Timber by EMSIEN-3 LTD
Estadão Contéudo

Estadão Contéudo

O Ibovespa conseguiu moderar as perdas observadas mais cedo para fechar o dia não tão distante dos 120 mil pontos, após ter chegado aos 118.739,87 na mínima desta quarta-feira, estendendo a correção iniciada na semana passada. Nesta quarta-feira, o índice da B3 fechou em baixa de 0,82%, a 119.646,40 pontos, a segunda perda seguida, com abertura a 120.644,50 e máxima a 121.449,10 pontos. O giro financeiro totalizou R$ 32,1 bilhões. Na semana, o Ibovespa cede 0,58%, limitando os ganhos no ano a 0,53%. O dia positivo em Nova York na posse de Joe Biden na presidência dos Estados Unidos, com ganhos de até 1,97% (Nasdaq), não foi o suficiente para que os investidores desviassem a atenção das preocupações brasileiras, especialmente sobre o avanço da vacinação, dificultado pela falta de disponibilidade imediata de princípios ativos para ampliar a produção dos imunizantes, por enquanto restrita ao Instituto Butantan. "O foco inicial de Biden será o combate à pandemia. Se for bem-sucedido, a economia irá melhorar, o que será positivo também para seu governo. O problema número um, para os Estados Unidos e o mundo, continua a ser a vacinação", diz Scott Hodgson, gestor de renda variável da Galapagos Capital, acrescentando que preocupações do mercado com relação ao governo democrata - mais tributação e regulação do setor tecnológico - devem ficar para depois: no segundo ou mesmo terceiro trimestre. "Uma nova era está começando e os investidores voltam a investir em ações graças às garantias da secretária indicada ao Tesouro, Janet Yellen, e do presidente do Fed, Jerome Powell, de que a economia dos EUA precisa de mais ajuda. O apelo de Yellen por uma ação 'grande' e a consistência 'dovishness' de Powell significam que a quantidade de estímulos só vai crescer no primeiro ano do presidente Biden", escreve em nota Edward Moya, analista da Oanda em Nova York. Em um ambiente global de afrouxamento monetário e expansão fiscal prolongada, o nível de precificação dos ativos pode vir a ser uma preocupação. "Estamos já em ambiente de bolha, não há dúvida. Temos o S&P 500 bem esticado e o Russell 2000 mais ainda, considerando a média móvel de 200 dias. No Brasil, já vemos um pouco de recuo do 'reflation trade', com Vale, siderurgia e bancos realizando", observa Hodgson, da Galapagos. "Aqui, acho que será como na eleição dos Estados Unidos: há barulho no cenário político e precisamos de uma resposta sobre as reformas, o que se espera que possa vir com a definição da presidência da Câmara, para então (o mercado) ajustar", acrescenta. Na B3, as perdas desta quarta-feira se distribuíram pelos setores de maior peso, como commodities (Vale ON -1,85%, Petrobras PN -1,67%), siderurgia (Usiminas -1,67%, Gerdau PN -2,06%) e bancos (Santander -2,56%, Bradesco PN -2,08%). Na ponta negativa do Ibovespa, PetroRio cedeu nesta quarta 3,66%, à frente de Embraer (-3,27%) e Santander (-2,56%). No lado oposto, B2W subiu 8,53%, Magazine Luiza, 5,56%, e Lojas Americanas, 4,06%. Dólar O dólar caiu nesta quarta-feira ante o real, em linha com os pares emergentes, à medida que o mercado cambial segue apostando em medidas fiscais a serem tomadas pelo novo presidente dos Estados Unidos. No discurso de posse, o democrata reafirmou o compromisso com o combate aos efeitos econômicos da covid-19, o que reforça a visão de que mais estímulos estão a caminho - sem a oposição da Casa Branca e com maiorias na Câmara e no Senado. O investidor segue de olho também na política monetária brasileira, à espera de que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a Selic a 2%, mas retire o forward guidance, que, no limite, abre espaço para um aumento de juros em breve. O dólar à vista fechou em queda de 0,63%, aos R$ 5,3118. No mercado futuro, o dólar para fevereiro caiu 1,28%, a R$ 5,2925. O discurso de posse de Biden nesta quarta deu a tônica de como serão os próximos quatro anos da gestão democrata frente à Casa Branca. O novo presidente americano reforçou que o combate à pandemia de covid-19 não passa apenas pela questão sanitária, mas também pela união de toda a nação. Implicitamente, ele apoiou o tom usado na terça pela futura secretária do Tesouro, Janet Yellen, que defendeu ao Senado que era necessário aprovar o novo pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão para "agir com grandeza" para superar a crise. "Vimos desde cedo um movimento do mercado em torno da posse do Biden, na expectativa que se gerou em torno do governo dele com os estímulos