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Apesar de reconhecer a animação do mercado financeiro com o desenvolvimento de vacinas contra a covid-19, o integrante do comitê de política monetária do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) Michael Saunders alertou para "ventos contrários" que podem afetar a economia local. "Ainda não estamos fora de perigo. A economia pode ficar com desemprego alto e inflação abaixo da meta por um tempo, e isso demanda uma resposta rápida de política monetária", declarou durante webinar nesta sexta-feira, 4. Para isso, ele defendeu a utilização de um "mix" de ferramentas, como novos cortes de juros e ampliação do programa de relaxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês). "Cortes de juros e QE são opções caso mais estímulo seja necessário. Há espaço para cortes de juros, mas, se o fizermos, terá de ser a conta-gotas", ponderou Saunders. Hoje, a taxa básica de juros do BOE está em 0,10% ao ano e o programa de QE, em 645 bilhões de libras esterlinas. "Uma variedade de ferramentas funciona melhor do que apenas uma." Juro abaixo de zero O dirigente tratou de afastar, como tem sido de praxe entre seus pares, a adoção juros negativos pelo BOE neste momento como forma de estimular a economia, mas não descartou totalmente a estratégia, caso ela seja necessária no futuro. "A política de juros negativos ainda está sob avaliação", disse, durante o discurso.

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Os preços dos alimentos seguiram em novembro no papel de vilões da inflação para as famílias de renda mais baixa, mas gasolina e passagens aéreas também pressionaram o Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Mais cedo, a entidade informou que o IPC-C1 subiu 0,95% em novembro, depois de uma alta de 0,71% em outubro. Segundo a FGV, em novembro, seis das oito classes de despesa componentes do índice registraram acréscimo em suas taxas de variação: Transportes (0,29% para 0,90%), Educação, Leitura e Recreação (1,33% para 2,56%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,05% para 0,23%), Habitação (0,28% para 0,39%), Alimentação (2,08% para 2,18%) e Despesas Diversas (-0,01% para 0,11%). Na classe dos Transportes, os itens passagem aérea (com salto de 27,16%) e gasolina (alta de 2,36%) lideraram a lista de maiores impactos positivos na leitura de novembro do IPC-C1. Ainda entre os cinco maiores impactos, figuram três alimentos: batata inglesa (32,43% em novembro, ante 15,26% em outubro), tomate (18,81% ante 12,60%) e arroz (5,79% ante 12,74%). Dentro da classe de Alimentação, o segmento de hortaliças e legumes acelerou de 3,91% em outubro para 12,15% em novembro. O peso maior dos itens relacionados em Alimentação é uma característica do IPC-C1, já que as famílias mais pobres comprometem parte maior de sua cesta de compras com alimentos. O indicador é usado para mensurar o impacto da movimentação de preços entre famílias com renda mensal entre 1 e 2,5 salários mínimos.

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O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, cobrou na noite da quinta-feira, 3, que as iniciativas de grupos e países sobre a Amazônia não fiquem restritas a críticas e discursos e se revertam em verba. "Essa cooperação tem que ser em termos concretos. A gente até discute, ouve os discursos, mas tem que ter recurso em cima da mesa. O grupo, os países, iniciativas... (tem que) colocar recursos para nos ajudar. Só crítica de graça não adianta. Tem que vir recurso também", afirmou o ministro durante live realizada com o presidente da República, Jair Bolsonaro. A política ambiental do governo brasileiro levou Noruega e Alemanha a retirarem, no ano passado, aportes que faziam ao Fundo Amazônia, que tem suspensão discutida em processo que corre no Supremo Tribunal Federal. Há meses, Ricardo Salles anunciou um programa para atrair investimento privado, batizado de "Adote um Parque". Até hoje, o programa não foi oficialmente apresentado e está parado na Casa Civil. Na quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que enviará Salles para a Conferência do Clima (COP-26), remarcada para 2021 em razão da pandemia. Além de Salles, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, participou da transmissão semanal feita pelo presidente via redes sociais. "Pronto para a COP-26, você representar o Brasil lá no Reino Unido?", perguntou Bolsonaro. "Vamos lá para a COP-26, direto do Reino Unido, defender os interesses do País", respondeu Salles. Ao avisar que escolheu o chefe da pasta para representar o País na conferência mundial, o presidente demonstrou apoio a Ricardo Salles, que tem sofrido pressão por causa da maneira como lidera as políticas ambientais. O anúncio também elimina expectativas de que a eleição de Joe Biden, nos Estados Unidos, poderia forçar o governo brasileiro a trocar o chefe da área ambiental. Na transmissão da quinta-feira, Jair Bolsonaro reafirmou ter interesse na preservação da Amazônia e que o governo está disposto a cooperar. Na campanha, o então candidato à Casa Branca ameaçou aplicar sanções econômicas ao Brasil caso o governo brasileiro não tomasse medidas para frear a devastação ambiental. O desmatamento da Amazônia teve uma alta de 9,5% no último ano e voltou a atingir a maior taxa desde 2008 - o que já tinha ocorrido no ano passado. Entre agosto de 2019 e julho deste ano, a devastação da floresta alcançou 11.088 km², ante os 10.129 km² registrados nos 12 meses anteriores. A área devastada nesse último ano equivale a 7,2 vezes a da cidade de São Paulo.

