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Segunda, 17 Abril 2017 10:12

Ferrari venceu no Bahrein seguindo estratégia, pneu 'amigo' e pit stop rival lento

Escrito por GloboEsporte
Pilotos da Mercedes tiveram problemas com pressão nos pneus Pilotos da Mercedes tiveram problemas com pressão nos pneus Getty Images

Em Sochi, na Rússia, dia 30, quarta etapa do campeonato, será a vez de Lewis Hamilton, da Mercedes, vencer e Sebastian Vettel, Ferrari, chegar em segundo. É o que se pode depreender da sistemática de resultados no início do campeonato.

Neste domingo Vettel celebrou a vitória no GP de Bahrein e Hamilton ficou em segundo. Na prova anterior, dia 9, na China, aconteceu o contrário, Hamilton ganhou com Vettel em segundo. E na abertura do mundial, dia 26, na Austrália, o alemão da Ferrari deu a largada para essa disputa tão particular quanto emocionante, ao levar o modelo SF70H italiano ao primeiro lugar e deixar Hamilton e seu W08 Hybrid em segundo.

O placar está 2 a 1 para Vettel. E na classificação do campeonato o tetracampeão do mundo da Ferrari soma 68 pontos diante de 61 do piloto da Mercedes, dono de três títulos. É um combate de pesos pesados. Há no ringue sete mundiais. Entre as duas equipes a luta é igualmente feroz. Os italianos têm 102 pontos enquanto os alemães, 99.

A dinâmica das 57 voltas no Circuito de Sakhir, neste domingo, nos faz pensar, primeiro, como Vettel, terceiro no grid, conseguiu reverter o quase meio segundo de desvantagem (478 milésimos) para Valtteri Bottas, da Mercedes, o pole position, para uma vantagem de 6s660 para Hamilton na bandeirada.

Há mais: depois do treino livre de sexta-feira à tarde, os tempos de volta de Vettel e seu companheiro, Kimi Raikkonen, eram piores na simulação de corrida em relação aos de Hamilton e Bottas, com os mesmos pneus, primeiro supermacios e depois macios.

A Pirelli distribuiu no GP de Bahrein os pneus supermacios, macios e médios.

Como explicar

Foi a pergunta que o GloboEsporte.com fez a Vettel na coletiva da FIA depois da cerimônia do pódio, num dos autódromos mais bonitos da temporada.

“Sexta-feira eu não estava satisfeito com o carro. Nós mudamos o acerto para o sábado e senti uma melhora. Disse que se me mantivesse naquela forma eu poderia disputar uma boa corrida. Hoje, depois de algumas voltas, senti que a minha impressão fazia mesmo sentido, eu estava no câmbio de Valtteri (encostado na traseira) por toda a primeira série de voltas. Ficou óbvio que estávamos de fato muito bem. Esse ritmo forte foi decisivo para vencermos aqui (Bahrein).”

Mas não foi só a surpreendente velocidade da Ferrari na corrida que levou Vettel à vitória. Houve mais. O piloto explicou.

“A largada, sem dúvida. Foi crucial ter me inserido entre eles.” Vettel ocupava o terceiro lugar no grid, atrás dos dois pilotos da Mercedes na primeira fila, Bottas e Hamilton. Na primeira curva o alemão assumiu o segundo lugar ao ganhar a posição de Hamilton. “Decisivo porque isso não os permitiu impor seu ritmo, ir embora, fazer sua corrida. Devo tê-los aborrecido um pouco.”

Assim como na etapa de Xangai o safety car jogou a favor dos pilotos da Mercedes, pois fizeram o pit stop no regime de safety car enquanto Vettel não. Mas mesmo com essa grande vantagem proporcionada pelos acontecimentos da corrida nem Bottas nem Hamilton venceram. Vale explicar.

Vettel, segundo colocado, a 653 milésimos de Bottas, líder, parou na décima volta, para substituir os pneus supermacios da largada, os mesmos do Q2 da classificação, por outro de supermacios, mas novos. Mas na 13ª volta, Carlos Sainz Júnior, STR, e Lance Stroll, Williams, se envolveram num acidente, gerando a entrada do safety car para retirar a Williams do canadense da pista.

Bottas, em primeiro, com sérias dificuldades com os pneus supermacios desde a largada, entrou nos boxes. Hamilton com seus supermacios em estado um pouco melhor, também. Era melhor parar atrás do finlandês e esperar sua vez do que entrar nos boxes apenas na volta seguinte.

A informação do safety car obrigou Vettel reduzir sua velocidade, como todos que estavam na pista. As chances de Bottas trocar os pneus e sair da frente de Vettel, ainda, eram grandes. O satefy car o favorecia. Mas não foi o que aconteceu. Bottas explica, também em resposta ao GloboEsporte.com.

No pit stop, a derrota

“Tivemos problemas no pit stop. Perdemos muito tempo. Acredito que sairíamos próximos”, disse o finlandês. Mas depois comentou: “Penso que na frente dele”. Mais: “Nosso time está investigando o que se passou. Enfrentamos, também, tráfego nos boxes, pois um dos carros da RBR entrou e eu não pude ser liberado imediatamente, o que em conjunto com as dificuldades do pit stop dobraram o nosso tempo de parada”.

Os números da operação estão disponíveis no material da FIA. O tempo total pedido nos boxes por Bottas foi de 28s368. Hamilton, por ter de esperar o companheiro, ainda mais, 30s687. Para se ter uma ideia do que significou, Vettel precisou de 24s702 na sua parada, ou 3s666 a menos de Bottas e 5s985 de Hamilton. Diferenças capitais.

“Se tivesse saído na frente de Sebastian o desenvolvimento do restante da corrida seria outro”, disse Bottas.