fiscais", frisou a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack. Em evento virtual do Centre for the Study of Financial Innovation, o economista Mohamed El-Erian, consultor-chefe do grupo Allianz e presidente do Queens College da Universidade de Cambridge, considerou apropriado o pacote fiscal trilionário proposto por Biden. "É uma resposta absolutamente certa", disse, ao reforçar que a liquidez que pode ser despejada na economia mundial este ano, em três frentes - fiscal, monetária e gastos das famílias - pode somar vários trilhões de dólares, entre 20% e 25% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Mas o estrategista-chefe para mercados emergentes do Deutsche Bank, Drausio Giacomelli, ponderou que os países emergentes precisam fazer a "lição de casa" porque caso a economia americana ganhe muito impulso diante dos estímulos fiscais que estão sendo preparados, o dólar vai se fortalecer, afetando os fluxos. "Isso não deve acontecer agora. Enquanto o mundo estiver em recuperação, o euro deve refletir melhor os fundamentos das economias dominantes na região e com espaço para apreciar ante o dólar. Mas a economia dos EUA pode ganhar tanta tração que passe a atrair mais recursos que a Europa, e podemos ver o euro novamente a US$ 1,15", comentou, em live promovida pelo jornal Valor Econômico. Mesmo em baixa nesta quarta, depois de indicadores fracos da zona do euro, a moeda comum operava a US$ 1,21. Para Giacomelli, do Deutsche, a política monetária brasileira pode ter exagerado ao levar a Selic até 2%, mas que o Banco Central tem tempo para corrigir a rota. "Talvez devesse ter parado em 3%. Foi demais? Provavelmente, mas isso não tem gerado distorção séria na economia além da sobredesvalorização do real", opinou, ressaltando que atualmente a moeda brasileira é uma das mais depreciadas do mundo. Juros Os juros futuros terminaram a quarta-feira de decisão do Copom com viés de baixa na parte intermediária e de alta na ponta longa, enquanto os curtos ficaram estáveis. Os cenários fiscal e político incertos e a expectativa pelo comunicado do Copom (que ainda não havia sido até o fechamento deste texto) limitaram a dinâmica das taxas e o volume negociado. No início da tarde, a curva toda bateu mínimas num momento de maior fraqueza do dólar e percepção de que colegiado poderia trazer uma comunicação mais conservadora ao justificar a esperada retirada do forward guidance da política monetária. Diante dos fatores internos, o mercado de juros, mais uma vez, não compartilhou do bom humor visto no exterior, em dia de posse do presidente Joe Biden. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou em 3,24% (regular) e 3,215% (estendida), ante 3,24% no ajuste de terça, e a do DI para janeiro de 2023 passou de 5,001% para 4,96% (regular) e 4,93% (estendida). O DI para janeiro de 2025 terminou com taxa de 6,48% (regular) e 6,45% (estendida), de 6,495% na terça. A do DI para janeiro de 2027 avançou a 7,15% (regular) e 7,13% (estendida), de 7,124%. Entre os agentes, a avaliação é que quedas mais pronunciadas das taxas têm tido vida curta em função do quadro de incertezas, apesar da curva brasileira seguir como uma das mais inclinadas do mundo, com prêmios atrativos. O calendário caótico da vacinação contra covid-19 no Brasil segue inspirando cautela, na medida em que o atraso na imunização prorroga a retomada da economia e pressiona o governo a retomar os benefícios fiscais, como o auxílio emergencial, ainda mais dada a piora da popularidade do presidente Jair Bolsonaro. "O mercado está louco para tomar risco, tem muito dinheiro sobrando no mundo, mas a agenda de reformas não anda e o cronograma de vacinação está um fiasco", disse o trader de renda fixa da Sicredi Asset Danilo Alencar. A expectativa geral do mercado é de que a Selic seja mantida em 2% e que o forward guidance, segundo o qual o Copom não pretende reduzir o estímulo desde que satisfeitas determinadas condições, seja abandonado, na medida em que as expectativas de inflação vêm caminhando na direção das metas e não há avanços nas reformas. Entre 79 investidores institucionais consultados pela XP Investimentos, 70% esperam que a sinalização seja abandonada nesta quarta. Outros 25% esperam o fim do instrumento em março e 5%, em maio ou depois. "Se o forward guidance for mantido, a leitura amanhã será dovish", disse Alencar. Ele ressalta, ainda, que o mercado de juros pode ter ficado mais cauteloso à tarde em função do leilão de prefixados nesta quinta-feira, com os agentes antecipando posições de hedge.

