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Terça, 14 Novembro 2017 09:55

Setor entra em alerta após governo permitir a importação de trigo da Rússia

Escrito por Aline Oliveira/CE
Moscou barrou entrada de carne brasileira na semana passada Moscou barrou entrada de carne brasileira na semana passada Contato Rural

Decisão do Mnistério da Agricultura de permitir a importação de trigo da Rússia acontece uma semana após o governo de Moscou barrar as compras de carne bovina de um frigorífico localizado em Santa fé de Goiás (GO), ameaçando embargar mais cinco plantas brasileiras.

A informação divulgada pelo jornal Valor Econômico desta segunda-feira (13), alerta que a pressão feita pelo país europeu, considerado o 3º maior produtor de trigo do mundo, foi parte de uma negociação feita pelo ministro Blairo Maggi para tentar ampliar as compras russas sobre a carne brasileira.

De acordo com a publicação, a entrada do produto pode apresentar problemas internos como pragas que não existem no Brasil e que podem contaminar lavouras de trigos, soja e milho. Já foram identificadas duas espécies que podem comprometer a produtividade das plantações: Orobanche spp e a Cirsium arvense.

O decreto 24.114/1934 da Defesa Sanitária Vegetal brasileira proibe a importação, comércio, trânsito e exportação de vegetais "portadores de doenças ou pragas perigosas".

No documento está previsto ainda que caso esses vegetais entrem nas fronteiras brasileiras, o serviço de defesa sanitária deve apreender e destruir imediamente os produtos condenados.

Apesar da legislação brasileira ser contrária, o ministério concluiu a análise de risco de pragas para o produto russo no dia 3 de novembro.

Na ocasião, o secretário de Defesa Agropecuária (SDA), Luíz Eduardo Rangel encaminhou um comunicado ao serviço sanitário da Rússia informando: "que irá admitir a internalização de carregamentos de trigo provenientes da Rússia com presença de plantas daninhas quarentenárias, desde que o produto seja destinado e transportado diretamente a moinhos com instalações adequadas e seguras para armazenamento e processamento".

Procurado, Rangel admitiu que não existe risco "zero" de contaminação e que a medida adotada para permitir a entrada do trigo da Rússia será fiscalizar todo o carregamento daquele país que entrar no Nordeste - onde não há produção de trigo, diferentemente do que ocorre no Sul do país -, dos portos até os moinhos. A ideia é que o cereal russo seja processado e não distribuído para outras regiões do país.

"Já foi sinalizada essa flexibilização para os russos. Agora é preciso fazer uma alteração para que adequemos a norma à legislação, e isso deve acontecer nos próximos dias. Tudo dentro do limite da segurança", informou o titular da SDA.

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