores indígenas? Como poderiam tê-la herdado dos portugueses, dos holandeses que abriram caminho com tiros de canhão contra gente desarmada que não conhecia nem a roda?

Realmente é um bom livro e uma ótima leitura.

(Em tempo: Obrigado meus bons amigos Peterson e Carini pelo belo presente: o empolgante livro “O Futuro Chegou” de Domenico De Masi).

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Segunda, 06 Março 2017 07:56

Hora da onça beber água

O Carnaval acabou e a partir desta semana deveríamos, nós brasileiros, iniciar o nosso ano de trabalho. É um dito popular, mas que tem lá seu fundo de verdade não tenho dúvidas.

Também não tenho dúvidas que agora chegou a hora da onça beber água. Ou seja, o presidente Michel Temer precisa aprovar a Reforma da Previdência para tirar o país do atoleiro em que se encontra e seu prazo para isso é curto. Curto porque a Lava Jato avança como um caçador profissional e pode não lhe dar tempo suficiente para isso.

Pior, além do caçador já ter abatido com sua pontaria certeira um bom número de membros do atual governo, ainda ameaça derrubar uma grande parte dos congressistas que o apoiam – o que inviabilizaria a aprovação não somente das Reformas, mas da sobrevivência do próprio governo.

Todos nós sabemos da necessidade na aprovação da Reforma da Previdência. Uma reforma necessária para o Brasil e sabemos que ela vai cutucar vespeiro com vara curta. Mais grave, ela vai mexer com um grande enxame de abelhas e essa colmeia tem, não uma, mas milhares, dezenas de milhares de rainhas que irão brigar até a morte para não ceder seus espaços já conquistados no reino público.

A pressa não é apenas para escapar do caçador profissional e também nem tanto para fechar as contas do país, a pressa que aflige o presidente tem muito a ver com o ano de 2018, pois ele significa eleições; e ele sabe que é somente nisso que a maioria absoluta dos congressistas está de olho, cada um na sua própria reeleição.

Apesar disso tudo, minha fé ainda continua e baseada na capacidade do atual presidente, Michel Temer. Já disse aqui, mas insisto em relembrar que por ter sido três vezes presidente da Câmara dos Deputados e ter presidido por muitos anos um dos maiores partidos do país, o PMDB, o credencia fazer todas as reformas necessárias para nos arrancar do buraco em que os governos populistas nos meteram.

Ainda hoje penso que, sim, ele tem capacidade para fazê-las, pois vi como arregimentou facilmente o número necessário de deputados para aprovar o saneamento das contas do governo no ano passado. Acompanhei as eleições para as presidências, tanto no Senado como na Câmara, já neste ano, onde agora comandam pessoas de sua confiança.

Nessa questão de fé e esperança preciso confessar que ao longo da vida muitas vezes duvidei da existência de Deus, mas sempre que tomei outro caminho diferente, lá na frente dei de cara com Ele e voltei a ter fé.

Assim também tem me acontecido na questão da recuperação econômica do país. Por diversos momentos perdi a fé neste governo; não ao ponto de me incluir na turma dos “Fora Temer” – pois estes representam os bezerros recém desmamados das tetas governamentais.

Mas quando me vejo desanimado fico imaginando o Brasil desgovernado economicamente assim como se encontram hoje os Estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Ou pior, o Brasil desgovernado socialmente como estiveram alguns presídios no começo deste ano. É nesse momento que dou de cara com Deus e coloco fé na única maneira de recuperarmos o país: através das Reformas, especialmente a da Previdência.

Dos ditos populares, o que diz que, para os brasileiros, o ano começa após os Carnaval, não importa tanto agora. Importa mesmo que esta é a hora da onça beber água. Ou seja: o presidente aprova as reformas, ou sai de cena.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Segunda, 06 Fevereiro 2017 13:47

A semana começa com mais esperança

Esta semana começa mais animada e não estou me referindo a ela por conta da proximidade com o Carnaval, mas pelos acontecimentos políticos que, em minha opinião, foram animadores para a economia.

A primeira delas foi a eleição de Eunício de Oliveira para presidente do Senado Federal. Com esta eleição ficou demonstrada a boa liderança do presidente Michel Temer, pois conseguiu emplacar no cargo uma pessoa de sua confiança para aprovar as reformas necessárias e colocar o país novamente nos trilhos do crescimento econômico.