Comentário

As bolsas de Nova York encerraram o pregão desta quarta-feira, 20, em alta e renovaram as máximas históricas de fechamento, em meio ao otimismo dos investidores com a posse de Joe Biden, que se tornou o 46º presidente dos Estados Unidos. Os investidores apostaram nas perspectivas de expansão fiscal e aumento do ritmo da vacinação contra a covid-19 no governo do democrata. O Dow Jones subiu 0,83%, a 31.188,38 pontos, o S&P 500 avançou 1,39%, a 3.851,85 pontos, e o Nasdaq registrou ganhos de 1,97%, a 13.457,25 pontos. Os três índices acionários renovaram os recordes de fechamento. "Parece que atrasos nas vacinas, novas infecções, preocupações com a reinfecção e lockdowns prolongados estão apenas aumentando as perspectivas de mais estímulos monetários e fiscais globais", afirma o analista Edward Moya, da Oanda, ao comentar o otimismo do mercado com o novo governo americano. Em seu primeiro discurso como presidente dos EUA, Biden pediu "união nacional". Ele, contudo, terá o desafio de negociar com o Partido Republicano a aprovação de seu pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão, enquanto o Senado também avalia o impeachment do ex-presidente Donald Trump. Entre as principais promessas de Biden, está também a de vacinar 100 milhões de pessoas contra a covid-19 nos 100 primeiros dias de governo. No que diz respeito à política externa, analistas do Rabobank esperam que o principal desafio do país continuará sendo a rivalidade com a China no cenário geopolítico. "No entanto, Biden provavelmente retornará a uma abordagem multilateral", avaliam os profissionais do banco holandês. No S&P 500, o subíndice de comunicação liderou as altas (+3,62%), seguido pelos de consumo discricionário (+2,26%) e o de tecnologia (+2,02%). Os papéis da Apple avançaram 3,29%, os da Amazon subiram 4,57% e os do Facebook ganharam 2,44%. Entre as companhias que divulgaram balanço nesta quarta, o Morgan Stanley recuou 0,20%, a UnitedHealth caiu 0,38% e a P&G cedeu 1,25%. As ações da Netflix, por outro lado, subiram 16,85%. A plataforma de streaming divulgou o balanço na terça-feira, 19, após o fechamento do mercado e informou um aumento de 21,9% no número total de assinantes no mundo, na comparação com igual período de 2019.

