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Manoel Afonso

Manoel Afonso

BOI VOADOR “Quem foi, quem foi/Que falou no boi voador/Manda prender esse boi/Seja esse o que for/ O boi ainda dá bode/Qual é a do boi que revoa/ Boi realmente não pode/Voar à toa/É fora, é fora/É fora da lei, é fora do ar/Segura esse/Proibido voar.” A letra de Chico Buarque e Ruy Guerra (1972) para a peça Calabar, atualíssima no cenário local. De leve...

‘EMBROMATION’ Beleza o foro privilegiado! Lá se foram 11 anos de tramitação no STF e o senador Renan Calheiros (MDB) - que responde outros 14 processos - se livrou da acusação de peculato. Daqui, o deputado federal Vander Loubet (PT) é o campeão: 4 inquéritos por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, peculato, crimes contra a ordem tributária e falsidade ideológica federal. Se reeleito levará de barriga até a prescrição. Depois reclamam que o presidenciável Bolsonaro (PSL) disparou.

ZÉ TEIXEIRA Aos 78 anos de idade – já na condição de bisavô como ele fez questão de frisar – o deputado estadual do DEM acabou preso pela Polícia Federal por 5 dias. Convenhamos – sem discutir o mérito da questão – irreparável sob o ponto de vista da honra para qualquer cidadão de bem. Embora tenha feito uma defesa interessante da tribuna da Assembleia Legislativa, sempre haverá questionamentos neste clima eleitoral em que vivemos. É o ônus que o homem público paga nestas circunstâncias.

SEM GRAÇA Eleições sem cartazes, comícios, faixas e barulho não passam entusiasmo ao eleitor. Já presenciei o trabalho de cabos eleitores para adesivar carros nas ruas da capital. Até fiquei com pena deles. Raramente os motoristas permitem – ainda assim exigindo um adesivo pequeno, discreto. Se o leitor prestar atenção vai verificar que os carros estão circulando sem ostentar propaganda. Sinal que os políticos estão em baixa e que pode vir vingança nas urnas.

DE NOVO Os marqueteiros copiam os modelos uns dos outros ou ainda repetem bordões e os famosos programas de governos estaduais dos mais diferentes Estados. No passado adotaram aqui aquele bordão do ‘Maluf faz!” trocando apenas o nome do candidato. Aliás, em vários Estados foi utilizada a mesma estratégia publicitária. Quanto mais promessa melhor, ainda que utópica. Tenta-se passar a ideia de planejamento. Tudo verdades de Primeiro de Abril.

JR. MOCHI Tentará eleger alguns deputados estaduais ou priorizar a salvação do senador Moka (MDB) da degola? A inquietação no palanque emedebista é visível. Pode haver briga de foice para as poucas cadeiras que restam na Assembleia Legislativa. Cada qual faz suas contas para a chegada. Pelo menos dinheiro do fundo partidário não deve estar faltando já que o partido recebe gorda fatia.

PETISTAS A candidatura de Zeca do PT ao senado ajuda um pouco os candidatos a deputado estadual, mas não consegue ter a força suficiente para garantir-lhes a eleição. Para piorar, o candidato Amaducci (PT) ao Governo continua patinando com um discurso desgastado e sem grandes atrativos. O deputado João Grandão (PT) condenado em segunda instância no episódio ‘Sanguessuga’ sonha em reverter o quadro.

NOVO PFL? O extinto PFL (Partido da Frente Liberal) já foi muito forte aqui no Estado. Gente com mandato, disputando eleições e com muitos prefeitos espalhados pelo interior. Mas as derrotas e as estratégias erradas de suas lideranças nacionais e regionais jogaram o partido no buraco. Já tem gente falando que o MDB – dependendo do resultado das urnas – pode seguir o mesmo caminho do PFL.

JUIZ ODILON As pesquisas recentes mostraram – apesar de sua pouca estrutura de campanha e do pouco tempo na televisão e rádio - o candidato pedetista logo atrás do candidato Reinaldo Azambuja (PSDB). Seus partidários apostam no seu crescimento nesta reta final de campanha em decorrência dos eventuais estragos da chamada Operação Vostok. Aliás, o candidato apresenta um desempenho melhor na telinha do que na fase inicial da propaganda. Isso conta.

TUCANOS O candidato Reinaldo (PSDB) demonstra fôlego nas andanças pelo interior, acompanhado por postulantes à Assembleia Legislativa, Câmara Federal e Senado. Para seus assessores de campanha não há dúvida: o governador será beneficiado pela votação de seus companheiros nas eleições proporcionais. Mas ainda não se tem uma aferição exata das consequências eleitorais da Operação Vostok, embora ele tenha sido contundente e ágil na abordagem do fato junto à imprensa.

DELCÍDIO DO AMARAL A candidatura do ex-senador eleito pelo PT vai eventualmente beneficiá-lo em que? Essa fobia em recuperar o prestígio e participar destas eleições pode sim atrapalhar seus planos e até sepultar sua carreira. Perdendo agora seria Secretário de Estado do futuro Governo? De qual Governo? Como participaria das futuras eleições municipais? Como candidato a prefeito da capital?

A DINÂMICA da política tirou-lhe o espaço e Delcídio (PTC) perdeu a identidade partidária e hoje não tem inclusive grupo político. Acreditar na gratidão dos prefeitos que ajudou como senador é ingenuidade. Os prefeitos não olham para traz. Focam as benesses de quem tem maiores chances de se eleger. Quanto a sucessão na capital o quadro futuro está delineado com os personagens já escalados.

ENFIM... Delcídio acabou estigmatizado como petista fazendo a defesa do Governo Dilma Roussef (PT) e pelo episódio de sua prisão. Retirar essa impressão ou imagem do imaginário popular é difícil ou demorado. Como se diz: nem sempre uma decisão judicial limpa a honra do cidadão. Por analogia pergunto: será que os políticos presos na ‘Operação Lama Asfaltica’ serão os mesmos ao recuperarem a liberdade?

ESQUECIDO Não vejo passeatas ou faixas nas ruas da capital pedindo sua libertação. Bastaram dois meses de prisão para que o ex-governador Puccinelli (MDB) sumisse do cenário eleitoral. O mito esvaiu-se. Deputados companheiros do MDB de saia justa - evitam abordar o episódio da sua prisão. A exceção nesta semana foi o deputado Paulo Siuffi (MDB) que na Assembleia Legislativa taxou o episódio de covarde. ‘Tá bom – entendi! Palavras ao vento.

EM ALTA Além de competência é preciso ter sorte na política. Esse binômio se encaixa no ‘Clã Trad’ nestas eleições. O deputado Fabio Trad (PSD) estourando nas pesquisas e seu irmão Nelsinho (PTB) liderando a corrida ao Senado. Ambos foram prejudicados nas eleições de 2014: Fábio pela estratégia de Puccinelli em eleger Carlos Marum (MDB) e Nelsinho pelo jogo que deveria favorecer por tabela Delcídio do Amaral.

À FORRA A classe média, que paga a conta, que os lulopetistas chamam de ‘coxinha’, saiu do comodismo. Com as instituições (Judiciário via STF) desacreditadas, corrupção consentida e generalizada, resolveu dar um basta no modelo social democrata. Azar de Alckmin (PSDB), Álvaro Dias (Podemos), Henrique Meirelles (MDB), Amoedo (Novo) que não representam as mudanças que a população clama. Chutar literalmente o pau da barraca e votar em Jair Bolsonaro (PSL) tem sido a opção crescente como mostram as pesquisas. Impressiona a garra, a gana em derrotar Lula e Cia.

CLAMOR PÚBLICO É o fator que vai pesar nestas eleições. Esse descontentamento, indignação por cada decisão do Supremo Tribunal Federal colocando políticos e empresários safados em liberdade, fortalece a candidatura e o discurso de Bolsonaro em prol de mudanças radicais. Portanto, neste aspecto, o ministro Gilmar Mendes (STF) tem sido um cabo eleitoral de primeira hora em prol de Bolsonaro. Por analogia, quem não aderir ao discurso da moralidade nas eleições estaduais, pode pagar caro nas urnas.

DEMOCRACIA Todos querem, mas sem a corrupção deslavada que se instalou no país nos últimos anos. Essa é a realidade sem retoques mostrada no noticiário do dia a dia. Esse discurso de que Bolsonaro quer reimplantar o regime militar não passa de prosopopeia ‘esquerdopata’. Nunca se roubou tanto dos cofres públicos como agora. Indiretamente – como fez o ex-governador Sergio Cabral (MDB) – matou muita gente por falta de socorro médico.

