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Domingo, 20 Maio 2018 08:51

OPINIÃO: Uma zona chamada Expoagro

Escrito por Marcos Santos

O temporal que atingiu o Parque de Exposições João Humberto de Carvalho na noite de sexta-feira serviu para mostrar que a atual direção do Sindicato Rural de Dourados está perdida no desafio de organizar uma feira deste porte. Ainda que a chuva possa ser considerada uma ocorrência de força maior, a Sato Comunicação, empresa que pelo segundo ano tomou a frente da organização da Exposição Agropecuária e Industrial de Dourados (Expoagro), mostrou que todo know-how que vende para os eventos de Mato Grosso do Sul é apenas de fachada.

Incompetente em todos os setores, a Sato deu mais uma prova de arrogância e incapacidade ao não conseguir organizar, nem mesmo, o estacionamento e a segurança do Parque de Exposições. Foi uma vergonha! Como recebe dinheiro público dos governos municipal, estadual e federal, o que se viu neste ano na Expoagro é digno de investigação por parte do Ministério Público Estadual.

Como arrogância pouca é bobagem, tanto a Sato Comunicação (empresa de Campo Grande que não gera um único emprego em Dourados) quanto a direção do Sindicato Rural preferiram alijar os jornalistas da Expoagro 2018. A estratégia foi limitar ao máximo o credenciamento da imprensa para impedir que as aberrações da Expoagro fossem mostradas à sociedade. A leitura do presidente Lúcio Damália é que o Sindicato Rural não precisa tratar jornalistas com respeito e nem credenciar todos os veículos de comunicação porque a Expoagro é, por si só, notícia para esses veículos. Pura arrogância!

Quem chegou para o show de Jorge e Matheus na noite de sexta-feira, por exemplo, foi obrigado a ficar mais de hora no interior do veículo até que o pessoal do estacionamento apontasse uma vaga. Detalhe: o estacionamento foi pago e custou R$ 30,00 por veículo e ainda assim dezenas de carros ficaram atolados.

Como incompetência nunca é demais, a Sato também contratou uma empresa de segurança que tratou o público como “gado”, dando empurrões em consumidores que pagaram para ter acesso às áreas mais caras e com funcionários que demonstraram um profundo complexo de autoridade, chegando ao ponto de impor constrangimento aos consumidores e aplicar uma autoridade que não tinham.

Já os organizadores do show da dupla Jorge e Matheus deixaram muito a desejar. É fato que a chuva foi sazonal, imprevisível e muito intensa, mas é justamente nessa hora que os organizadores devem se preocupar com o público. Isso não aconteceu em momento algum. Quem pagou em torno de R$ 100 à 200 para ter acesso ao camarote e chegou depois do temporal, não encontrou funcionários responsáveis por entregar as pulseiras que garantiriam acesso ao local. O show começou às 2h e quase não aconteceu.

Além de pagar caro, o consumidor foi obrigado a fazer uma verdadeira via crucis para ver respeitado o seu direito de acessar uma cara área pela qual pagou. Não adiantava apresentar o convite tipo camarote aos seguranças da Expoagro. Sem pulseira não entrava e como não tinha quem entregasse a tal pulseira, o caos se instalou, já que após o temporal as barracas montadas para o receptivo do público foram, simplesmente, abandonadas.

Quem precisava comprar tickets de bebida não encontrava ponto de venda no camarote. Tinha que descer e enfrentar uma longa fila na chuva, já que apenas um caixa vendia os tickets, para desespero de milhares de pessoas que estavam na chama área nobre. Ademais, quem optou em adquirir por R$ 5 um cartão e incluiu crédito, era obrigado a gastar todo valor porque a organização se negava a devolver o que sobrava de crédito. Choveu no Parque de Exposição e também choveu reclamação nas redes sociais, sobretudo no Facebook e WhattsApp, relatando o descaso do Sindicato Rural com o público que tem financiado a festa agropecuária.

O vendaval levou parte da cobertura dos camarotes que custou até R$ 130 por pessoa e, nem mesmo pagando tão caro, os consumidores tiveram atenção dos organizadores, da direção do Sindicato Rural ou da Sato Comunicação. Quem ficou na pista coberta sofreu com o rompimento de parte da cobertura, que despejou uma piscina de água sobre o público. Mais uma vez os organizadores não se prontificaram a atender o público.

Quem sempre trabalhou na cobertura da Exposição Agropecuária e Industrial de Dourados não escondeu a decepção com a atual direção do Sindicato Rural e lembrou dos tempos em que jornalista era tratado com respeito, sobretudo nas gestões de Gino Ferreira, Issao Iguma Filho e Marisvaldo Zeuli. A atual direção descrimina veículos e jornalistas, alegando que os profissionais de comunicação querem apenas ingresso de graça. Um absurdo!

Até mesmo a Casa da Imprensa, inaugurada na gestão anterior, foi desativada pelo atual presidente Lúcio Damália. Na visão do plantador de soja, jornalista não merece respeito, tanto que a placa em homenagem ao saudoso jornalista Cláudio Xavier, que deu nome à Casa da Imprensa, foi arrancada e jogada no lixo. Com essa prática nefasta, mercantilista e discriminatória, a atual diretoria do Sindicato Rural pode até atingir as metas previstas para a Expoagro 2018, mas sofrerá para arrecadar uns trocados em 2019. Ou contrata gente competente para organizar a feira e os shows, resgatando a boa convivência e respeito aos jornalistas da Grande Dourados, ou amargará resultados negativos nas edições futuras, pelo menos até que outra diretoria seja eleita para comandar o Sindicato Rural de Dourados.

(*) O autor é Jornalista e Editor do jornal Gazeta do Campo

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