Comentário

Causou indignação na indústria de transformação a entrevista dada pelo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Carlos von Doellinger, ao Valor Econômico em que o economista defende a desindustrialização do Brasil ao sustentar que atividades de manufatura, com exceção do beneficiamento de recursos naturais, não são o melhor caminho para o País. As declarações foram mal recebidas em grupos organizados que reúnem representantes de setores industriais, com alguns deles já defendendo, embora sem ainda mobilizar a maioria, que uma resposta institucional seja endereçada a Brasília. Em geral, o comentário de Doellinger foi lido como uma opinião particular - dissociada do discurso de reindustrialização manifestado a empresários pelo comando da equipe econômica -, mas que não pode ser menosprezado por vir de um órgão com grande influência na formulação de políticas públicas. "Estamos assistindo a uma discussão estéril que despreza um ativo valioso do País. É como se os industriais fossem um bando de idiotas que dependem de subsídio para sobreviver", comenta Fernando Pimentel, presidente da Abit, entidade que representa a indústria têxtil nacional. "Eu sou fã da agropecuária e tenho orgulho da posição do Brasil no mercado internacional de commodities agrícolas, mas o setor agrícola não será sozinho capaz de tracionar a economia brasileira", acrescenta o executivo. Na entrevista publicada na terça-feira pelo Valor, Doellinger defendeu que o Brasil priorize setores onde tem vantagens comparativas - casos de agronegócio, mineração e energia - e citou a Austrália como exemplo, por o país ter decidido há mais ou menos 15 anos acabar com a indústria de transformação para dar foco a sua vocação na produção de minérios e agropecuária, tornando-se também uma potência em serviços e tecnologia. "Se isso fosse uma verdade, Japão e Coreia do Sul, que são países industrializados, não seriam economias desenvolvidas", rebate José Velloso, presidente da Abimaq, associação da indústria de máquinas e equipamentos. Segundo Velloso, reduzir a indústria a setores em que há vantagem comparativa por abundância de recursos naturais, como sugeriu o presidente do Ipea, significaria desmontar parques de capital intensivo num País que investe pouco. "Se a gente fizer um estudo de impacto disso, certamente o saldo será negativo", afirma. Para Pimentel, a sugestão de Doellinger remete à criticada política de "campeões nacionais" de governos petistas, na qual empresas eram selecionadas para competir no mercado internacional por meio de financiamento público. A diferença é que agora a abordagem seria setorial. "É mais ou menos a mesma coisa quando o governo define os setores que devem ou não ser protagonistas da área industrial", assinala o presidente da Abit.

Comentário

A China anunciou que a planta da Aurora Alimentos em Chapecó (SC) foi reabilitada a exportar carne suína ao país. A notícia foi publicada no site do governo local e confirmada pela empresa. A suspensão tinha sido anunciada no início deste mês. Na ocasião, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse que estava atuando junto à cooperativa e ao Ministério da Agricultura para garantir esclarecimentos adicionais aos chineses referentes às práticas de segurança e aos "rígidos protocolos setoriais" durante a pandemia da covid-19". Também nesta quarta-feira, a China autorizou a retomada dos embarques para o país de duas unidades da JBS: uma de suínos, em Três Passos; e outra de frangos, em Passo Fundo, ambas no Rio Grande do Sul.

Comentário

Líderes mundiais, como o presidente do Canadá, Justin Trudeau, e o primeiro-ministro da Israel, Benjamin Netanyahu, foram ao Twitter cumprimentar o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e sua vice, Kamala Harris, pela posse nesta quarta-feira, 20, como novos líderes da Casa Branca. O presidente da França, Emmanuel Macron, aproveitou a mensagem para celebrar o retorno dos americanos ao Acordo de Paris, uma promessa de campanha dos democratas. "Muitas felicidades neste dia tão significativo para o povo americano! Estamos juntos. Estaremos mais fortes para enfrentar os desafios do nosso tempo. Mais fortes para construir nosso futuro. Mais fortes para proteger nosso planeta. Bem-vindos de volta ao Acordo de Paris!", publicou Macron na rede social. Biden deve assinar a ordem executiva devolvendo os EUA ao Acordo de Paris, que combate as mudanças climáticas, ainda nesta quarta-feira. Em sua publicação, Trudeau lembrou que EUA e Canadá são parceiros históricos. "Estou ansioso para continuar essa parceria com você, Biden, Kamala Harris e sua administração", publicou. Já Netanyahu, ao parabenizar os empossados, disse esperar trabalhar junto ao novo líder da Casa Branca e citou o Irã como uma "ameaça" e um "desafio comum". O Alto Representante da União Europeia (UE) Josep Borrell saudou "a intenção do presidente de se envolver com o mundo mais uma vez". "A UE espera abrir um novo capítulo das relações transatlânticas e trabalhar em conjunto na resolução das 'crises em cascata da nossa era'", escreveu no Twitter. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, também se manifestou sobre o novo governo, mas não citou a chapa eleita. Ele apenas escreveu que a administração do agora ex-presidente Donald Trump é "relegado à história em desgraça". "Talvez o novo pessoal em Washington tenha aprendido", concluiu. Mais cedo, outras lideranças mundiais como o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, também se manifestaram.