ALERTAS Ao longo das colunas o cronista mostrou as possíveis mudanças comportamentais do eleitor: silencioso, faca nos dentes, raivoso, incrédulo e vingativo. Neste momento em que serventes de pedreiro nas obras ou empregadas domesticas dominam o celular, quebraram os grilhões, amarras do coronelismo ou voto de cabresto. Uma charge, mensagem, denúncia ou notícia sobre políticos corruptos alimenta a cabeça para a escolha do candidato. Tchau e benção!

EVANGÉLICOS A bancada evangélica no Congresso, nas Assembleias Estaduais e Câmaras Municipais – somadas as lideranças das igrejas espalhadas pelo Brasil afora, constituem hoje uma força incontestável em prol de Bolsonaro. O pastor Silas Malafaia por exemplo, está nas redes sociais fazendo pregação contra os ‘esquerdistas’ por defenderem teses contra a religião e os valores tradicionais da família. E como contesta-lo? Não é fácil. Até a ala progressista da Igreja Católica – aliada da esquerda – de saia justa.

BAÚ FORENSE: A comarca de Paranaíba foi criada na época do Império em 1873 e instalada em 1874 quando o Tribunal da Relação da Província de Mato Grosso era composto por 4 desembargadores e possuía penas 5 comarcas: Cuiabá, Corumbá, Cáceres, Diamantino e Sant’Ana de Paranaíba. Sua jurisdição abrangia entre outros, os territórios atuais de Inocência, Cassilândia, Chapadão do Sul, Costa Rica, Paraíso, Camapuã, Coxim, Aparecida do Tabuado, Três Lagoas, Selvíria, Água Clara, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita, Brasilândia, Bataguassu. O distrito de Paranaíba foi criado em 1838 e subordinado a Comarca de Mato Grosso com sede em Cuiabá. Em 1850 o distrito foi incorporado ao município de Corumbá e em 1857 elevado a município.

“A política ama a traição, mas abomina o traidor” (Leonel Brizola)

Comentário

POLÍTICA Ela sempre foi feita com meias verdades e mentiras inteiras. Mas com a tecnologia nas comunicações isso ficou latente. O papel do facebook, é forte para denunciar, mentir, agregar, propagar ideias irônicas e agressivas. A tal ‘margem de erro’ das pesquisas, por exemplo, ironizada numa postagem com a foto da cantora Gretchen, mas identificada como a atriz Angelina Jolie!

PESQUISAS Assunto batido mas atual. Quem está em desvantagem chia criticando critérios e incoerências nas comparações dos itens. Pergunta-se: pesquisas manipuladas decidem as eleições? Influenciam no eleitorado até então indeciso que não quer perder o voto? O pelotão de indecisos não seria muito maior nestas eleições do que nos pleitos anteriores? Mas as ‘surpresas’ havidas em outras eleições reforçam essa desconfiança.

ENFIM... É grande a possibilidade de termos um percentual recorde de votos brancos e nulos, além daqueles que simplesmente não se sentem motivados a sair de casa para votar. Claro que isso acabará favorecendo os candidatos estruturados, com mandato e que estão expostos na mídia, tendo, portanto, maior visibilidade. Essa diminuição do horário eleitoral houve só para proteger os políticos veteranos. O resto é conversa fiada.

A NOTÍCIA de que os medalhões do MDB já conversam com o pessoal do PT é uma prova da continuidade do sistema corrupto para derrotar a Lava Jato inclusive. Se você verificar a lista dos investigados e daqueles que poderão cair na malha da justiça, não terá dúvidas de que não há interesse em moralidade administrativa. Esse é o Brasil que você quer? Dane-se então!

E AGORA? É a pergunta inevitável após a operação Vostok da Polícia Federal que sacudiu o cenário eleitoral. As prisões – principalmente - do deputado Zé Teixeira (DEM), do conselheiro do Tribunal de Contas Marcio Monteiro, de Rodrigo Souza e Silva (filho do governador Reinaldo Azambuja) são as mais comentadas e fomentam especulações de toda espécie.

DESGASTES Para os observadores, após o ‘tsunami’ que invadiu a praia do MDB prendendo o ex-governador Puccinelli inclusive, o PSDB pode também sofrer efeitos devastadores se não reverter logo juridicamente a situação. O problema: a opinião pública tem a leitura pragmática dos termos que permeiam o universo ‘juridiquês’. Vai pesar também a postura do governador Reinaldo nesta prova de fogo.

COMPLICAÇÕES A primeira delas já deu as caras na Assembleia Legislativa onde foi apresentado pela candidata ao senado Soraya Thronicke (PSL) e seu suplente Danny Fabrício (PSL) – pedido de impeachment do governador Reinaldo. Evidente, o fato será explorado politicamente na tramitação, o que é próprio do legislativo. Mas o insucesso previsível do projeto não evitará os desgastes.

PREVISÕES O MDB aproveitará para endurecer o discurso ao estilo ‘Bolsonariano?’ As opiniões no saguão da Assembleia Legislativa são unânimes: não pode e nem deve fazer isso por razões políticas óbvias. MDB e PSDB são parceiros nos projetos administrativos, com os deputados emedebistas enaltecendo essa postura pela governabilidade. Aliás, ao visitar na Itália a igreja em Assis (terra de São Francisco de Assis), lembrei bem das relações políticas e de poder.

JUIZ ODILON O candidato ao Governo do PDT deve sim mudar o tom do discurso nas entrevistas e no horário eleitoral. Concorrente direto do candidato Reinaldo (PSDB) nas pesquisas – insistirá no mote do combate a corrupção para viabilizar educação, saúde e segurança. Aliás, isso já é feito de modo mais contundente pelos concorrentes Marcelo Bluma (PV) e João Alfredo (PSOL). Um filão que pode render votos.

‘ESCONDIDINHOS’ Aqui, dois partidos ‘esquecendo’ de seus respectivos candidatos a Presidente da República. A desculpa seria a regionalização do debate. Mas não é bem assim: o candidato Henrique Meirelles (MDB) pouco acrescenta ao partido no Estado e palidez do estilo de Alckmin (PSDB) não é aditivo energético de campanha. Na outra ponta o candidato Ciro Gomes (PDT) vem dando força notável à candidatura do Juiz Odilon (PDT) ao Governo. Combustível que vem de fora e que funciona bem.

LONDRES MACHADO No pleito de 2014 foi o cabo eleitoral dos 39.374 votos da filha Grazielle Machado (PSD) para a Assembleia Legislativa. Na capital foram 5.584 votos, Fátima do Sul 5.849 e Dourados 2.210. O tempo passou, mas o ‘Chinês’ – hoje no PSD – jamais perdeu o contato com suas bases onde tem bom trânsito, garantindo-lhe 12 mandatos. Ao Londres estaria reservado importante papel de articulador no futuro cenário eleitoral.

ESPERANÇOSO Estive com Dorival Betini (PMB) postulante ao Senado e que vem crescendo nas pesquisas. Aposta que possa continuar recebendo cada vez mais votos de eleitores ainda sem o 2º voto ao Senado definido ou sem identificação com seus candidatos ao Senado. Municipalista por excelência, ele transita bem em todos os segmentos da gestão pública. Sucesso.

ESTATURA O reconhecimento do fechado clube do Senado ao senador Pedro Chaves (PRB) mostra o seu preparo notadamente na área da educação. Após seu desempenho na relatoria da Reforma do Ensino Médio em 2017 e de projetos viabilizando recursos para implementação de escolas de tempo integral e elaboração do novo currículo escolar, foi guindado a presidência da Comissão de Educação. Anote: ele fará falta no Senado.

O PODER Gente poderosa nos camburões da polícia, exposição pública que denigre, a honra no lixo, a família em situação humilhante e o ressarcimento de dinheiro aos cofres públicos. Todos esses ingredientes compõem o quadro político brasileiro que mais parece um queijo tomado por ‘espertos’ sem limites, insaciáveis como mostram os casos de corrupção nos mais diferentes patamares da administração pública.

CORRUPÇAO Apesar de enraizada nos ‘negócios públicos’, só agora é vista com a grande praga a combater. Mas há fatores que favorecem a sua sobrevivência. É possível que os exemplos de punição rigorosa intimidem a sua prática, mas isso não será ‘vapt-vupt’. Exige sim a participação da população fiscalizando; do vereador que frauda as diárias de viagem à capital, ao empreiteiro da obra superfaturada ou de qualidade ruim.

RECLAMA-SE: ‘A justiça é lenta, acaba incentivando a corrupção’. Detalhe que precisa melhorar. Ainda agora tivemos o caso de Dourados, onde um episódio entre 1995 e 1997 naquela prefeitura municipal só agora foi resolvido - com os ex-prefeitos envolvidos, Braz Melo (PSC) e Humberto Teixeira (PV), condenados a ressarcir quantias consideráveis, além de pagamento de multa e perda de direitos políticos inclusive.