Veja bem, não estou afirmando que o senador Eunício seja um paladino da moral e também tenha mais competência que seu antecessor, Renan Calheiros, para comandar o Senado, mas por enquanto, não aparece tão enrolado em escândalos. Quanto à sua capacidade administrativa ainda não se pode dizer muita coisa porque ele está em seu primeiro mandato – tem apenas dois anos na Casa.

O que importa dizer é que ele está entre aqueles congressistas que conhecem o tamanho da crise em que se encontra o Brasil – agora com 12,3 milhões de desempregados – e sabe que só sairemos dessa crise com as reformas propostas pelo atual governo. Em suma: Eunício está afinado com o Presidente Temer.

Outra notícia animadora foi a eleição de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara dos Deputados. Era disparado o melhor nome daquela meia dúzia que se apresentou para a disputa. Mas o que chamou atenção foi o apoio tácito do Presidente da República – claro, mais as manobras políticas feitas pelo Governo para que ele fosse eleito.

Certamente as primeiras grandes decisões das Reformas serão iniciadas pela Câmara, a Casa do Povo, e Rodrigo Maia é também um defensor delas. Com sua tranquila eleição quem mais saiu fortalecido foi o Presidente Michel Temer.

Por favor, não faça um julgamento errado. Nunca votei em Michel Temer – nem mesmo pra vice-presidente – mas repito o que tenho afirmado outras vezes: Michel Temer é a melhor opção que temos em mãos neste momento para sairmos dessa enrascada que a ex-presidente Dilma Rousseff nos meteu. Além do mais, ele é um dos políticos mais competentes deste país. Por três vezes presidiu a Câmara dos Deputados e conhece todas as carências e manhas dos deputados. Ele sabe da importância em ter o apoio de uma maioria firme especialmente dentro da Câmara dos Deputados.

A nomeação para uma Secretaria de Governo de Wellington Moreira Franco, por exemplo, aos olhos da oposição foi para protegê-lo da Lava Jato, assim como foi a do Lula para Chefe da Casa Civil no Governo Dilma. Pois é; as duas coisas se parecem mesmo. Acontece que Moreira Franco é sogro de Rodrigo Maia que agora preside a Câmara dos Deputados. A intenção de o presidente Michel Temer talvez até tenha sido para protegê-lo, mas penso que foi mais para tê-lo no árduo trabalho de coordenar a aprovação das Reformas na Câmara, apenas isso – Até porque na dinâmica vida dos políticos, ninguém costuma segurar escada pra outro.

Quanto à retomada dos empregos, a meu ver, somente acontecerá quando o país se jogar com toda força na retomada em obras de infraestrutura e para que isso aconteça precisamos apressar as Reformas.

Mas, felizmente, esta semana começa mais animada, pois o caminho está aberto para que cada brasileiro faça sua parte no trabalho de pressionar nossos representantes no Congresso Nacional para aprovarem as Reformas necessárias a fim de sairmos dessa crise em que o Brasil foi jogado.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Segunda, 23 Janeiro 2017 08:18

Que semana, hein?

Que semana esta última, não é mesmo? Três acontecimentos importantes – dois deles brutais para nós brasileiros – mais a posse de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos que embasbacou o mundo todo.

Prato cheio foi apenas para a mídia nacional que ficou pulando de uma desgraça pra outra e depois amenizava fazendo comentários diretos de Washington sobre a posse do presidente americano. A GloboNews e todas suas congêneres passaram os dias e vararam noites adentro ruminando esses três acontecimentos. Foi dose!

As revoltas dentro de presídios mostrando a brutalidade das mortes praticadas entre os próprios presidiários nos mostraram o quanto foram irresponsáveis com esse assunto todos os governos – desde o descobrimento até hoje. Uma vergonha nacional.

Mas pensando bem, essas revoltas dentro das penitenciárias brasileiras fazem parte do nosso problema maior que é o estado amoral – ou imoral mesmo – que está formada hoje grande parte da nossa malha social. Para explicar isso não é necessário ficar me alongando muito com mais palavras, basta olhar para o que vem nos acontecendo na operação Lava Jato: nosso sistema político está podre; a maioria de nossos grupos empresariais está corrompida. E consequentemente de cima para baixo assim está formado o nosso tecido social – ou você pode achar que aconteceu de baixo para cima, tanto faz.