Comentário

Causou mal-estar no Supremo Tribunal Federal (STF) a manifestação do procurador-geral da República, Augusto Aras, que atribuiu ao Legislativo o papel de analisar "eventuais ilícitos que importem em responsabilidade de agentes políticos da cúpula dos Poderes da República" durante o enfrentamento à pandemia de covid-19. Em conversas reservadas, ministros da Corte consideraram a nota "um desastre". A leitura política foi a de que o procurador-geral dá sinais no sentido de preservar o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no momento em que cresce no meio político a pressão para o impeachment. O mote político para pedidos de interdição de Bolsonaro se sustenta agora no argumento de que houve negligência na condução da crise do coronavírus, principalmente em Manaus. Cabe ao procurador-geral conduzir qualquer investigação criminal sobre presidentes e ministros. A nota pública divulgada por Aras na noite da terça-feira, 19, também apontou risco de o atual estado de calamidade progredir para o estado de defesa, previsto na Constituição, que pode ser decretado por presidentes a fim de preservar ou restabelecer "a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza". Tal recurso, sujeito à aprovação do Congresso em dez dias, permite ao presidente restringir direitos da população. O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo, disse estar "perplexo" com a nota. "A sinalização de que tudo seria resolvido no Legislativo causa perplexidade", afirmou o magistrado ao jornal O Estado de S. Paulo. "Não se pode lavar as mãos, não é? O que nós esperamos dele (Aras) é que ele realmente atue e atue e com desassombro, já que tem um mandato e só pode ser destituído, inclusive, pelo Legislativo", acrescentou. Marco Aurélio afirmou, ainda, que é "impensável" qualquer decreto de estado de defesa no atual contexto. "Não se pensa em estado de defesa. Está lá no artigo 136 da Constituição, mas isso é impensável em termos de República e estado democrático", argumentou. Outro integrante da Corte, ouvido reservadamente, concordou que essa hipótese não está posta no cenário brasileiro. O magistrado disse que toda a gestão feita pelo Supremo foi para mostrar que o País é capaz de enfrentar as adversidades sem estado de emergência ou de sítio. Na sua avaliação, Aras parece tentar circunscrever a tragédia de Manaus - na qual dezenas de internados com covid-19 têm morrido por falta de oxigênio - a um problema local. Integrantes do conselho superior do MP protestam Nesta quarta-feira, 20, seis dos dez integrantes do Conselho Superior do Ministério Público Federal também demonstraram "preocupação" com a manifestação de Aras. "Referida nota parece não considerar a atribuição para a persecução penal de crimes comuns e de responsabilidade da competência do Supremo Tribunal Federal (...), tratando-se, portanto, de função constitucionalmente conferida ao Procurador-Geral da República, cujo cargo é dotado de independência funcional", escreveram os conselheiros José Adonis Callou, José Bonifácio Borges de Andrada, José Elaeres Marques Teixeira, Luiza Cristina Fonseca Frischeisen, Mario Luiz Bonsaglia e Nicolao Dino, todos subprocuradores-gerais da República. Um dos signatários, José Bonifácio, foi vice de Aras no início da gestão. Os conselheiros destacaram que a possibilidade da configuração de crime de responsabilidade, eventualmente praticado por agente político de qualquer esfera, também não afasta a hipótese de caracterização de crime comum, da competência dos tribunais. "Nesse cenário, o Ministério Público Federal e, no particular, o Procurador-Geral da República, precisa cumprir o seu papel de defesa da ordem jurídica, do regime democrático e de titular da persecução penal, devendo adotar as necessárias medidas investigativas a seu cargo - independentemente de "inquérito epidemiológico e sanitário" na esfera do próprio Órgão cuja eficácia ora está publicamente posta em xeque -, e sem excluir previamente, antes de qualquer apuração, as autoridades que respondem perante o Supremo Tribunal Federal, por eventuais crimes comuns ou de responsabilidade", afirmaram os conselheiros. Os subprocuradores observaram, ainda, que "a defesa do Estado democrático de direito afigura-se mais apropriada e inadiável que a antevisão de um 'estado de defesa" e suas graves consequências para a sociedade brasileira, já tão traumatizada com o quadro de pandemia ora vigente. O que é o estado de defesa Segundo o artigo 136 da Constituição, o estado de defesa tem o pretexto de "preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza". O instituto prevê uma série de medidas coercitivas, como restrições de direitos de reunião, de sigilo de correspondência, e de comunicação telegráfica e telefônica. Além disso, o estado de defesa acaba com garantias como a exigência do flagrante para uma prisão. A medida pode ser decretada pelo presidente, após serem ouvidos os Conselhos da República e o de Defesa Nacional, formados pelo vice, chefes das Forças Armadas, presidentes da Câmara, do Senado, líderes do Congresso, entre outros. O decreto é então submetido ao Congresso, que tem dez dias para aprová-lo ou rejeitá-lo. Governador do Amazonas está sob investigação Diante do agravamento da crise sanitária em Manaus, a única investigação aberta até agora pela Procuradoria-Geral da República, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi sobre a atuação do governador do Amazonas, Wilson Lima, do prefeito de Manaus, David Almeida, empossado no início deste mês, e de seu antecessor, Arthur Virgílio Neto. A Procuradoria também pediu informações ao ministro da Saúde após representação do partido Cidadania, que apontou omissão de Pazuello, alegando que ele recebeu informações prévias sobre a falta de oxigênio em Manaus. A assessoria de imprensa da PGR disse ao jornal O Estado de S. Paulo que o texto de Aras foi feito em resposta a um movimento de segmentos da política e da sociedade que têm cobrado atuação do chefe do Ministério Público Federal contra Bolsonaro. A principal mensagem da nota é que os crimes de responsabilidade são da competência do Legislativo, e não da Procuradoria. Segundo a assessoria, o procurador-geral diz que é necessária a "temperança" para todas as instituições para que a crise não cresça, uma vez que já estamos em um estado de calamidade.