QUE SITUAÇÃO! Foram 23 anos com o processo se arrastando e causando aquela preocupação angustiante aos envolvidos. O desgaste emocional incomensurável e jamais recuperado mesmo se a condenação pecuniária envolvesse valor insignificante. Não é por acaso que os ex-prefeitos não escondem o temor pelas ‘pegadinhas’ que possam haver na futura apreciação das contas de suas gestões.

OUTRO CASO Só após 16 anos o TRE da 3ª. Região decidiu pela condenação do ex-prefeito Jr. Mochi (MDB) no caso da construção do aterro sanitário de Coxim (2.002), devendo pagar os valores referentes ao dinheiro da União gasto, com multa e correção. O total perto de R$ 2,5 milhões. Para observadores de plantão é estranha a decisão da corte justamente quando Mochi candidatou-se ao governo do Estado. Mero detalhe? Para pensar.

ATENTEM! O tempo em que os coronéis tocavam as prefeituras como se fossem suas propriedades é passado. A gestão pública tem suas regras que exigem conhecimento técnico. As verbas estaduais e federais oriundas de convênios por exemplo, precisam ser aplicadas com critério sob risco de incorrer em penalidades. Esse, apenas um ângulo da gestão pública, caracterizada pela burocracia, carimbos e prazos.

BAÚ FORENSE A Comarca de Sta Cruz de Corumbá, criada em 1873 e instalada em 19/02/1874, abrangendo Ladário e Albuquerque. A sua história inicia com a construção do Forte Coimbra em 1775 e a fundação do povoado de N. Senhora da Conceição de Albuquerque em 1778. Em 1862 foi elevado a Vila; em 1865 foi arrasada pelas tropas paraguaias e retomada em 1867 pelo cel Antonio M. Coelho. Em 1871 foi restaurado o município de Corumbá. O Juiz titular em 1964 era Antonio Luiz Fraga Moreira.

“A arrogância que vem do poder é a mais desagradável” (Cícero)

Comentário

NA POLE A derrota nas eleições de 2014 não causou estragos no patrimônio eleitoral do ex-prefeito Nelson Trad (PTB). Pelas sondagens e pesquisas eleitorais é o favorito a conquistar uma cadeira no Senado, apoiando a reeleição do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e Geraldo Alckmin (PSDB) para a presidência da República. Como se diz: a colheita é proporcional ao plantio.

SOCORRO! Como era previsto, os políticos do MDB ‘órfãos’ do ex-governador Puccinelli (MDB) com dificuldades para a eleição da Assembleia Legislativa. Numa análise inicial, tendo por critério as pesquisas e suas respectivas bases eleitorais, teriam chances apenas Marcio Fernandes, Renato Câmara, Eduardo Rocha e Paulo Duarte. Enfim, tudo vai depender da conjugação de uma série de fatores.

SUMIDA A senadora Simone Tebet (MDB) não tem dado a ar da graça nestas eleições. Pelo menos até aqui. Tudo bem que o Senado toma-lhe muito tempo, mas neste inferno astral onde o presidente do partido e seu padrinho ao Senado – André Puccinelli – continua na cadeia, esperava-se uma participação mais efetiva dela. Mas pergunto: qual seria o discurso dela? Ela tem noção do quadro. A política como ela é.

ESTRATÉGIA Mudar o slogan de campanha, trocar as cores dos cartazes de propaganda e esconder ao máximo a figura do ex-governador Puccinelli é o eixo da campanha do candidato Jr. Mochi (MDB) até aqui. A julgar pelo que se vê e ouve junto a opinião pública, não tem produzido resultados satisfatórios, sob risco inclusive de ficar fora de eventual segundo turno. E convenhamos que a imagem do partido – como um todo (nacionalmente) - ficou horrorosa. ‘Nem com sangue de Jesus’ limpa’.

E MAIS... A situação segue igual na disputa pelas vagas na Câmara Federal. Até aqui apenas o deputado George Takimoto (MDB) teria chances (sem garantias) de vitória. Já para o Senado o candidato a reeleição Moka (MDB) vem tendo um desempenho pouco convincente nas pesquisas e pelos números atuais perderia a vaga para o candidato Zeca do PT. Evidente que o petista pode até ser condenado no julgamento do dia 16 de outubro no Tribunal de Justiça do Estado. Bem, mas isso é outra história. Como se diz: uma agonia por dia.

LAMENTOS &ARGUMENTOS Percebi: nas cidades do interior os políticos alinhados ao ex-governador Puccinelli tentam passar à opinião pública uma versão mirabolante a respeito da sua prisão, atribuindo aos adversários a culpa. Em momento algum fazem referências aos motivos divulgados na mídia. Ora! Não se pode desprezar a evolução na informática com notícias e imagens em tempo real nos celulares em todo o país. As porteiras dos currais eleitorais foram literalmente quebradas.

PESSOALIDADE Não é fácil eleger um poste, como fez o ex-presidente Lula. Prestígio pessoal é algo de pele associado à personalidade do político que tem valor e um bom currículo. Compare por exemplo o desempenho do candidato ao Senado Zeca do PT com o desempenho de seu candidato ao Governo Humberto Amaducci (PT). A distância dos números é muito grande e corrobora a tese de que a política exige luz própria. Portanto, nem sempre se consegue ir no vácuo do outro candidato.

PROJEÇÕES São os ecos de campanha que ressoam nas pesquisas eleitorais. Em 1989 o candidato Leonel Brizola (PDT) perdeu as estribeiras em Campo Grande com a saudosa jornalista Denise Abraham e o fato custou-lhe a eleição. Em 2002 foi a vez do candidato ao Planalto Ciro Gomes (PDT) que foi infeliz ao falar do papel de sua então companheira Patrícia Pilar na campanha. Disse: “Dormir comigo é um papel fundamental”. Em uma semana despencou e ficou fora do segundo turno.

OS EXEMPLOS acima são emblemáticos, ocorreram em eleições presidenciais, mas outros fatos envolvendo políticos – candidatos ou apoiadores – podem alterar as previsões otimistas em início de campanha. E hoje, onde todo o cidadão municiado de um celular é um repórter em potencial – nada escapa. Um sururu ou escândalo ocorrido numa ponta de vila qualquer ou num distrito distante acaba virando notícia e sendo explorado politicamente. Enfim, candidato não tem direito nem de reclamar do cachorro que atravessou a rua a sua frente. Sabe como é...

JUIZ ODILON Seus partidários mais próximos apostam que o candidato do PDT vai concorrer no segundo turno contra o governador Reinaldo (PSDB). Levando-se em conta o desempenho do candidato Mochi (MDB) até aqui efetivamente Odilon teria mesmo chances. A prisão do ex-governador André (MDB) de fato fortaleceu o discurso do juiz Odilon contra a corrupção, mas para ganhar uma eleição existem outros ingredientes imprescindíveis., tal qual o fermento na feitura do pão.

DESEMPENHO Em 2014 a deputada Mara Caseiro (PSDB) obteve 23.532 votos espalhados por todos os municípios. Suas maiores votações: Eldorado 2.329 votos, Campo Grande 2.327, Mundo Novo 1.857, Sete Quedas 1.436, Amambai 1.265, Itaquirai 1.185, Iguatemi 1.183, Paranhos 1.114, Bela Vista 858, Naviraí 851, Batayporã 636, Chapadão do Sul 621, Tacuru 527, Costa Rica 481, Bataguassu 396, Nova Andradina 345, Rio Brilhante 344, Corguinho 344, Bonito 299, Anaurilândia 298.

ANÁLISE O leitor menos avisado poderia questionar: como uma candidata com base eleitoral na pequena Eldorado, onde foi prefeita, pode somar votos em regiões distantes? Explica-se pelo seu trabalho cuidando dos interesses destas cidades, suas relações com vereadores, prefeitos e lideranças, além de conseguir liberação de recursos estaduais e federais. Exige muita articulação e desprendimento do agente político. É assim que funciona para a maioria dos parlamentares vindos do interior.

‘PROIBITIVOS’ Assim eram vistos alguns temas perante a opinião pública. A questão do suicídio é um destes assuntos delicados que teimamos em ignorar, apesar das pesquisas, onde a média nacional é de 8,7% contra 13,3% aqui no Estado entre 2011 e 2016, com 62.840 suicidas no país. O deputado Fábio Trad (PSDB) acaba de apresentar projeto interessante de prevenção ao suicídio e que deve receber adesão dos colegas independentemente de partido, porque a vida é superior a todas divergências.

BOLSONARO Com o ex-presidente Lula (PT) fora da disputa, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) assume outro papel neste cenário eleitoral. As projeções indicam o confronto em desvantagem com Ciro Gomes (PDT) no segundo turno. Mas não há garantias de que as projeções ocorram sem mudanças. Bolsonaro tenta capitalizar toda a indignação contra a roubalheira, a insegurança e as injustiças. Isso pesa no imaginário popular de um povo com medo e com o saco cheio. Pergunte por exemplo a opinião de um ‘frentista’ de posto de gasolina.