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O Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1) subiu 0,95% em novembro, depois de uma alta de 0,71% em outubro, informou nesta sexta-feira, 4, a Fundação Getulio Vargas (FGV). O indicador é usado para mensurar o impacto da movimentação de preços entre famílias com renda mensal entre 1 e 2,5 salários mínimos. Com o resultado, o índice acumulou alta de 4,85% no ano. Em 12 meses, o indicador acumulou avanço de 5,82%. Em novembro, o IPC-C1 ficou ligeiramente acima da variação da inflação média apurada entre as famílias com renda mensal entre 1 e 33 salários mínimos, obtida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Brasil (IPC-BR), que teve elevação de 0,94% no mês. No acumulado em 12 meses, a taxa do IPC-BR foi inferior, aos 4,86%.

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O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, disse que o pacote de estímulos de US$ 900 bilhões, em negociação no Senado americano, "não é suficiente", embora vá ajudar os norte-americanos necessitados durante a pandemia da covid-19. "Isso seria um bom começo. Não é suficiente. É necessário e eles (parlamentares) devem se concentrar nas coisas que são imediatamente necessárias", disse Biden, em entrevista à CNN, a primeira após ter sido eleito presidente do país. Biden afirmou que o projeto de lei de ajuda econômica deve ser aprovado e que ele terá de pedir recursos novamente quando assumir o cargo. "Eu acho que deveria ser aprovado. Vou ter que pedir mais para fazer as coisas", apontou. Além da crise do novo coronavírus, Biden elencou a crise econômica, desigualdade racial e as mudanças climáticas como outras três crises que afetam o país. O presidente eleito acrescentou que já conversou com vários senadores republicanos sobre questões-chave do seu governo e reconheceu que o trabalho de aprovação de projetos e leis "será difícil". "Vai ser difícil. Mas estou confiante de que nas questões que afetam a segurança nacional e a necessidade econômica fundamental de manter as pessoas empregadas, de recuperar a economia, há muito espaço para trabalhar", completou. Sobre a transição com o governo de Donald Trump, Biden afirmou que considera que o atual presidente deveria comparecer à sua posse, em 20 de janeiro, porque mostraria uma transferência pacífica. "O protocolo de transferência de poder, acho eu, é importante. Mas a decisão é totalmente dele, e não tem nenhuma consequência pessoal para mim", disse. Biden também se disse preocupado com os boatos de que Trump concederá perdões preventivos à sua família. "Isso me preocupa em termos de que tipo de precedente ele estabelece e como o resto do mundo nos vê como uma nação de leis e justiça", afirmou. Segundo o democrata, o Departamento de Justiça da sua administração vai atuar "de forma independente nessas questões" e também em como responder aos indultos concedidos por Trump. O presidente eleito dos Estados Unidos ainda não anunciou o nome de quem chefiará o Departamento de Justiça de sua gestão - cargo equivalente a Procurador da República. Quanto aos demais nomes de seu governo, Biden voltou a afirmar que seu gabinete "vai se parecer com o país", em referência à diversificação étnico-racial. *Com agências internacionais