Outra desgraça foi a lamentável morte do ministro Teori Zavascki, mas que não faz parte desse nosso problema maior, pois não acredito ter sido um crime (acredito em acidente mesmo); acredito que fomos apenas vítimas de um infortúnio.

Como disse no último artigo: por favor, consideremos que o ano de 2017 vai começar depois do Carnaval e por conta disso ainda estamos no rescaldo do ano 2016. Assim a gente aguenta melhor toda essa desgraceira que vem desabando sobre o povo brasileiro e reforça nossa esperança que as coisas irão melhorar – após o Carnaval.

Então, vamos pensar que o mundo está mudando. Veja o que acontece lá fora: a tão festejada Primavera Árabe acabou gerando guerras pelo poder na maioria dos países que deveriam, com o fim das tiranias, serem exemplos democráticos. Milhões de pessoas viraram refugiados e inundaram a Europa criando problemas sociais em quase todos os países da Comunidade Europeia.

Muito por conta disso, a Inglaterra, se afasta da Comunidade Europeia (CE) e os ingleses decidem eles mesmos tomar conta de suas vidas e seus negócios. O mundo civilizado começa a se fechar contra a invasão de emigrantes desesperados. Milhões que querem trabalhar – ou apenas sobreviver – e países europeus já não querem mais imigrantes.

Agora os americanos irão se fechar também e quem disse isso foi seu presidente no dia da posse. Donald Trump ganhou sua eleição com discurso de cuidar dos empregos americanos. Isso não significa que será o fim da globalização porque sem mercado consumidor eles não ficam não. Mas que teremos mudanças radicais, isso é verdade; se prepare.

Grandes mudanças já estão acontecendo pelo mundo todo e nós brasileiros estaremos no meio delas e para que estejamos preparados para recebê-las – ou enfrentá-las, sei lá – precisamos concluir o trabalho, e bem feito, da Operação Lava Jato.

A Lava Jato precisa ser a senha para iniciar a recuperação do nosso tecido social e sacramentar a educação de nossas futuras gerações. Só assim estaremos aptos para participar das mudanças que o mundo globalizado requer. Ou começamos agora essa reeducação social tendo como start a Lava Jato, ou, daqui a pouco, a barbárie já iniciada nos presídios irá sair de lá direto para as ruas.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Segunda, 09 Janeiro 2017 16:36

Um Feliz 2017

Que o ano de 2017 seja o da virada para todos os brasileiros! Este é meu desejo ao começar o novo ano. Porém, com minhas desculpas, pois duas coisas desagradáveis que apareceram nesta primeira semana de 2017 serão debitadas a 2016 porque não estou conseguindo aceitá-las como sendo deste ano novo.

A primeira foi o massacre dos presos em Manaus, aliás, os massacres porque houve mais um também com dezenas de mortos em Roraima.

Acordar no dia primeiro de janeiro com uma notícia dessas é muito ruim. Prefiro pensar que ainda seja o rescaldo do ano 2016. Pensando bem, deve ser isso mesmo, porque só há uma coisa pior do que a economia deixada pelo governo de Dilma Rousseff, a situação prisional do país. Essa questão ainda continuará sendo uma tragédia humana por muito tempo e que ninguém espere conserto imediato – ainda mais sabendo que os presídios viraram territórios comandados por facções criminosas.

O sociólogo Darci Ribeiro, fundador da Universidade de Brasília e membro da Academia Brasileira de Letras prognosticou em 1982: “Se os governadores não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”. A previsão dele deu errada porque o brasileiro é bonzinho e aguentou não 20, mas 35 anos.

A segunda coisa ruim desta primeira semana foi saber que uma escola de samba do Rio de Janeiro, a Imperatriz Leopoldinense, vai desfilar na Sapucaí anunciando tema relacionado com a “demonização do agricultor” que “exploram indígenas”, “usam agrotóxicos” – como explica Dirceu Gassen, professor e membro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável.