MARINA SILVA Lembra uma figura messiânica pregando o evangelho ou algo parecido. Faltaram apenas o bastão e o véu cobrindo a cabeça. Sua imagem, sua voz não passam energia e nem animam. A candidata da Rede não falou a que veio e não tem propostas – apenas reflexões comuns. No fundo trata-se de uma petista sem espaço no PT. Leva mais jeito para Maria Tereza de Calcutá ou Irmã Dulce.

PAULO CORREA (PSDB) chegou aos 39.540 votos em 2014 também votado em todas as cidades. Na capital foram 7.273 votos. Paranaíba 1.929, Miranda 1.802, Chapadão do Sul 1.549, Aral Moreira 1.536, Cassilândia 1.256, Bonito 1.153, Caracol 1.080, Bataguassu 1.059, São Gabriel do Oeste 1.121, Pedro Gomes 1.050, Aparecida do Taboado 1.037, Inocência 960, Ponta Porã 959, Guia Lopes da Laguna 947, Rio Brilhante 840, Ribas do Rio Pardo 800, Iguatemi 717, Bela Vista 680.

AVE MARIA! Quem diria! Depois que o presidente Michel Temer (MDB) postou nas redes sociais aquele discurso duro contra Geraldo Alckmin (PSDB) não se pode duvidar de mais nada nesta campanha que promete novos embates sensacionais. O eleitor de mediana inteligência já pode fazer uma previsão da guerra no final do primeiro turno e durante a campanha do 2º turno.

RENATO CÂMARA (MDB) totalizou 36.903 votos no pleito de 2014 e sua maior votação foi em Ivinhema onde foi prefeito. Foram 5.717 votos. Em seguida aparecem: Dourados 4.487, Nova Andradina 4.127, Campo Grande 3.328, Batayporã 1.138, Vicentina 902, Juti 888, Guia Lopes da Laguna 780, Anaurilândia 775, Angélica 747, Bela Vista714, Naviraí 678, Deodápolis 684, Bonito 681, Bodoquena 574, Coronel Sapucaia 527, Porto Murtinho 479. O deputado foi votado em todas as cidades.

INDEPENDÊNCIA Só recentemente consegui visitar o Museu do Ipiranga, realizando um sonho de criança. Mas confesso que fiquei um tanto decepcionado com o acervo que considerei pobre do ponto de vista histórico. E neste momento de cobranças devido a tragédia do Museu Nacional no Rio de Janeiro, fico perguntando aos meus botões: qual o percentual de brasileiros que visitaram o Museu do Louvre em Paris – por exemplo – também foram conhecer o nosso Museu do Ipiranga? Perguntar não ofende.

BAÚ FORENSE Criada em 1915, a comarca de Ponta Porã foi instalada em 13/06/1916, com jusrisdição em Sanga Puitã, Laguna Carapã, Antonio João e Aral Moreira. Emílio Calhau – agente fiscal – teria sido em 1891 o primeiro morador da sede do município. Elevado em 1900 a Distrito e 1912 a município. Com a criação do Território Federal de Ponta Porã a cidade foi capital do mesmo. Em 1968 o juiz titular daquela Comarca era Athayde Nery de Freitas.

Comentário

RETROSPECTIVA No 2º turno do pleito de 2014 Reinaldo Azambuja (PSDB) obteve 741.516 votos (55,34% ) para governador. Na capital obteve 289.862 votos ( 63,59%) - Dourados 67.386 votos (60,66%) e Três Lagoas 28.616 votos (55.32%). Mas foi em Cassilândia onde chegou ao melhor desempenho proporcional com 69,48%. Reinaldo não venceu em 28 cidades e a maior delas foi Corumbá obtendo apenas 11.692 votos (23,95%).

CONFIRA essas cidades: Água Clara 44,08% – Amambai 49,40% - Anastácio 45,46% - Anaurilândia 48,40% - Angélica 49,85% - Aral Moreira 39,79% - Bandeirantes 48,98% - Bataguassu 47,53% - Batayporã 45,00% - Bodoquena 47,76% - Coronel Sapucaia 45,98% - Coxim 44,56% - Dois Irmãos do Buriti 38,56% - Fátima do Sul 49,68% - Guia Lopes da Laguna 48,53% - Itaquiraí 45,59% - Japorã 33,32% - Jatei 42,97% - Juti 37,23% - Ladário 27,62% - Miranda 47,28% - Nioaque 47,93% - Nova Alvorada do Sul 43,07% - Nova Andradina 48,67% - Novo Horizonte do Sul 47,13% - Paranaíba 48,16% - Paranhos 43,02% - Pedro Gomes 48,30%.

ATENÇÃO Não custa lembrar: eleição não se ganha apenas com nome. Vale o reconhecimento de seu valor. E aí deve sair faíscas na briga pelas 24 vagas da Assembleia Legislativa, onde peixões graúdos podem literalmente dançar. O deputado José Carlos Barbosa (DEM) admitiu a concorrência até na coligação pró Reinaldo que deve eleger entre 16 a 18 parlamentares. Inevitável a renovação superior a 50%.

EXPECTATIVA Caso o ex-governador Puccinelli (MDB) tenha deferido seu pedido de ‘habeas corpus’ junto ao TRF da 3ª. Região na segunda feira (3), ele se recolherá ao aconchego familiar para se recompor ou se juntará de imediato aos companheiros do partido em campanha para o governo estadual - buscando inclusive uma vaga na Câmara Federal que lhe garanta o foro privilegiado? Seus partidários apostam na segunda hipótese.

A DÚVIDA reinante nas conversas do saguão da Assembleia Legislativa: o ex-governador Puccinelli – preso desde o dia 20 de julho – se conquistar a liberdade seria beneficiado eleitoralmente pelo fenômeno da vitimização ou – diante das denuncias pela eventual pratica de corrupção apresentadas pelo Ministério Público Federal – estaria simplesmente estigmatizado?

OBSERVADORES entendem que Puccinelli teria, sim, condições de se eleger deputado federal, mas ao mesmo tempo acham que dificilmente ele seria o elemento decisivo para reverter os números das primeiras pesquisas divulgadas e assim levar o candidato Jr. Mochi a vitória nestas eleições. Evidente: eleição é igual casamento, você só sabe como ele se inicia.

CUIDADOS Os companheiros do ex-governador Puccinelli apostam no retorno dele aos palanques, eletrônicos ou não. Ouvi pelos corredores da Assembleia Legislativa de que alguns partidários pedem respeito pela situação constrangedora dele (André) já que não se configuraria a condição de simples preso político. E mais, os efeitos psicológicos da prisão são devastadores em qualquer idade. Os estudos de especialistas mostram isso.

‘LIGHT’ Pelo teor das entrevistas e em várias manifestações, pode-se dizer que a campanha ao governo do candidato Jr. Mochi (MDB) tem sido de reflexões inteligentes sobre o passado, presente e futuro do Estado. Articulado e com boa receptividade em vários segmentos sociais, JR. Mochi parece ter a noção exata do atual cenário que lhe é desfavorável, mas nem por isso se envereda pelas agressões verbais. Não há como negar-lhe esses méritos.

RETROVISOR-1 Em 2014 o deputado estadual Rinaldo Modesto (PSDB) obteve 29.386 votos. Votado em todas as cidades chegou aos 17.587 votos na capital - 660 em Chapadão do Sul - Fátima do Sul 537, Dourados 516 - Paranhos 513 - Nova Alvorada. do Sul 473 - Aquidauana 463 - Bataguassu 413 - Paranaíba 391 - Três Lagoas 364 - Corumbá 345 - Deodápolis 343 - Maracaju 341 – Glória de Dourados 297 – Costa Rica 276.

COERÊNCIA Candidato ao governo estadual, João Alfredo Daniezi (PSOL) agrada pela sua visão. Ataca as falhas aproveitando-se de sua capacitação na advocacia e aponta soluções sem a varinha mágica de campanha. Sua trajetória ética em Ribas do Rio Pardo, renunciando ao cargo de vice-prefeito por discordar com eventuais desvios do prefeito mostra seu caráter. João Alfredo parece-nos mais ponderado e preparado do que o próprio Boulos, candidatos a presidência da república pelo PSOL. Penso eu.

RETROVISOR-2 O deputado estadual Pedro Kemp (PT) chegou aos 20.174 votos em 2014. Na capital foram 9.474 votos e a segunda votação em Caarapó com 1.260 votos. As maiores: Dourados 582 - Sonora 555 - Aquidauana 510 – Três Lagoas 470 - Rio Verde de Mato Grosso 465 - Ponta Porã 399 - Coronel Sapucaia 338 – Nioaque 312 – Paranaíba 283 - Coxim 261 - Itaquiraí 250 – Bonito 251 - Anastácio 248.