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A Petrobras informou que concluiu a fase de negociação com o Grupo Mubadala no âmbito do processo para desinvestimento da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia. Conforme prevê a Sistemática de Desinvestimos da Petrobras, o processo está, atualmente, em fase de nova rodada de propostas vinculantes. Nesta nova rodada a Petrobras solicitou a todos os participantes que submeteram propostas vinculantes, inclusive o Grupo Mubadala, que apresentem suas ofertas finais com base nas versões negociadas dos contratos com o Mubadala. A estatal espera receber essas ofertas em janeiro de 2021. Em relação à Refinaria Lubrificantes e Derivados do Nordeste (Lubnor) e à Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), a companhia informa que também já recebeu propostas pelos dois ativos.

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Em um julgamento histórico, com previsão de durar uma semana, os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), votaram na madrugada desta sexta-feira, 4, para permitir uma eventual reeleição dos atuais presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Na prática, o voto dos dois ministros abre caminho para que Maia e Alcolumbre concorram à reeleição em fevereiro de 2021, quando está marcada a eleição da cúpula do Congresso. Maia nega ser candidato a disputar mais dois anos à frente da Casa. Relator da ação do PTB que discute a controvérsia, Gilmar Mendes escreveu um longo voto de 64 páginas, em que entende que os membros do Congresso podem até discutir o tema e deliberar sobre o assunto, desde que observado em qualquer caso, o limite de uma única reeleição ou recondução sucessiva ao mesmo cargo. No entanto, para Gilmar Mendes a regra de permitir apenas uma reeleição deve valer apenas a partir de agora, por conta do princípio da "anualidade" - para o ministro, não se pode mudar as regras faltando menos de um ano para o pleito. Dessa forma, o voto do ministro permite que Maia (que já está no terceiro mandato consecutivo) dispute mais dois anos à frente da Câmara. O Supremo iniciou nesta sexta-feira o julgamento sobre a controvérsia no plenário virtual da Corte, uma ferramenta que permite a análise de casos pelos magistrados longe dos holofotes da TV Justiça - e dos olhos da opinião pública. Na plataforma, os ministros apenas depositam seus votos no sistema eletrônico, sem discussões ou troca de ideias entre si. "O tema foi posto, e cabe ao Tribunal decidir. Decidiremos, entretanto, acerca da constitucionalidade de dispositivos regimentais que tratam sobre a composição da Mesa das Casas do Congresso Nacional. Não decidiremos acerca de quem vai compor a próxima Mesa: para tanto é preciso de votos no Parlamento, e não no Plenário deste Supremo Tribunal Federal. Na eleição de Mesa do Poder Legislativo, é a maioria parlamentar que define quem 'fala pela Casa', não um acórdão", escreveu Gilmar Mendes. Terceiro ministro a votar em plena madrugada, Nunes Marques votou contra uma eventual candidatura de Maia e Alcolumbre à reeleição. Novato e indicado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, ao Supremo, o ministro concordou com Toffoli e Gilmar Mendes no sentido de que só pode ser permitida uma única recondução, mas concluiu que esse entendimento deve valer já agora. Ou seja, o voto de Nunes Marques proíbe que Maia comande a Câmara por mais dois anos. O julgamento está previsto para durar uma semana, mas pode ser interrompido a qualquer momento caso algum integrante da Corte peça vista (mais tempo para análise) ou destaque. Ainda faltam ser computados oito votos. No caso de destaque, o julgamento não apenas seria interrompido, como acabaria retirado do plenário virtual - e teria de retornar no plenário "físico", nas tradicionais sessões plenárias do STF, agora realizadas por videoconferência. É isso o que pediram o PTB (autor da ação) e outros três partidos: PP, Podemos e Rede Sustentabilidade. PP, Podemos e Rede querem que a ação seja julgada no plenário "físico", "com a maior transparência, publicidade, participação social e escrutínio público possíveis". Na avaliação de integrantes da Corte ouvidos pela reportagem, as maiores chances de o Supremo abrir caminho para uma eventual candidatura à reeleição de Maia e Alcolumbre estão no plenário virtual, e não no plenário físico. Isso porque, nas sessões transmitidas ao vivo, os magistrados poderiam mudar o voto sob pressão da opinião pública. Ofensiva Na última terça-feira, líderes do Centrão lançaram numa ofensiva para barrar a possibilidade de o Supremo abrir caminho para uma eventual reeleição de Maia e Alcolumbre. Intitulado "Carta à Nação Brasileira e ao Supremo Tribunal Federal", o documento foi preparado pelo Progressistas do deputado federal Arthur Lira (AL), um dos pré-candidatos à eleição na Câmara. Principal adversário do grupo comandado por Maia, Lira é o chefe do Centrão e tem hoje o apoio do presidente Jair Bolsonaro para a sucessão na Câmara. `Rachadinha' Conforme informou o jornal O Estado de S. Paulo na quinta-feira, 3, Lira esteve à frente de um esquema milionário de "rachadinha" quando integrou a Assembleia Legislativa de Alagoas, segundo acusação do Ministério Público Federal. Documentos até então sigilosos obtidos pela reportagem indicam desvio, entre 2001 e 2007, de R$ 254 milhões dos cofres públicos. Somente o líder do Centrão movimentou R$ 9,5 milhões em sua conta. As informações estão em uma ação penal que Lira ainda responde na Justiça estadual. Ele já foi condenado pelo caso na esfera cível. Alerta Um dos temores dentro do STF com a sucessão na Câmara e no Senado é o de que nomes mais imprevisíveis e automaticamente alinhados a Jair Bolsonaro assumam o comando das duas Casas, o que poderia resultar em retaliações contra o Poder Judiciário, como a abertura da CPI da Lava Toga e até mesmo a votação de pedidos de impeachment de ministros do tribunal. Até agora, Alcolumbre tem resistido à pressão de senadores da ala "lavajatista". Integrantes do Supremo também avaliam que deixar com os próprios parlamentares a palavra final sobre a reeleição na Câmara e no Senado pouparia a Corte do desgaste político de interferir numa questão interna, com potencial de criar novo desgaste na já tumultuada relação entre Judiciário e Legislativo. O próprio discurso do presidente do STF, ministro Luiz Fux, ao assumir o comando do tribunal, no dia 10 de setembro, deixou nas entrelinhas sua disposição de não intervir no assunto. "Alguns grupos de poder que não desejam arcar com as consequências de suas próprias decisões acabam por permitir a transferência voluntária e prematura de conflitos de natureza política para o Poder Judiciário, instando os juízes a plasmarem provimentos judiciais sobre temas que demandam debate em outras arenas", observou Fux na ocasião.

