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Domingo, 17 Abril 2011 14:03

É só oportunismo

Não adianta, já virou clichê. Sempre que acontece algum desastre aqui no país, alguns políticos não perdem a mania, aproveitam da comoção nacional e tascam uma ridícula proposta eleitoreira.

Se não é oportunismo o que justificaria, então, o fato de o senador José Sarney estar sugerindo uma nova proposta de desarmamento no país? Mas logo ele que é presidente do Senado Federal e até já foi presidente da República?

Se essa proposta tivesse partido de algum senador ou deputado federal do baixo clero, ainda vá lá, a gente perdoaria. Mas partiu do presidente do Senado Federal, uma das Casas em que deverá tramitar o projeto para sua aprovação.

Pra quê suscitar novamente essa questão se não faz muito tempo os brasileiros já foram consultados em 2005 na forma de um referendo? Agora o senador quer um plebiscito e por que se 64% dos brasileiros já disseram não ao desarmamento? Aquele referendo custou ao país 250 milhões de reais. E parece que o próprio presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski, desconhece o quanto foi gasto para realizar aquele referendo, pois também aparece como favorável ao plebiscito.

Por que o senador Sarney não propôs numa de suas emendas ao Orçamento Federal uma verba de 250 milhões para desarmar os bandidos? Sim, porque uma nova lei que obrigue o desarmamento na verdade irá desarmar o cidadão honesto, mas não irá desarmar o criminoso.

Apesar de a Wikipédia dizer que a palavra referendo poderia ser tomada como sinônimo de plebiscito, na verdade ela explica bem que um plebiscito é quando o povo é convocado ANTES para saber se quer uma norma nova (lei). Num referendo o povo é convocado DEPOIS de uma lei feita para se saber se o povo a aprova, ou não.

Em 23 de dezembro de 2003 foi aprovada pelo Congresso Nacional a Lei 10826 que tratava do desarmamento no Brasil. Dois anos depois, em 23 de outubro de 2005, fez-se um referendo nacional e os brasileiros (64%) disseram NÃO a essa lei (10826) do desarmamento. Fica claro, então, que aquele referendo tem mais força que um novo plebiscito. Naquele referendo os brasileiros já disseram que não queriam a lei do desarmamento por que iriam dar agora uma nova autorização (plebiscito) para ser criada uma nova lei de desarmamento?

Não tenho arma de fogo; não uso arma alguma, mas confesso que usaria, sim, em caso de necessidade. Quero ter o direito de me defender dentro do que a Lei me permite. Não quero e nem posso depender exclusivamente das autoridades para garantir minha integridade e a dos meus familiares.

O desarmamento já é muito bem feito nas pessoas honestas aqui no país. Fui obrigado a entregar meu canivete suíço ao passar em raios-X num embarque em aeroporto – uma verdadeira maravilha, até cortador de unhas e abridor de garrafas ele tinha. Minha esposa já não faz mais contas de quantas tesourinhas de cortar unhas já deixou nos aeroportos.

São tantas as exigências para se legalizar uma arma de fogo que fica muito fácil a todo policial desarmar qualquer cidadão que ele suspeite. Simplesmente porque é impraticável ter à mão todos os documentos necessários para se andar armado na rua. Fique esperto, então, não entre nessa de plebiscito para o desarmamento, é coisa de político oportunista.

O autor é membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.

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