Quarta, 05 Maio 2021 13:25

De repente, ainda não vi tudo Destaque

Escrito por ERMÍNIO GUEDES
Avalie este item
(0 votos)

Andei bastante e já vi coisas incríveis, mas ainda não vi tudo. Quando acho que vi, a surpresa desconcertante e o olhar precisa ser renovado. Nada é definitivo e tudo pode mudar, em significados ocultos vindos nas profundezas da alma humana. O crepúsculo da madrugada mais enigmático, o sorriso da lua mais bonito e o bailado do beija-flor mais estonteante. O comportamento humano, bem este é como as cores do anoitecer, imprevisível em simbolismos inaparentes da sociedade contemporânea.

A utopia humana de achar que pode alcançar o fim, como última dimensão da conquista, é um engano. A nossa finitude depende do que vemos e sentimos e quanto mais vemos, mais temos para enxergar. Tem pessoas sem visão que, na linguagem popular, não enxergam o que está na frente do nariz.

– Olhe na volta a natureza mudando a cada instante, a descoberta espetacular nunca imaginada, um homem comum abraçado em ressentimentos explosivos.

De repente tudo muda – o que era consenso, vira discórdia e o que unia, divide. A propósito, Giuliano Da Empoli, escreveu no Livro – Engenheiros do caos - “o jogo não consiste mais em unir as pessoas em torno de um denominador comum, ao contrário, em inflamar paixões para dividir e unir nos extremos”.

De repente, absurdos, contra o bom senso, a ciência e aos mais esclarecidos. Nunca esperado, chega ao poder homem que passou a vida uivando à lua, descabelado contra tudo e todos, sem que ninguém lhe desse bola.

De repente, iminência de escuridão. Para fechar o STF bastaria um cabo e um soldado. A intolerância à democracia respira enxofre da ditadura – no AI-5, para o dia virar noite e a noite, tempestade. Coisa encaixada em psicopatas. “A psicopatia não é uma loucura, mas insanidade moral, um desvio de caráter de quem não tem como se retificar porque não sente culpa ou remorso”. “Não têm empatia em relação ao outro, o que lhes interessa é o que lhes convém”. Enxerga o outro apenas como utilidade aos seus objetivos.

De repente, “o caldinho cultural” do Brasil inclui a “indolência” dos indígenas e a “malandragem” dos negros africanos. O movimento negro vira "escória maldita" e o pescador condenado a “morrer para salvar a pesca”. Para o marinheiro, se o capitão coloca a tripulação em risco para salvar a pesca, o único jeito é se rebelar contra ele. O capitão passa, o barco fica, outra pescaria pode ser feita e bons peixes podem ser pescados.

– No mar, vi mais capitães serem desembarcados pelo bem do navio e da tripulação, do que afogados na honra.

– O netinho curioso, pergunta, então o senhor viu capitão ser demitido?

- Sim, respondo. Pelos donos dos navios ou por pressão da tripulação.

- Esclareço - um capitão, depois de séculos de ciências náuticas, deve ser esclarecido, informado, ponderado, com espírito agudo em antecipar e tomar decisões sábias. Não pode mentir, nem enganar e precisa agregar. Nas horas difíceis, o capitão une todos em torno de si. Quando os subordinados sofrem, o capitão sente a dor deles como se fosse sua.

De repente, feminicídio e crianças assassinadas em casa e na escola. Algo inaceitável a matança de crianças por motivos torpes. Igualmente, desprezível o congresso nacional fazendo leis para proteger irregularidades, sua e dos amigos. O covidário está em avaliação. Seriam sofrimentos inevitáveis?

- Só a educação pode mudar, nos dando azas para voar com visão de águia e ver o caleidoscópio do darwinismo social.

Surpresa, homem “sonolento” que se deixou encantar pela sensibilidade do pensamento e pela acolhedora postura. Depois de grosseira negação obscurantista, uma revolução silenciosa em transformar o Estado no pilar da democracia e do humanismo. O conservador “Le Figaro” atesta: Após décadas de políticas republicanas e democratas favorecendo o setor privado e os mercados, em detrimento do público, Biden mudou a abordagem”.

- Os republicanos estão enlouquecidos. Biden incluiu os mais fracos no orçamento e os mais ricos no pagamento da conta, com mais impostos sobre o capital.

De repente, depois do coma, homem acorda assustado e pergunta: o que houve? A democracia está em perigo nos dentes do extremismo? A tolerância já não figura como ideal de vida. Algo falhou? O antropólogo Roberto DaMatta, talvez o nosso maior em vida, diz que o Brasil se define em grande parte no extremismo - “você sabe com quem está falando?”

- Triste e fuliginosa época nos leva a conclusão que nada sabemos e que temos muito de apreender.

Seria a descoberta da pouca sabedoria? Seria a verdade atentando o espirito em provocação indignada à razão? Thomas Paine escreveu - “discutir com homem que renunciou à razão é como medicar um cadáver”.

Mas, nem tudo está perdido e o conhecimento pode nos levar a descobertas fantásticas.

- Grito com alegria - teremos água limpa, enquanto a floresta viver! Um oceano subterrâneo, com perto de 160 trilhões de m3 de água doce, foi descoberto na Amazônia, quando o mundo está com sede. O depósito é 3,5 vezes maior que o Aquífero Guarani, encravado nos territórios do Uruguai, Argentina, Paraguai e Brasil.

- Então, onde estamos errando? Como evitar o caos?

- Como inovar em soluções criativas e sustentáveis?

- Pensem nisso!

* É Engenheiro Agrônomo, consultor

Lido 289 vezes
Mais nesta categoria: « Golpismo e autogolpe TST: Princípio da instrumentalidade »

1 Comentário