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As bolsas da Ásia encerraram a sessão desta sexta-feira em alta, animadas pela iminência de novos estímulos fiscais à economia americana. O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, instou os parlamentaras a aprovarem o pacote de US$ 900 bilhões, mas disse ser preciso "fazer mais". Apenas o mercado de Tóquio foi na contramão, pressionado por preocupações com a covid-19 no país. O índice Kospi, da Bolsa de Seul, liderou os ganhos no continente e fechou o dia com avanço de 1,31%, para 2.731,45 pontos. Na China continental, o índice Xangai Composto subiu 0,07%, a 3.444.58 pontos, acompanhado pelo Shenzhen Composto, menos abrangente, que avançou 0,40 %, para 14.026,66 pontos. Apesar do fechamento em alta, o humor foi contido pela notícia de que a Pfizer vai ofertar menos vacinas à comunidade global em 2020 do que anteriormente havia anunciado. Em Hong Kong, o índice Hang Seng avançou 0,40%, para 26.835,92 pontos, ainda que as ações da petrolífera CNOOC tenham tombado 3,90% após os EUA incluírem a empresa na chamada "lista de entidades", que dificulta negociações com investidores americanos. A única praça asiática que encerrou a sexta-feira no vermelho foi a bolsa de Tóquio, onde o índice Nikkei caiu 0,22%, para 26.751,24 pontos. Investidores têm dedicado atenção à situação da pandemia no Japão, sobretudo após a prefeitura de Osaka emitir um "sinal vermelho" sobre a situação da covid-19 na cidade. Na Oceania, o índice S&P/ASX 200, da Bolsa de Sidney, fechou em alta de 0,28% a 6.634,10 *Com informações da Dow Jones Newswires