Comentário

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, negou nesta quarta-feira, 20, que divergências políticas com a China causaram o atraso na entrega de insumos para produção de vacinas contra a covid-19 no Instituto Butantan e na Fiocruz. "Temos relação madura, construtiva, muito correta, tranquila com a China", disse Araújo. "Não é um assunto político. É assunto de demanda por um produto", completou ele. O chanceler ainda afirmou que a importação da Índia de 2 milhões de doses prontas da vacina de Oxford está "bem encaminhada". Ele não apontou, porém, data para concretizar nenhuma das importações. O ministro participa de uma reunião fechada com deputados nesta quarta-feira.

Comentário

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou nesta quarta-feira, 20, que a relação do Brasil com os Estados Unidos vai prosseguir independente da mudança no comando do Executivo norte-americano. Segundo ele, os EUA são importante parceiro comercial e o "modelo democrático americano é um farol para o mundo ocidental". "A relação Brasil e Estados Unidos é uma relação que vem desde o período da nossa independência, é uma relação de Estado para Estado e dessa maneira ela vai continuar", disse na chegada à vice-presidente nesta quarta-feira ao comentar a posse do novo presidente dos Estados Unidos, o democrata Joe Biden. "É um parceiro comercial importante, um parceiro tecnológico importante, e sempre colocando que o modelo democrático americano é um farol para o mundo ocidental. Dessa forma, ela (relação) vai prosseguir", acrescentou Mourão. A eleição de Biden expôs divergências entre o presidente da República, Jair Bolsonaro, e seu vice. Enquanto o chefe do Executivo insistia na tese de fraude das eleições norte-americanas, na mesma linha de Donald Trump, o vice-presidente adiantou que o governo reconheceria a vitória de Biden "no momento certo". A fala não agradou Bolsonaro, que expôs o distanciamento com Mourão ao dizer que não havia falado com ele sobre as eleições americanas. Mourão também antecipou o reconhecimento do novo presidente americano ao dizer, em 4 de dezembro, que a vitória de Biden já tinha sido aceita "tacitamente" pelo governo. Da parte de Bolsonaro, a nota oficial de reconhecimento veio dias depois, em 15 de dezembro, 38 dias depois de Biden vencer as eleições para a Casa Branca.

