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Quinta, 03 Junho 2021 16:34

Tragédia ambiental Destaque

Escrito por ERMINIO GUEDES
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Acordei aos problemas ambientais no debate sobre agrotóxicos e no insuportável cheiro de “repolho azedo” da fábrica de celulose de Guaíba – RS, na década de 70. Era a festa dos venenos clorados, com efeitos acumulativos, no ambiente e no organismo animal e o odor fétido da Borregaard. Esses “inimigos públicos” invadiam os lares e os pulmões da população. Ainda hoje, mães amamentam crianças com resíduos clorados no leite, como identificou a Universidade Federal do Mato Grosso. O que falar dos atuais?

A Borregaard & outras, foram convidadas oficiais da ditadura militar - “venham poluir aqui”. Era o auge da Revolução Verde “poluindo o meio ambiente e consumindo a natureza”, para a economia crescer. Nas décadas 70/90 o País foi incendiado na ampliação da fronteira agrícola. Nos anos 90 o Cerrado já havia perdido mais de 900 mil km2, equivalente a 3 Mato Grosso do Sul e atingido o berço das águas e rica biodiversidade do Bioma. Seria o exterminador do futuro, em resíduos químicos e fumaça das queimadas?

José Lutzenberger, engenheiro agrônomo abandona bem-sucedida carreira em empresa química Alemã e ingressa na Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (AGAPAN), onde se tornaria em crítico feroz aos modelos insustentáveis de produção e consumo, da sociedade contemporânea. Era o prenúncio de luta combativa aos problemas ambientais, em inédito processo de revisão dos métodos produtivos, que viria no movimento da resistência ecológica do Brasil.

Evidências sempre negadas, hoje têm prova científica. O que era “lenda” virou verdade. O negado desmatamento e queimadas, hoje é efeito estufa, falta de chuvas e excesso de catástrofes climáticas, aqui e lá fora. A prova é o Pantanal e as hidroelétricas sem água. A negligenciada poluição ambiental nos trouxe o Aedes aegypti e agora a Covid – 19, como prova do desequilíbrio e do devaneio humano.

Respeito muito pessoas que, em determinado momento acordam no reconstrutivismo. Lutzenberger foi isso, viu o que fazia errado na “agroquímica” e resolveu mudar. Voltou-se à razão na ecologia e no combate de processos produtivos insustentáveis.

Falo do movimento e do ambientalista Lutzenberger, para homenagear o Dia Internacional do Meio Ambiente (5 de junho) e chamar a atenção aos problemas ambientais e à importância dos recursos naturais. Lideranças, governantes, empresários e a população, precisam entender que podem trabalhar com a natureza, ao invés de sempre opor-se a ela, para acumular. O Brasil ainda não sabe dos ganhos verdes, na economia e na saúde, para parar de destruir o maior patrimônio ambiental do planeta.

O ambientalista Lutzenberger foi resistência na época de chumbo. Foi dele a conclusão retumbante – “nossos processos produtivos são insustentáveis, isto é, consomem mais energia na produção do que geram nos produtos finais e, por isso, precisam de recursos naturais para se manterem. Ministro do Meio Ambiente, realizou a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, em junho de 1992, com mais de 100 chefes de estado no debate do desenvolvimento sustentável. Na ocasião, nasceu a Agenda 21 da ONU, quando profetizou: “Está claro que a espécie humana não poderá continuar por muito tempo na sua cegueira ambiental e com a sua falta de escrúpulo na exploração da natureza”.

A revolução verde faliu, no fim no século passado e deixou um monumental passivo ambiental. Em seu lugar o neoliberalismo econômico, mas sem sinal de mudar, mas prosseguir a rapinagem ambiental para sustentar a economia, em processos insustentáveis.

O neoliberalismo é a crise socioambiental, cultural, econômica e política, que temos. Consumo da natureza, centração da renda e desigualdades sociais, sinônimos de pobreza e a fome, aqui e lá fora. Desmatamento e queimadas crescentes, matriz energética desgovernada e cidades desumanas, alimentam a iminência de colapso climático.

Em época de negação, raposa cuida do galinheiro. Pela primeira vez o País tem política anti-ambientalista e ministro “passando a boiada” inclusive em contrabando de madeira, ora na investigação Policial. As digitais estariam em revogações normativas, de combate ao crime; servidores exonerados; pessoas nomeadas em facilitações fraudulentas; e movimentações financeiras suspeitas. O STF (min. Carmem Lúcia) autorizou inquérito contra o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. Essas são evidências, de esquema criminoso, segundo provas da Polícia Federal. Um escabroso escândalo!

Um olhar local, também, permite ver sérios problemas ambientais em Dourados, que repercutem na saúde da população. Longe se ser prioridade, apesar da importância na prevenção em saúde, a política ambiental é desastrosa. Atuação cartorial não previne o caos urbano, em lixões abertos em ruas e logradouros, denotando faltar educação à população e ausência pública. O meio rural, com raras exceções, tem problemas em áreas protegidas.

Dourados necessita, com urgência, de educação em saúde ambiental e do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), para prevenção em saúde e orientar o uso do espaço territorial, conforme determina a lei. Mas, a prevenção parece relegada ao plano inferior. Seria falta de conhecimento ou atitude deliberada?

Plantamos errado, excesso de árvores exóticas e falta de nativas. Onde estaria o horto florestal nativo? Quantas arvores nativas, quantos parques e APPs? Árvore é saúde, no ar que respiramos, na melhor umidade relativa e temperatura mais saudável. Árvore é, também, fábrica de água que faz chover e bebemos. Sem árvores não haverá vida. A Organização Mundial da Saúde recomenda 1 árvore urbana per capita, ou 12 m2 de área verde per capita. Dourados deveria ter 220 mil árvores adultas ou 140 há de área verde (floresta), para haver saúde ambiental.

Criminosos ambientais sentem nas chamas subindo ao céu, forças para destruir tudo e o governo assiste como Nero, tocando sua lira, em satisfação sarcástica e delirante, assistindo as chamas consumirem Roma.

Urgente renascer poderes de uma fênix adormecida, na consciência social e fazer das cinzas o cimento da reconstrução, em plantio de novo arvoredo, para diminuir mortes e o sofrimento de milhares de seres indefesos da biodiversidade. Para buscar a felicidade!
- Pensem nisso!

* É Engenheiro Agrônomo, consultor

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