CRITÉRIOS Quando a imagem da TV mostra o cenário da Câmara, o telespectador menos avisado leva um susto: é gente demais – 548 parlamentares. A dúvida é unânime: será que se trabalha de fato ou não passa de mera ‘moagem’? Pela notícia de que só 41 deles comparecem todos os dias no primeiro semestre, o ideal seria a troca dos faltosos nestas eleições. Como justiça, os deputados assíduos merecem continuar. Nosso representante nesta seleta lista dos 41- Fábio Trad (PSD), além de assíduo, tem sido motivo de orgulho para seus eleitores. Ou não.

RETROVISOR-3 Foram 20.585 votos que elegeram o deputado estadual Amarildo Cruz (PT) em 2014, dos quais 5.559 só em Campo Grande e 2.181 em Bataguassu. As outras principais cidades: Rio Verde de Mato Grosso 978 – Japorã 847 – Nova Alvorada do Sul 827 – Camapuã 771 - Santa Rita do Pardo 661 – Brasilândia 627 - Porto Murtinho 367 – Sidrolândia 350 - Selvíria 322 – Bela Vista 283 – Corumbá 252.

É GUERRA Eu tenho dito que campanha eleitoral não é festa onde você ouve ou dança a música que quiser. Ingredientes apimentados, indigestos, aparecem e provocam estragos. A denúncia contra o candidato Odilon de Oliveira (PDT) a respeito de sua conduta como juiz federal, a exemplo da prisão de Puccinelli, é um artefato de alto poder explosivo. Mas tudo vai depender de como a opinião pública irá recepcionar essa notícia em plena campanha eleitoral. Portanto, é esperar.

RETROVISOR-4 Em 2014 o deputado estadual Maurício Picarelli (PSDB) foi reeleito com 22.326 votos dos quais 13.399 na capital e 1.598 votos em Coxim. Outras cidades: Miranda 517 votos - Ribas do Rio Pardo 391 - Rio verde de Mato Grosso 369 - Corumbá 329 - Ladário 315 – Porto Murtinho 295 – Rio Brilhante 275 – Três Lagoas 270 - São Gabriel Do Oeste 255 – Camapuã 245 – Bonito 235 – Nioaque 224.

BOLSONARO O candidato à presidência pelo PSL está em alta após interrogatório no Jornal Nacional. Nervosos, os entrevistadores cometeram sucessivas gafes e não deram espaço para o entrevistado falar. Os episódios da cartilha infantil, da troca do ano 2018 por 2021 pelo jornalista Willian Bonner e o apoio da Globo ao Regime Militar de 1964 bombando na internet.

HOMENAGEM Fui a inauguração do Ceinf construída pela prefeitura da capital no Jardim Centenário e que leva o nome do ex-deputado Valdomiro Gonçalves. Muita emoção na primeira homenagem deste tipo prestada ao saudoso parlamentar que sempre defendeu a educação e incentivou o caminho da escola nas suas relações políticas. O prefeito Marcos Trad (PSD) consegue agregar apoio e simpatia em cada ação administrativa. Político bom é assim.

PEDRO CHAVES Impressiona a postura do senador Pedro Chaves (PRB). Apesar de ter desistido de concorrer a reeleição ele continua recebendo prefeitos, vereadores e lideranças que buscam sua intervenção em áreas diversas. Na semana passada, por exemplo, ele esteve em Paraíso das Águas na entrega de 100 casas, onde sua atuação foi decisiva para a concretização. A visão de Pedro Chaves vai muito além do cargo.

MEMÓRIA FORENSE A Comarca de Bela Vista foi instalada em 14 de junho de 1911 com jurisdição em Caracol. Finda a Guerra do Paraguai a região foi povoada à margem do rio Apa sob a liderança de José Lemes Bugre. Em 1900 foi elevado a Distrito e logo em 1908 a Município. Anote-se: de 1943 a l946, o município de Bela Vista integrou o Território Federal de Ponta Porã. Em 1967 o juiz da Comarca era o dr. Athayde Nery de Freitas.

NO QUEIJO Pelas notícias e números de algumas pesquisas o filho do apresentador Ratinho – Ratinho Jr – pode se eleger governador no Estado do Paraná. Deputado ao estilo populista, Ratinho – que começou desacreditado – simplesmente corroeu candidaturas de personagens tradicionais tidos como favoritos.

Na internet:
Nem toda ligação de presídio é golpe. Pode ser alguém pedindo o seu voto

Comentário

LAMENTÁVEL Agosto é especial para os advogados pelo dia 11 - em homenagem também a criação em 1.827 dos primeiros cursos de Direito. Aqui no Estado, os advogados estão preocupados pelo envolvimento de ‘colegas’ em crimes diversos, com alguns deles já na cadeia, criando até um clima de constrangimento e desgaste da classe aos olhos implacáveis da opinião pública.

A COMENTADA construção da ala prisional exclusiva aos advogados (na capital) mostra a realidade; é a gota d’água. Advogados não podem apenas priorizar as suas prerrogativas, ignorando os seus deveres. A OAB - além de proteger seus afiliados, deve também puni-los para não ser vista como corporativista pela sociedade - que as vezes critica sua interferência em determinados assuntos ou episódios.

DUAS CITAÇÕES para homenagear Campo Grande pelos seus 119 anos. A primeira do escritor italiano Ítalo Calvino: “A cidade é uma para quem a olha pela primeira vez; a cidade é outra para quem chega para ficar; outra ainda para quem sabe que nunca a vai deixar”. A outra pérola é do escritor argentino Jorge Luiz Borges: “um homem é seu país, sua cidade, seu bairro, sua rua, sua casa, seus vizinhos e seus amigos”.

DR. ODILON A decisão do Conselho Nacional de Justiça em retirar em parte seu direito a proteção pessoal acabou inserido na campanha do candidato do PDT ao Governo do Estado. Mas há dúvidas se o fato trará prejuízos ou benefícios à medida que o eleitor interpretar o fato. Até aqui é uma candidatura sem barulho, diferente, que por si só motiva a preocupação da concorrência nestes dias de incertezas.

PERALÁ!!! A propalada nomeação do ministro Carlos Marun da Secretaria de Governo da Presidência da República para o Tribunal de Contas da União não seria favas contadas. A indicação eventual de seu nome teria que passar pela aprovação na Câmara Federal e depois referendada pelo Senado. Neste cenário de turbulências, conchavos e outras práticas próprias do poder, o presidente Temer (MDB) poderia ter dificuldades para viabilizar o nome do atual ministro. Haveria outra saída para compensar a fidelidade de Marun ao Governo?

ALPINISTA Quem acompanha o cenário político observa: Marcos Trad (PSD) vem acertando em seus movimentos. Lá atrás saiu do MDB e escapou da vingança do ex-governador Puccinelli (MDB) ao se eleger prefeito da capital e mudou o quadro estadual com vistas ao futuro. Parceiro do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), Marcos Trad fez outro gol de placa: a adesão do ex-deputado estadual Londres Machado que entrou para a sigla (PSD) para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa em substituição à filha, deputada Grazielle Machado (PSD).

ALPINISMO Não se pula de paraquedas caindo bem no cume da montanha. Na política – por analogia – também! Imagino que Londres com seus 44 anos de vivência terá um papel especial como articulador junto as atuais e novas forças políticas advindas destas próximas eleições. Se o governador Reinaldo conseguir a reeleição, Londres Machado - como deputado e Marquinhos prefeito - poderão construir um projeto bem mais forte do que os concorrentes viabilizando inclusive a eleição de Marcos Trad a governador. Enfim, o jogo está sendo jogado.

ECLIPSE A situação do MDB no Estado pode ficar delicada caso o seu candidato Jr. Mochi perca as eleições para governador e o senador Moka não se reeleja. A primeira vista, sobraria apenas a senadora Simone Tebet (MDB) com representação efetiva em todo o Estado, já que o ex-governador Puccinelli (MDB) enterraria de vez suas pretensões políticas. Além do mais, no maior colégio eleitoral – Campo Grande – o MDB não está bem pelo desempenho de seus candidatos nas ultimas eleições municipais. Também não há lideranças à caminho, mesmo porque a sigla está desgastada também em nível nacional. Sem atrativo!

REUMATISMO Não há como esquecê-lo quando se olha a cúpula do governo federal reunida, a começar pelo próprio presidente Temer (MDB). Grande parte dela saiu dos quadros do MDB que se renovou apenas com a retirada do P da denominação anterior. Por extensão, nos Estados, a ‘virose’ do continuísmo com soberba sobreviveu como no Mato Grosso do Sul onde o ex-governador Puccinelli comandou a sigla. Os descontentes ao longo do caminho migraram para outros partidos.