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A primeira edição da Feira Virtual do Livro das Periferias, evento que reúne editoras e selos de publicação vinculados às periferias da região metropolitana de São Paulo, começa hoje (4) e vai até o dia 6 de dezembro.

A iniciativa da Ação Educativa promove apresentações e mesas de diálogo sobre as produções dos territórios periféricos por meio de saraus, leituras de textos, incentivo à leitura e comentários sobre os livros publicados pelas editoras e selos das periferias. A participação é gratuita e a programação completa está disponível no site do evento.

O coordenador cultural da Ação Educativa, Eleilson Leite, diz que o movimento editorial nas periferias se expandiu, principalmente a partir dos saraus, no início dos anos 2000. “Ali, ele conquistou leitores e escritores, que se desdobram em múltiplas e potentes vertentes literárias. A Feira do Livro é um dos pilares de um projeto inovador e que nos traz muito orgulho, abrindo espaço para a necessidade do protagonismo cultural descentralizado”. 

Editoras

Para as editoras, a feira é uma oportunidade de alcançar novos leitores e leitoras. A editora Kitembo é da Brasilândia, zona norte da capital, e trabalha desde 2018 produzindo livros de escritores e ilustradores negros e negras. O editor Israel Neto afirma que participar da feira é mostrar mais da literatura produzida na periferia. "Trabalhamos com literatura negra fantástica, isto é, fantasia, terror, ficção científica e afro futurismo, então estar nesse contexto, dentro da periferia, é fomentar essa disputa de imaginário”.

Ele ressalta que participar dessa feira é poder mostrar o trabalho para mais pessoas. “A gente evidencia que existe outra escrita, de periferia, que também é do entretenimento, da ancestralidade e é uma escrita diversa, que não está só no gênero da poesia, da crônica e do conto, é um gênero que vai para as novelas e para as obras grandes de ficção. Participar dessa feira será importante para a cena da produção literária das periferias”, afirmou Neto.  

A coordenadora da Editora Mijiba, Elisandra Souza, ressaltou que a feira vai alcançar mais leitores interessados em literatura negra feminina. “Nós já temos uma grande produção, mas ainda somos muito invisibilizados, o nosso alcance acaba sendo nos próprios pares e estamos nessa busca de leitores do nosso segmento. A editora já fez campanhas virtuais, uma chamada - Procura-se leitores de literatura negra feminina - e essa feira está diretamente ligada à extensão do nosso alcance e com a possibilidade da venda direta dos nossos livros, chegando a novos leitores e leitoras”. 

Crescimento

Junto com o lançamento da feira, também ocorre a divulgação da pesquisa inédita Editoras e Selos Editoriais das Periferias de SP, realizada pela Ação Educativa sobre o mercado editorial das periferias da região metropolitana. De acordo com a pesquisa, são 375 títulos publicados por essas editoras, somando 187.500 exemplares estimados, um mercado que até abril de 2020 gerou R$ 3,75 milhões em vendas. São 275 autores e autoras, sendo um terço desse total composto por mulheres. Quanto ao recorte racial, também um terço dos autores e autoras são negros.

A pesquisa revela ainda que a maioria dos leitores é formada de moradores das próprias periferias (51,8%), e o custo elevado é identificado como a principal dificuldade no acesso aos títulos (29,6%). Na perspectiva das editoras e selos, a divulgação (32,7%) é o maior desafio para ampliar o acesso.

Quanto à distribuição territorial, a periferia da zona sul de São Paulo concentra metade (50%) das editoras e selos, seguida pela zona norte, com pouco mais de um quarto do total (27,7%). Apenas uma está localizada fora da capital paulistana, em Embu das Artes, na Grande São Paulo. 