A agricultura no Brasil é a principal força propulsora nesta fase ruim da economia nacional, não é justo demonizar os produtores rurais. Dirceu Gassen lembra que o Carnaval tem origem na alimentação farta, na bebida, na diversão e nos prazeres. Diz aos que apreciam a cerveja no carnaval, precisam lembrar que a bebida tem origem na cevada produzida por um agricultor que plantou a semente, cultivou, protegeu contra pragas e doenças que lembrem que o agricultor ficará apenas com 0,72% dos R$ 5,00 de uma latinha de cerveja consumida por um folião. Os R$ 4,96 restantes ficam com o governo e os comerciantes.

No começo do governo Lula, no ano de 2004, a esquerda representada pela ministra Marina Silva tentou proibir o plantio de sementes de soja transgênicas no Brasil. Fiz críticas aqui neste espaço à atitude errada dos petistas tentando frear, inclusive, pesquisas da Embrapa com essa finalidade. A Embrapa teve que obedecer, pois era – e ainda é – um órgão do governo federal, mas os agricultores, não.

Lembro que o então governador do Paraná, Roberto Requião, político ligado à esquerda, numa atitude insensata, bem ao seu temperamento explosivo, proibiu a exportação de soja transgênica pelo porto de Paranaguá, causando sérios prejuízos aos produtores rurais.

Hoje nem se pergunta quanto se planta de soja transgênica porque isso não tem mais importância. A esquerda esqueceu esse assunto, mas continua atacando os produtores rurais e o agronegócio. É o “nós” contra “eles”, coisa criada por Lula.

Quanto à escola de samba Imperatriz Leopoldinense, penso que é puro desconhecimento da realidade. O que não causa espanto porque carnavalescos não têm muito a ver com agricultura, pecuária e mesmo o agronegócio.

Para completar, é bom lembrar que na abertura da Olimpíada de 2016 os agricultores não foram sequer lembrados pelo seu esforço na construção do Brasil; nem mesmo os colonizadores europeus que vieram para substituir os escravos – estes, sim, muito bem lembrados.

Então, um Feliz ano de 2017 – que aqui sempre começa depois do Carnaval.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Segunda, 26 Dezembro 2016 07:57

Precisamos sair desta enrascada

Por ser o último artigo do ano, a regra geral recomenda comentar os grandes acontecimentos neste difícil ano de 2016. Ou melhor: fazer uma retrospectiva do que ocorreu conosco e com nosso Brasil. Mas é melhor, não. Deixemos de lado as coisas ruins e vamos apoiar as coisas boas que aconteceram a fim de sairmos dessa enrascada.

As pesquisas dizem que o presidente Michel Temer anda muito mal na opinião da maioria dos brasileiros. Está com 70% de rejeição. Mas gente! Como já disse aqui outras vezes: é o que temos pro momento! Essa história de nova eleição indireta feita pelo Congresso como manda nossa Constituição para substituir Michel Temer na Presidência é perda de tempo, pois a quase totalidade dos atuais políticos competentes estariam impedidos de ser eleitos.

Michel Temer está enrolado na Lava-Jato? Sim, como praticamente todos os políticos com mandato, mas isso não significa que seja culpado, pois ainda não foi sequer denunciado.

Então, Michel Temer tem o direito – e a obrigação também – de governar o Brasil e em minha opinião está indo bem. Ele já aprovou a PEC dos gastos públicos, uma reforma necessária para conter os crescentes gastos com despesas correntes, sem isso o Brasil iria quebrar de vez, assim como aconteceu com o Estado do Rio Grande do sul e o Rio de Janeiro – que já não conseguem pagar os salários dos seu funcionários.

Tem mais: Michel Temer aprovou na Câmara dos Deputados a Medida Provisória para o Ensino Médio apesar da violenta pressão dos sindicatos dos professores que, mesmo vendo que o Brasil tem uma das piores avaliações no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) se opõem às reformas do ensino, tão necessárias.

Com outra MP, Medida Provisória, Temer colocou ordem na Eletrobrás salvando-a de um desastre financeiro feito pela ex-presidente Dilma Rousseff. Na Petrobras aconteceu o mesmo desobrigando-a de participar de todos os leilões na exploração no pré-sal. Agora suas ações já valem 3 vezes mais.