‘RETROVISOR-1’ Vereador em Jales (SP) por dois mandatos, Onevan de Matos (MDB) mudou-se em 1975 para Naviraí e em 1978 se elegeu deputado estadual como constituinte. Ele se reelegeu em 1982 e 1986; mas eleito prefeito de Naviraí em 1988 deixou o cargo em 31/12/88 para assumir a prefeitura entre 1989-92. Ainda disputou e venceu os pleitos de 1998, 2002, 2006, 2010 e 2014, estando no exercício do mandato no legislativo estadual pelo 9ª. vez com 24.822 votos recebidos no último pleito.

‘MINEIRINHO’ Nascido em Itapagipe (MG) o deputado Onevan tem espalhado sua influência em todas as regiões e no último pleito recebeu votos nos 78 municípios. Os principais: Naviraí 8.211 votos – Itaquiraí 1261 – Fátima do Sul 1146 – Campo Grande 1.108 - Sete Quedas 1094 – Deodápolis 747 – Selvíria 635 – Angélica 608 - Bela Vista 601 - Novo Horizonte do Sul 578 – Iguatemi 538 - Gloria de Dourados 535 – Ponta Porã 492 – Eldorado 448 - Aparecida do Tabuado 438 - Nova Andradina 382.

INTERESSANTE Até aqui o Governo Estadual construiu mais de 100 pontes de concreto em todas as regiões e nenhuma delas sofre investigação. A mais emblemática delas, com 80 metros de largura e custando R$ 4,2 milhões, sobre o Rio Santo Antônio (Guia Lopes da Laguna) substituiu a ponte de concreto (inaugurada em abril de 2012 na gestão anterior) que caiu como dominó nas chuvas de 2016 e virou notícia nacional com críticas e ironias até nos celulares. Dinheiro nosso levado pelas águas.

NA BANGUELA Pelo que deduzi das entrevistas dos candidatos e lideranças do MDB a única opção de discurso será o legado deixado pelo partido em suas gestões na capital e no Estado principalmente. Aí corre o risco do eleitor ligar o custo das obras as denúncias de corrupção apontadas pela justiça contra o ex-governador Puccinelli (MDB). Indaga-se: Se ele sair da cadeia a tempo de concorrer a Câmara Federal, qual será o ânimo dele? Mas há quem diga que tudo dependerá os números das primeiras pesquisas.

INDIFERENÇA Segundo as pesquisas realizadas em todas as regiões do país, o eleitor está indignado e desmotivado para votar nestas eleições. Os números variam de acordo com as regiões e o nível de escolaridade dos pesquisados. As previsões não são otimistas. Daí que esses números de preferência nas pesquisas precisam ser avaliados sempre levando em conta o contingente daqueles que tem a intenção de votar.

LÍDIO LOPES Natural de Iguatemi (MS) o deputado estadual Lídio foi eleito pelo PEN com 23.643 votos, tendo sido votado em todos os municípios, com Campo Grande sendo o principal reduto com 7.929 votos, seguido de Iguatemi com 2.369 votos. Outros municípios: Tacuru 606 votos – Paranaíba 527 – Três Lagoas 459 – Corumbá 414 – Sete Quedas 394 – Paranhos 382 – Navirái 382 - Nova Alvorada do Sul 354 - Miranda 345 - Nova Andradina 335 – Maracaju – 310.

NO TRECHO O conceituado médico Luiz Ovando tenta uma cadeira na Câmara Federal pelo PSL. Wilson Sami (MDB), vereador na capital é outro médico com o mesmo sonho. João Henrique, neto do ex-governador Marcelo Miranda, também busca uma vaga na Câmara pelo PR. Roberto Duraes, (PSL) advogado e ex-vereador na capital também postula uma cadeira na Câmara. Eleição é para todos.

BALANÇO FINAL De partido forte, o Partido da República perdeu a maioria de seus representantes. Os deputados Paulo Correia e Grazielle Machado deixaram a sigla, a exemplo do ex-deputado Londres Machado. Já o ex-deputado Antonio Carlos Arroyo (PR) desistiu de disputar a Assembleia Legislativa. Para piorar o ex-deputado Edson Giroto (PR) acabou preso. Sem outros nomes competitivos juntou-se ao MDB aumentando o tempo da coligação no rádio e TV. E só!

GUERREIRA Conheço a professora Evair Gomes Nogueira desde a emancipação de Costa Rica. Liderança respeitada, cedeu ao apelo do PSDB para disputar a Assembleia Legislativa. Defenderá a simpática bandeira em pról da cidade/região e o legítimo direito democrático de competir. Nestas horas é que se conhece a fibra e a fidelidade partidária dos políticos que marcam posição, independentemente das chances de vitória.

VAZIOS Como disse na edição anterior, abriu-se um espaço para deputado estadual no ‘Nortão’ do Estado. O deputado Marcio Fernandes (MDB) já entrou em campo para se aproveitar da nova realidade com a candidatura de Jr. Mochi (MDB) ao Governo. Carência de postulantes locais também em Aparecida do Taboado, Paranaíba, Cassilândia e Chapadão do Sul. Prefeitos, vereadores e lideranças aproveitam para estreitar laços com candidaturas baseados na identidade partidária e outras motivações.

INTERROGAÇÕES Candidaturas comentadas no saguão da Assembleia Legislativa: do deputado Zeca do PT ao Senado por força de impugnação, do ex-prefeito da capital Alcides Bernal (PP) e de Andréia Olarte (MDB), ex-primeira dama de Campo Grande. Sobre Bernal, há expectativa de sua fala no horário eleitoral e sobre sua votação nas urnas. A respeito dela, após o episódio que resultou na sua prisão, inclusive, muitos se mostram surpresos com sua volta a política. “Além de bonita, corajosa” – dizem.

AGORA VAI? Embora nas vezes anteriores tudo não tivesse passado de simples ameaça ou encenação, o jornalista Antonio João (PTC) diz que irá concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa. Uma candidatura motivacional. Bom também por prometer em cartório doar os seus vencimentos às entidades de caridade. Oportunidade para aferir seu prestígio junto a comunidade. Sucesso.

DE NOVO Marido da senadora Simone Tebet (MDB), o deputado estadual Eduardo Rocha (MDB) tenta a reeleição Em 2014 obteve 30.873 votos - Três Lagoas 8.788 votos - Campo Grande 3.562 votos - Aparecida do Taboado 2.027 votos - Costa Rica 1.696 votos - Água Clara 1.427 votos - Brasilândia 1.309 votos – Paranaíba 117 votos. Votado em todos os municípios, seu desafio é repetir o feito, embora não seja essa ainda a hora de mostrar que tem luz própria.

“Toda autocrítica tem a modéstia do necrológio redigido pelo próprio defunto” (Nelson Rodrigues)

Comentário

E AGORA? Inegáveis o bom conceito e a simpática imagem do deputado estadual Jr. Mochi – no exercício do mandato, fora dele ou ainda por onde passou ao longo de sua vida. Paulista de Itápolis, de fala fácil e gestos generosos que facilitam qualquer diálogo em situações distintas, não foi escolhido e nem aceitou por acaso esse desafio em circunstâncias tão peculiares.

JEITOSO Pode até ser fácil chegar à presidência da Assembleia Legislativa, mas difícil é saber lidar com tantos interesses conflitantes no plenário e fora dele. Neste período no exercício do cargo, Jr. Mochi demonstrou a qualidade de agregar de forma harmônica, sem perder a autoridade e conservando os atributos pertinentes. Foi ele interlocutor do Legislativo com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) com quem sempre manteve relações cordiais desde a época em que eram prefeitos, de Coxim e Maracaju – respectivamente.

CORAGEM Depois que a Simone Tebet (MDB) desistiu de enfrentar a batalha, Jr. Mochi surpreendeu aceitando o desafio. O olhar dele foi mais profundo: enxergou os eleitores espalhados pelas cidades interioranas onde o partido é consistente; confiou no eventual reconhecimento da população pelas administrações do MDB e finalmente confiou na sua própria capacidade para tentar reverter o quadro desgastado do partido em face dos escândalos que levaram à prisão o ex-governador Puccinelli inclusive. Esse é o seu desafio maior.

ENFIM... essa é mais uma eleição na vida de muitos políticos, mas para Jr. Mochi pode ser até a mais importante, ou quem sabe a última. Uma coisa é certa: a presença dele como um dos concorrentes ao pleito vai colaborar enormemente para reinar um clima de democracia gentil, sem situações degradantes comuns ao evento. Jr. Mochi também é partidário do bom combate.