A pesquisa considerou as editoras e os selos de publicação das periferias de São Paulo surgidos entre 2005 e 2019. No período de 14 anos, foram observadas 18 editoras, dez das quais surgidas entre 2011 e 2016.

Apesar da estrutura de pequeno porte, a pesquisa mostrou que a maioria (61,1%) das editoras e selos que participaram do levantamento tem CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), o que sugere a consolidação de um negócio editorial e permite a essas organizações uma variedade de atividades, em comparação com aquelas que não possuem ou têm seu cadastro prejudicado. 

O CNPJ é constituído por essas organizações não só para permitir a edição e comercialização editorial, mas também a realização de atividades relacionadas, como organização de eventos literários, participação em editais públicos e privados e prestação de serviços de natureza artística e educativa.

Realizada em nove etapas entre fevereiro e agosto de 2020, a pesquisa tem o objetivo de contribuir para a democratização do mercado editorial brasileiro e para a ampliação da bibliodiversidade nas práticas de leitura do país.

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O estado do Rio de Janeiro começa nesta sexta-feira (4) a testagem para covid-19 a partir de um novo procedimento: o agendamento por meio de um aplicativo para celular. Não se trata, porém, de realização de exames em massa, pois o usuário precisará preencher um questionário e só será convocado para o exame caso as respostas indiquem possibilidade de infecção. Em um primeiro momento, a iniciativa está sendo implantada nas cidades de São Gonçalo e Volta Redonda.

Conforme estimativa da Secretaria de Estado da Saúde, será possível oferecer por dia até 1,5 mil exames RT-PCR, que identificam as pessoas que estão com o novo coronavírus ativo em seu organismo. Em São Gonçalo, os testes agendados serão realizados no Hospital Estadual Alberto Torres e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Colubandê. Em Volta Redonda, o procedimento será concentrado no Hospital Regional do Médio Paraíba Dra. Zilda Arns Neumann.

A inciativa é fruto de uma parceria firmada com o aplicativo Dados do Bem, desenvolvido sem fins lucrativos pelo Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (Idor) e  pela empresa Zoox. A ferramenta, cedida gratuitamente ao estado, está disponível para celulares que usam os sistemas Android ou iOS. O site do aplicativo fornece instruções para a instalação.

As pessoas convocadas para a testagem receberão no celular um QR Code, que funcionará como voucher de confirmação. Sua apresentação, juntamente com a carteira de identidade, será obrigatória para ter acesso ao local do exame. O resultado fica pronto em até 72 horas e também é disponibilizado pelo aplicativo. Caso seja positivo, o paciente poderá indicar até cinco pessoas com quem teve contato para também serem submetidos ao teste.

Além de permitir o agendamento do exame, o aplicativo possibilita mapear, em tempo real, a distribuição da covid-19 nos centros urbanos e gerar dados para serem estudados. Por essa razão, ao iniciar o seu uso, o cidadão precisará primeiramente concordar com o envolvimento voluntário na pesquisa. De acordo com os desenvolvedores, o anonimato de todos os participantes é preservado e as informações coletadas não serão usadas para fins comerciais. 

Aumento de casos

A parceria com o aplicativo Dados do Bem foi divulgada pelo governo fluminense entre as medidas adotadas para tentar conter o avanço dos casos de covid-19, observado no estado nas últimas semanas. Também foi anunciada a abertura de 348 novos leitos, exclusivos para pacientes com covid-19, até o dia 15 de dezembro. Em todo o estado, são mais 360 mil casos e 22 mil mortes. 

De acordo com a Secretaria estadual da Saúde, o agendamento da testagem por meio do aplicativo será em breve expandido para outros municípios. A escolha das primeiras cidades levou em conta a evolução do número de infectados e o quadro atual da oferta de exames RT-PCR.

São Gonçalo é a terceira cidade do estado em número de ocorrências confirmadas: 16.567 pessoas já foram diagnosticadas com covid-19, segundo os dados do governo fluminense. Desses, 863 não resistiram à doença e morreram. Em Volta Redonda, são 9.089 casos e 257 óbitos. O município é o nono com maior número de ocorrências no estado.

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