Talvez o maior feito do presidente Temer – e que a maioria dos brasileiros ainda não se apercebeu – foi a ajuda aos Estados para pagar despesas neste final de ano com parte do imposto sobre a legalização de recursos no exterior. Para receber esse dinheiro os Estados têm que aprovar plano de contenção de despesas futuras. E o plano necessita ser aprovado na Fazenda Nacional – Penso que com isso os governadores terão como enfrentar o corporativismo dos funcionários públicos e encerrar a farra dos gastos nos Estados.

Michel Temer já mandou ao Congresso Nacional uma proposta para a Reforma da Previdência. Sem essa reforma o país não conseguirá equilibrar suas contas e apesar de saber das dificuldades para sua aprovação, este mérito é dele porque nenhum outro presidente atreveu-se a enfrentar o problema. Assim como nenhum antes tentou melhorar a caquética CLT. Temer está propondo boas alterações a fim de aumentar a contratação de novos empregados.

Tudo isso com pouco mais de quatro meses! Agora pare e pense: tem alguém melhor que Michel Temer para levar o país até 2019? Seja sincero e reconheça que o melhor que temos para o momento é ele mesmo. Outras opções quaisquer que sejam serão piores.

Desculpe-me, mas essa questão me leva à mesma resposta de uma queixa que estive fazendo ao médico geriatra quando lhe disse que ficar velho era difícil e ele me respondeu que a outra opção seria pior. É mesmo...e tive de concordar.

Sendo assim, a melhor ajuda que podemos dar é apoiarmos as coisas boas que aconteceram até aqui com Michel Temer para sairmos logo desta enroscada.

Um FELIZ 2017 a todos!

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Segunda, 12 Dezembro 2016 07:57

Uma travessia difícil

Difícil; muito difícil para nós brasileiros acharmos uma boa solução para cada um dos tantos problemas que precisamos enfrentar. Estamos assim: sem saber por onde começar.

Pra piorar as coisas, o imbróglio da semana passada entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, nos mostrou que além de estarmos no fundo do poço, o balde quase caiu sobre nossa cabeça.

Veja isso: faltando poucos dias para o recesso do Congresso e consequentemente o término do mandato do presidente do Senado Federal o ministro Marco Aurélio Mello do STF ordenou o afastamento do senador Renan Calheiros tanto da presidência do Senado quanto da linha sucessória da Presidência da República. Por que fez isso? Por que cutucar onça ferida? Até hoje ainda não entendi o porquê disso.

A reação foi imediata e não apenas do presidente do Senado, mas dos demais senadores que apoiaram Renan quando ele se negou a assinar a intimação.

Minha opinião para esse caso é a mesma do jornalista Demétrio Magnoli de que um princípio básico tem que ser observado: “somente os eleitos têm a prerrogativa de dispor do mandato dos eleitos”. Outro jornalista, Reinaldo Azevedo, foi na mesma linha ao alertar o ministro Marco Aurélio Mello que para fazê-lo, antes disso, teria o dever de renunciar à toga e de disputar eleições.

Mas não foi baseado nesse princípio que fez o Plenário do Supremo reformar a sentença e fazer “uma meia-sola” à decisão do ministro Marco Aurélio Mello; foi uma negociação entre os Poderes e intermediada justamente pelo vice-presidente, senador Jorge Viana – que assumiria a Presidência do Senado em caso do afastamento de Renan – e a presidente do STF, ministra Cármem Lúcia.

Veja bem: tramita no Senado uma PEC (que limita os gastos da União) e precisa ser aprovada ainda neste ano e com Renan como presidente a sua aprovação estaria acertada, mas certamente não aconteceria se a Presidência caísse nas mãos do Vice que é petista – você está vendo a oposição ferrenha que o PT faz ao governo de Michel Temer, por isso, nem é preciso explicar tanto, acredito.

Superado esse imbróglio agora precisamos torcer pela aprovação da PEC que limita os gastos e iniciarmos a discussão da Reforma da Previdência que, essa sim, se bem feita poderá recolocar o Brasil na trilha do crescimento novamente.

Para os que não acreditam na gravidade dessa crise e também para aqueles que ainda insistem em dizer que o atual governo vai acabar com a saúde e educação é bom que reparem na questão financeira dos Estados brasileiros que já não conseguem pagar seus funcionários. Atentem para o aumento da criminalidade, um reflexo da falta de empregos, pois cria o desespero nas pessoas.