1-RETROVISOR Reeleito em 2014 com 34.200 votos, contra os 31.882 votos de 2010, o deputado Jr. Mochi ganhou destaque no MDB e se elegeu presidente da Assembleia Legislativa em duas eleições. Em 2010 não foi votado em Japorã, Paranhos, Selvíria e Sete Quedas. Em 2014 só não recebeu votos em Ladário, Novo Horizonte do Sul e Tacuru.

2-RETROVISOR Seus maiores redutos em 2014: Coxim 4547 votos, São Gabriel Doeste 4.342, Campo Grande 3.996, Rio Verde de Mato Grosso 2.323, Rio Brilhante 2.066, Sonora 1.653, Aparecida do Taboado 1.593, Costa Rica 1.344, Camapuã 1.261, Pedro Gomes 1.160, Laguna Carapã 697, Rochedo 641, Paraíso das Águas 610, Nioaque 598 Figueirão 596, Rio Negro 581 Chapadão do Sul 578 votos, Paranaiba 544.

CONSEQUÊNCIAS Esses redutos eleitorais onde Jr. Mochi foi votado em 2014 oferecerão espaço aos postulantes estaduais. A região Norte, onde ele manteve a hegemonia nos últimos dois pleitos, oferecerá oportunidades de votos. Evidente, o partido está atento a isso, mas o exercício do paraquedismo não está sujeito a regras partidárias. Quem for mais competente levará maior parcela destes votos ‘sem dono’, porque a maioria deles passa pela identificação do eleitor com o candidato.

A SITUAÇÃO do ex-governador Puccinelli (MDB) é grave, pois o Ministério Público Federal assim se reporta em trecho de denúncia na Justiça Federal: “Na condição de governador do Estado de Mato Grosso do Sul, entre os anos de 2007 e 2015, por pelo menos 32 vezes, livre e consciente, no comando do esquema criminoso acima descrito, aceitou receber para si e para outrem, direta e indiretamente, em razão de seu cargo público, vantagens ilícitas pagas pela JBS”.

O LEGADO de Puccinelli não pode ser visto exclusivamente pelas obras físicas que construiu, mas também pelo escândalo que culminou com sua prisão, junto com outras pessoas já identificadas pela mídia. Pena, é a primeira vez que temos um ex-governador nesta situação vexatória, indefensável até para seus companheiros nestas eleições. O MDB terá que lidar com esse fantasma que o estigmatizou pela corrupção de lideranças suas - que hoje desfrutam das ‘quentinhas’ nos presídios. Portanto será difícil colar o rótulo de vítima no ex-governador André.

SURPRESA O ex-governador André Puccinelli (MDB), segundo os bastidores, teria outra missão neste pleito: tentar uma vaga na Câmara Federal para também ajudar a eleição de outros emedebistas. A Resolução do TSE dispondo sobre o registro de candidaturas – no artigo 68 – faculta a substituição em vários casos, inclusive de renúncia de algum postulante do partido ou coligação. Além do mais o mandato é a escada rumo ao foro privilegiado que Puccinelli precisa.

CHUMBO GROSSO Sob a presidência do juiz da 3ª. Vara Criminal de Campo Grande o processo por crime de ocultação de bens envolvendo o ex-deputado federal Edson Giroto (PR), sua mulher Rachel R. Jesús P. Giroto, além do cunhado Flávio H. Garcia Scrocchio terá novos atos (oitiva de testemunhas de acusação) em setembro vindouro. Ao todo são 7 as denúncias (ações penais) do Ministério Público Federal no caso conhecido como ‘Lama Asfáltica’, onde busca-se o ressarcimento do valor de R$ 300 milhões que teriam sido desviados dos cofres públicos.

É PENA A decisão do senador Pedro Chaves (PRB) em renunciar a candidatura foi outra novidade nesta semana agitada nos meios políticos. Ao seu estilo equilibrado entendeu que esse seria o melhor caminho para evitar desgastes e preservar sua imagem respeitosa. Mas até o final de seu proveitoso mandato continuará atuante em prol do país e do Estado. Realmente a vida pública partidária é desgastante, complicada.

NA MÍDIA O candidato Odilon de Oliveira (PDT) volta a ser notícia na grande mídia. A Época traz uma matéria revelando que a campanha eleitoral do ex-magistrado será acompanhada e aproveitada no documentário ‘Odilon – réu de si mesmo’ – que será produzido pela Your Mamma e HBO, com roteiro e direção de Leandro Lima.

PROCUREI e achei no dicionário o termo para definir a figura do Procurador Sergio Harfouche. Indômito – o mesmo que indomado, alguém que não se deixa vencer ou subjugar. Após a malfadada indicação a vice-governador na chapa do MDB ele continua em pleno vigor candidato ao senado pelo seu partido PSC. Mas convenhamos: ele saiu chamuscado ao associar-se a um partido (MDB) marcado por tanta corrupção em todos os níveis. Vamos ver como ficará agora seu discurso moralista.

RICOS & REMEDIADOS Nem sempre as declarações do patrimônio de candidatos à Justiça Eleitoral correspondem à realidade devido aos ‘laranjais’, mas vale mostrar o quanto cada candidato ao governo estadual disse possuir. Reinaldo Azambuja (PSDB), R$ 38,6 milhões; João Alfredo Dainezi (PSOL), R$ 6,654 milhões; Odilon de Oliveira (PDT), R$ 1,599 milhão; Junior Mochi (MDB), R$ 1.453.722,52; Marcelo Bluma (PV), R$ 1,374 milhão; Humberto Amaducci (PT), R$ 447.423,48.

INTERNET Decisiva nas eleições. Mais de 127 milhões de usuários do Facebook e mais de 120 milhões de usuários no WatsApp. Provocações, difamações diversas, deformação de imagens e notícias falsas atingirão também o público antes excluído do debate político. Candidatos vão investir e cuidar bem deste setor da campanha. Será o fim da hegemonia da televisão.

ATENÇÃO O público sem tempo para cansar: teremos apenas 12 programas eleitorais no rádio e TV com os candidatos da chapa majoritária, além das inserções partidárias que pegam o telespectador de surpresa. Com as novas regras o pleito ficará engessado e as cidades mais limpas, com certeza. É preciso ver se todas as inovações resultem na escolha dos melhores candidatos.

A GUERRA nas ruas, embora previsível, ainda desenha-se tímida por várias razões. Mas é bom a população ir se acostumando: já é permitida a circulação de veículos com serviço de som – das 8 horas às 24 horas. Também autorizada a tradicional distribuição de santinhos nas ruas e outros materiais de campanha. E o eleitor: aceitará ou rejeitará?

TRAMPOLIM As câmaras municipais continuam sendo o primeiro passo para a política partidária. Evidente que existem outros casos no interior, mas só da capital são 13 vereadores candidatos por partidos diversos. Cada qual com seus argumentos que vão de ‘nada a perder’, ‘aprendizado’, ‘chance de divulgação do nome e imagem’, ‘contribuição ao partido’...

SÓ NO BRASIL O cidadão é processado, condenado e preso após tantas firulas jurídicas e agora quer ser candidato a presidente da república e ainda por cima participar dos debates entre os candidatos. Não foi por acaso que fui obrigado a ouvir no exterior tantas piadas e críticas sobre nosso país, suas instituições e sua gente metida a esperta. Vamos continuar no Terceiro Mundo até quando?

“Eleições é o mais avançado processo para eleger futuros processados” (Fraga)

Comentário

INTERESSANTE Num país onde a classe política está desacreditada mesmo com 35 partidos regularizados, as eleições prometem em nosso Estado um clima de acirramento por motivos diversos. Salvo mudanças de última hora teremos 357 candidatos à Assembleia Legislativa (quase 15 por cada vaga) e 137 postulantes à Câmara Federal (mais de 17 por cada uma das 8 vagas).

CENÁRIO político em movimento até 15 de agosto (prazo final do registro das candidaturas). Sabe-se: o candidato Reinaldo Azambuja (PSDB) disporá de 4 minutos e 22 segundos no horário eleitoral no rádio e TV. Já Simone Tebet (MDB) terá 2 minutos e 38 segundos – contra 1 minuto e 23 segundos de Humberto Amaducci (PT); 1 minuto de Odilon de Oliveira (PDT); 27 segundos para Marcelo Bluma (PV) e apenas 7 segundos para o candidato João Alfredo (PSOL).

COSTURAS Elas viabilizam a formação de chapas e candidaturas tentando melhorar o potencial em eleições de qualquer nível. Tanto é que o PSDB montou uma chapa para a Câmara Federal e 3 para a Assembleia Legislativa, unindo-se ao DEM, PTB, PPS, PP, PSD, PROS,PSB, PMD, PSL, PMN, Solidariedade, Patriota e Avante.