As possibilidades de Hamilton vencer se tornaram ainda menores quando diminuiu demais a velocidade na entrada dos boxes, a fim de dar tempo à escuderia trocar os pneus de Bottas para ele fazer a sua parada. A manobra acabou por impedir Ricciardo de manter sua velocidade de aproximação, pois só passa um carro por vez na entrada dos boxes. Resultado: Hamilton recebeu 5 segundos de punição.

Ferrari, amiga dos pneus

Pergunta: a exemplo da primeira etapa do campeonato, em Melbourne, a Ferrari enfrentou menos problemas com os pneus mais macios distribuídos no fim de semana?

Sim. Na Austrália, Vettel tinha melhor ritmo de Hamilton e Bottas com os ultramacios depois da largada. E no Circuito de Sakhir aconteceu algo semelhante. Bottas e Hamilton, com os supermacios, eram mais lentos que Vettel, com os mesmos pneus.

A Ferrari não desmentiu ter optado por maior pressão aerodinâmica no SF70H pensando em garantir melhor comportamento dos pneus na corrida em sacrifício de uma melhor colocação na definição do grid, sábado. Faz todo sentido diante do apresentado no Circuito de Sakhir.

Bottas conta os detalhes de seus problemas com os pneus. “Fui informado que tinha problemas com a pressão dos pneus, o que podia sentir já a partir da segunda volta. A traseira simplesmente não parava de dançar, tinha dificuldade para tracionar, permitindo a Sebastian me pressionar e fazer o undercut (antecipar o pit stop para passar na saída dos boxes na frente do piloto que parou depois).” Hamilton sinalizou reações semelhantes no carro.

O diretor da Mercedes, Toto Wolff, veio com uma história pouco convincente. “Tivemos um problema com os cobertores elétricos que elevou a temperatura dos pneus.”

Isso teria aumentado a pressão, gerando a perda de aderência descrita por Bottas. Como foi a segunda vez que o carro da Mercedes se torna mais lento que o da Ferrari com os pneus mais macios do GP, e na mesma condição, início da corrida, a hipótese mais provável é que Wolff esteja tentando justificar esse provável ponto fraco, ao menos neste início de temporada, com algo externo ao projeto.

Estratégias diferentes

Quando Hamilton deixou os boxes, na 13ª volta, depois do pit stop, estava com pneus macios novos. Bottas, supermacios novos, assim como Vettel. Por quê?

A Mercedes adotou estratégias distintas para seus pilotos. Hamilton não conseguiria ir até a bandeirada com os macios, 44 voltas mais tarde. A ideia original era mantê-lo na pista até a 40ª volta, como vimos que aconteceu, chamá-lo para uma segunda parada, e liberá-lo com supermacios para as 17 voltas finais. Com o carro mais leve, o asfalto mais emborrachado e a temperatura mais amena, Hamilton deveria ser bem rápido.

Não funcionou exatamente como o planejado em razão de o modelo W08 Hybrid, como na Austrália, ter sido mais rápido com os pneus macios do que com os supermacios. A Mercedes optou por liberá-lo com macios. Hamilton conta o que se passou. “Meu ritmo depois do segundo pit stop era realmente muito bom. Honestamente acreditei que seria possível alcançar Sebastian, mas com cinco segundos de punição as coisas se tornaram duas vezes mais difíceis.”

Na 27ª volta, Hamilton, terceiro, estava rápido com os macios da 13ª volta. Não precisaria da ordem de equipe, mas ela veio para passar Bottas, segundo, com supermacios do pit stop da 13ª volta. Os dois lados se pronunciaram, Bottas e Wolff, quem ordenou o finlandês permitir a ultrapassagem.

“Não gosto de dar ordens de equipe, mas àquela altura era a única maneira de tentar evitar perder a corrida. Sinceramente não sei responder se tínhamos chances de vencer.”

Wolff teve de responder aos jornalistas, onde o GloboEsporte.com estava presente, sobre a reação de Bottas para a imprensa. “Sei que Valtteri está bravo com o nosso pedido, mas garanto que foi difícil para nós também ordená-lo. Hoje era uma questão de procurar vencer a prova, não de favoritismo pensando no título, estamos ainda na terceira etapa do calendário.” Bottas soma 38 pontos, terceiro, 23 a menos de Hamilton.

Bottas afirmou: “Como piloto, é a pior coisa que você deseja ouvir. Só fiz por haver possibilidade de Lewis chegar em Sebastian, o que acabou não acontecendo. Mas nosso time tentou, algo compreensível”. Mas, de novo, vale recorrer aos números para mostrar o que se passou entre Hamilton e Bottas.

Na 25ª volta, duas antes de Hamilton, terceiro na corrida, ultrapassar o companheiro, segundo, por ordem da Mercedes, o seu tempo de volta foi 1min35s605. Bottas, 1min35s775. Na seguinte, 26ª, Hamilton fez 1min36s313, Bottas, 1min33s625. Na 27ª, Hamilton passou e já foi 2s339 mais rápido. Hamilton estava a 6s362 de Vettel, líder. Na 32ª, uma antes de o piloto da Ferrari realizar o segundo pit stop, o inglês estava 5s059 atrás. Tirou 1s303. Para carros de desempenho semelhante é respeitável.

Depois das três primeiras etapas, Austrália, China e Bahrein, o que esperar da luta entre Ferrari e Mercedes no próximo GP, na Rússia, em duas semanas? Melbourne, Xangai e Sakhir demonstraram não ser possível a ninguém antecipar quem tem mais chances, diante de a cada momento uma ser alguns milésimos mais veloz que a outra para no instante seguinte essa vantagem ser revertida. Em resumo, essa incerteza é o melhor deste início de campeonato.

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