Se a grande maioria se conscientizar da necessidade de que o país se ajuste financeira e economicamente como os demais países no mundo, então, não tem tanta importância que uma minoria seja contrária e faça, inclusive, estardalhaços e gritaria contra o governo.

O Brasil desmoronou e precisa ser construído novamente. A limpeza dos escombros está sendo feita pela Lava Jato que vai preparar uma nova geração de políticos desligados do próprio umbigo e voltados para as causas comuns.

Ainda temos quase dois anos para fazer as reformas necessárias e deixar o país pronto para recuperar a economia e criar muitos empregos, coisa que somente irá acontecer quando forem iniciadas as obras de infra-estrutura.

Difícil; sim, muito difícil. É como atravessar o Mar Vermelho. Depois ainda teremos a travessia do deserto.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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Segunda, 28 Novembro 2016 16:04

Taxi x Uber

Você deve estar acompanhando a briga entre os taxistas e operadores do Uber – a empresa multinacional norte-americana prestadora de serviços eletrônicos na área do transporte privado urbano e que oferece um serviço semelhante ao táxi tradicional.

Pois é, se você ficou acompanhando meio de longe e sem tomar partido nessa disputa, como aconteceu comigo, então, você também continuou a usar somente os táxis tradicionais como eu.

Porém, como agora o Uber já opera nas maiores capitais brasileiras e, inclusive, avança em grandes cidades como Campinas, Londrina e outras, me parece que seus serviços serão legalizados em todos os municípios brasileiros. Assim, resolvi usar o serviço do Uber para conhecer e testar essa novidade.

Conhecer foi fácil: com ajuda de um desses jovens que sabem tudo dos celulares; ele baixou o aplicativo, registrou-me no serviço fornecendo meu cartão de crédito e depois chamei meu primeiro serviço Uber. Enquanto o jovem instrutor me mostrava as várias opções sobre o uso do aplicativo, o celular despertou. A ligação era do motorista do Uber me chamando pelo nome e dizendo que estava a 4 minutos de distância.

Essa primeira corrida com um Uber a fiz na cidade de Curitiba, do Bacacheri para o centro; onde sempre me hospedo na cidade. A surpresa não ficou apenas nas boas condições do automóvel, bem limpo, com água e balinhas a disposição; foi com o preço, R$ 18,48. Nesse trajeto sempre paguei uns R$ 30, num táxi comum.

Ao chegar ao destino, o motorista disse que a conta já estava debitada no meu cartão de crédito – dei-lhe uma boa gorjeta, pois merecia.

No dia seguinte chamei o serviço do Uber eu mesmo, agora sem a ajuda de um “universitário”. Do hotel, no Centro de Curitiba até o Batel, o débito no cartão foi de R$ 9,73. Na volta fiz questão de telefonar para um serviço de táxi comum e voltei para o hotel. A corrida me custou R$ 15, mas o táxi também estava bem cuidado e a motorista – sim, era uma senhora que revezava com o marido no uso do táxi – reconheceu que precisaram comprar um carro novo para enfrentar a concorrente Uber.

Somente o carro novo não, pensei eu; eles tiveram que mudar a maneira de tratar os passageiros com mais atenção; manterem-se bem vestidos; deixando água a disposição; um jornal do dia e outras “cositas más” como a cobrança direta no cartão de crédito. Mais: baixar os preços que no fundo, no fundo mesmo, esse é o motivo principal da briga dos taxistas com motoristas do Uber.

Se você indagar aos motoristas do Uber quais as dificuldades que encontram - já que em algumas cidades existem resistências ao serviço, seja pelo poder publico, seja com os taxistas, você vai ouvir histórias interessantes.

Um dos motoristas disse que sua história de vida se assemelha a de muitos outros. Ele é engenheiro agrônomo aposentado e estava dispondo apenas de sua aposentadoria, em torno de mil reais, mais alguns bicos eventuais para sobreviver.

Começou a operar com o serviço Uber num carro alugado no início de 2016 e já consegue pagar o financiamento de um bom carro para continuar operando.

Agora que a Prefeitura de São Paulo legalizou os serviços do Uber cobrando uma taxa de R$0,10 por quilômetro rodado – sem poder descontar do motorista, essa briga entre taxistas e motoristas do Uber irá se transformar numa saudável disputa por melhores serviços no transporte público. A livre concorrência fez isso.

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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