Comentário

Os contratos futuros de petróleo fecharam esta quarta-feira, 20, em alta, acompanhando o bom humor dos mercados internacionais com a posse do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. A grande expectativa é que o novo governo americano amplie os estímulos fiscais, impulsionando a recuperação da economia do país - e, consequentemente, a mundial -, o que tende a elevar a demanda pela commodity energética. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de petróleo WTI para março encerrou o dia em alta de 0,62%, a US$ 53,31, enquanto na Internacional Exchange (ICE), o barril de petróleo Brent para o mesmo mês terminou a sessão com avanço de 0,32%, a US$ 56,08. "O cálculo é simples: o aumento do apoio fiscal significa mais crescimento e maior demanda de petróleo nos Estados Unidos", avalia Eugen Weinberg, analista do Commerzbank. Investidores esperam que o presidente Biden possa assinar ainda nesta quarta sua ordem executiva, a ser enviada para apreciação do Congresso, do pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão, anunciado por ele na semana passada e defendido na terça pela indicada para a secretaria do Tesouro, Janet Yellen, em audiência no Comitê de Finanças do Senado. Ainda assim, Weinberg alerta que pode haver forte componente de especulação na variação positiva do petróleo. Afinal, a situação econômica segue delicada no mundo e a covid-19 continua a se disseminar, levando líderes a ampliarem medidas de isolamento social que afetam a atividade e, consequentemente, a demanda por petróleo. Além disso, como mostrou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) em reportagem especial, o pacote fiscal de Biden deve ser enxugado no Congresso. "Provavelmente será apenas uma questão de tempo até que os preços do petróleo se corrijam novamente, apesar do atual otimismo geral dos investidores", alerta o analista do Commerzbank.

Comentário

O agora ex-presidente americano Donald Trump deixou um bilhete para Joe Biden no Salão Oval da Casa Branca, mantendo uma tradição que tem mais de 30 anos nas transições de governo nos Estados Unidos. O gesto surpreendeu especialistas e membros do novo gabinete. O conteúdo do bilhete não foi divulgado. A tradição do bilhete escrito a mão pelo presidente a seu sucessor teve início em 1989 com Ronald Reagan. Quando se preparava para deixar a residência oficial, Reagan queria deixar um recado para o então presidente eleito George H.W. Bush. Para isso, escolheu um bloco de notas com o desenho de um elefante, mascote do Partido Republicano do qual os dois eram membros, e uma frase motivacional. "Querido George, você terá momentos em que vai querer usar este papel em particular", escreveu Reagan. Ele disse que rezaria pelo novo presidente e que prezava "as memórias que partilhamos". E concluiu "sentirei falta dos nossos almoços às quintas-feiras. Ron." Todos os presidentes dos EUA desde então deixaram bilhetes para seus sucessores. Normalmente as mensagens são tratadas de forma confidencial pelo governo americano, mas com frequência o conteúdo é publicado posteriormente por pesquisadores, pelos próprios ex-presidentes em suas memórias ou por jornalistas que obtêm acesso. Analistas especularam que Trump poderia quebrar com a tradição, uma vez que decidiu não comparecer à inauguração de Biden nesta quarta-feira, 20. Trump preferiu deixar Washington horas antes da cerimônia, e disse em seu discurso que voltaria "de uma maneira ou de outra". (FONTE: ASSOCIATED PRESS)

Comentário

Página 2 de 530
  • Douranews Anúncio

Entre em Contato

Editor de conteúdo
Clóvis de Oliveira
Email: clovis@douranews.com.br

Rua Floriano Peixoto, 343
Jardim América – Dourados/MS
CEP 79803-050
Tel.: 67 3422-3014

WhatsApp 9 9913 8196

Telefones Úteis