PRONTA O MDB por sua vez conseguiu agregar nada menos que 7 agremiações partidárias em seu projeto eleitoral. São elas: PR, PTC, PRP, PSC, PHS, PRTB e PSDC. Até aqui estão definidas 27 candidatos a deputado estadual e 14 postulantes para deputado federal. Eventualmente poderemos ter desistências e substituição de nomes.

MUDANÇAS Ao contrário de antes, hoje também a escolha dos nomes dos dois suplentes ao Senado passam por um processo de avaliação para definir ganhos reais nas candidaturas. Não é por acaso, o candidato Zeca do PT escolheu o ex-prefeito de Dourados Laerte Tetila (PT) para seu 1º suplente e a advogada da capital Giselle Marques (PT) para a 2ª. suplente.

OUTROS Candidato a reeleição, o senador Moka (MDB) buscou no interior, o ex-prefeito de Sonora Zelir A. Maggioni (MDB) para seu 1º suplente e a ex-vereadora da capital Maria Emília Sulzer para a 2ª. suplência. Já o senador Pedro Chaves (PRB) buscou o ex-vereador da capital Gilmar da Cruz (PRB) para seu 1º suplente e o vereador de São Gabriel do Oeste Angelo Magno P. Mendes (PRB) para 2º suplente.

DESTAQUE também para os nomes do empresário de Naviraí José Chagas (DEM) e a professora Terezinha Bazé (DEM) de Três lagoas – respectivamente 1º e 2º suplente do candidato ao senado Nelson Trad (PTB). Já o candidato ao senado Marcelo Miglioli (PSDB) optou pelo pastor Antonio Dionísio (PSB) para 1º suplente e a vereadora de Dourados Daniella Hall (PSD) para a 2ª. suplência.

LEMBRANDO Os casos de cassação de mandato, renúncia, licença e morte de senadores tem demonstrado a necessidade de escolher suplentes com o devido critério que o desempenho do cargo exige. Recentemente tivemos dois casos de suplentes com desempenho louvável: do ex-senador Ruben Figueiró (PSDB) e do atual senador Pedro Chaves (PRB). Figueiró era o 2º suplente da senadora Marisa Serrano (PSDB) que renunciou ao mandato para assumir vaga no Tribunal de Contas, tendo assumido o 1º suplente Antonio Russo (PSDB) que deixou o cargo por motivo de doença. Já Chaves, assumiu em decorrência da cassação do mandato do senador Delcídio do Amaral (PTC).

NOVIDADE A escolha do Procurador de Justiça Sergio Harfouche (PTC) como companheiro de chapa da emedebista Simone Tebet causou surpresa nos meios políticos. Inicialmente era do PSC e pré-candidato ao Senado, depois ingressou no PTC e anunciou sua candidatura ao Governo no final do mês passado. Uma trajetória cheia de mudanças.

PERFIL Com 26 anos no MPE, Harfouche se notabilizou com suas campanhas e pregações envolvendo a educação. Pregou a moralidade, dizendo que o eleitor tinha acordado para o valor de seu voto, para acabar com essa onda inaceitável de corrupção, desvios, da discussão ‘se prende ou não prende’. Longe de ser o Messias, Harfouche construía a imagem diferenciada, com discurso forte entremeando religião e moral. Mas sua candidatura pode morrer no nascedouro pelo entendimento do STF que exige a exoneração do cargo de procurador para disputar eleições partidárias. E agora?

NO SAGUÃO da Assembleia Legislativa observadores questionaram a sinuosa trajetória de Harfouche, preterindo a candidatura diferenciada por uma outra aliada ao MDB, sigla estigmatizada pelo envolvimento de lideranças suas em denúncias de corrupção, desvios e prisões como dos casos dos ex-governadores Sergio Cabral (MDB-RJ) e Puccinelli (MDB-MS), esse último que articulou ou abençoou essa escolha. Como explicar isso ao eleitor que o próprio Harfouche classificou de ‘cansado’ nas entrevistas?

É O FIM O deputado federal Luiz H. Mandetta (DEM) antecipou o fim sua trajetória política, descontente com a aliança de seu partido com o PSDB. Nunca é demais lembrar que ele não conseguiu articular e impor sua candidatura a prefeito naquelas eleições municipais da capital vencidas por Alcides Bernal (PP). Seria um nome mais competitivo do que o ex-deputado Edson Giroto (PR). Mas faltou-lhe tutano para se impor ao ex-governador Puccinelli (MDB) – padrinho do candidato do PR derrotado. Agora, sem volta.

ZECA DO PT Prevalece nos círculos jurídicos o entendimento de que o parlamentar reverterá a decisão que o tornou ilegível. Falei com seu advogado Newley Amarilha que explicou: primeiro o deputado terá que fazer o registro de sua candidatura até o dia 15, esperar a publicação do edital para eventuais impugnações - certamente do Ministério Público. Aí sim o defensor buscará os remédios cabíveis. “Fora disso não se pode reiventar a roda” – lembrou Amarilha.

ISSO CONTA! Em apenas 9 meses de mandato, o deputado federal Fabio Trad (PSD) é o parlamentar de MS que mais apresentou projetos de lei protocolados. Foram 17 nas várias áreas de interesse; da questão tributária à defesa da mulher. Ainda: o deputado atingiu a menor média de gastos com verbas públicas dentre todos os nossos representantes, gastando mensalmente R$ 104.206,00 em média.

CONSTRANGIMENTO Foi o que senti no contato com parlamentares afinados com a liderança de Puccinelli. A deputada Maria Antonieta Amorim (MDB) continua abatida e sem rumo desde a prisão do seu irmão empresário João Amorim. Já o deputado Paulo Siuffi (MDB) foi sincero ao colunista quanto ao seu futuro político. Disse que se depender da vontade de seus familiares deixará a política para dedicar-se a sua bem sucedida carreira médica. Ele mesmo desabafa emocionado: “a morte de meu filho mudou minha vida”.

CANDIDATURAS já confirmadas pelo PDT à Câmara Federal: Wellington Ricardo de Jesús (vereador em Três Lagoas), Dagoberto Nogueira Filho, Ritva Cecília Vieira, Hedyl Marcos Benzi Filho (disputou a prefeitura de Anastácio em 2016), Maria Alves Meleiro candidata a vice prefeito em Anastácio em 2016), Odilon de Oliveira Jr e Tiago Henrique Vargas ( policial – ex-candidato a vereador na capital em 2016). Em relação aos pretendentes à Assembleia Legislativa não há ainda confirmação dos nomes.

MARUN Após atrair a ira da maioria da opinião pública com suas exposições ridículas na mídia e com sua postura fiel ao Governo Temer, conseguirá desempenhar o papel de defensor do MDB e do ex-governador Puccinelli nesta campanha? Missão difícil para o ministro Carlos Marun (MDB) da Secretaria de Governo - que já revelou a intenção de deixar a política. Pela sua fidelidade será mesmo premiado com uma cadeira no TCU?

REALIDADE O setor privado abriga a maioria dos alunos de baixa renda. Mas os mais ricos estudam nas escolas públicas ao longo da educação básica e vão para o ensino superior público graças a melhor formação de base. Daí que o senador Pedro Chaves (PRB) é autor de projeto criando o Fundo de Incentivo à Formação Superior para alunos de baixa renda e com nota superior a 400 no Enem. Chaves entende que o Prouni chegou ao limite. Seu projeto seria uma alternativa interessante.

A GRANA Nunca é demais lembrar o dinheiro que será dado aos partidos nestas eleições. Eis a lista dos 11 primeiros partidos felizardos: MDB – R$ 234.232.915,58; PT - R$ 212.244.045,58; PSDB - R$ 285.868.511,77; PP – R$131.026.927,86; PSB – R$ 118.783.048,51; PR – R$ 113.165.144,99; PSD – R$112.013.278,78; DEM – R$89.108.890,77; PRB – R$ 66.260.585,97; PTB – R$62.260.585,97; PDT – R$61.475.696,42.

DUAS SACANAGENS A primeira delas vem do TSE que resolveu dar uma mão aos políticos na hora de declarar seus bens. Agora será impossível saber a participação deles em empresas e em quais bancos tem investimentos. A segunda é do STF que ignora a crise e reajusta seus próprios salários – de R$ 33,8 mil para R$ 39,3 mil - ao custo anual de R$ 3 bilhões aos cofres públicos. Fora casa, carro, motorista e outros penduricalhos. Assim é fácil passar temporada em hotéis de luxo em Lisboa ignorando a cotação do Euro. Não é?

“O mais estranho no Brasil é que ninguém estranha mais nada” (Fraga)

Comentário

EMBORA as negociações políticas ainda estejam em curso nos bastidores, mesmo a distância não é difícil perceber que até aqui o grupo político ancorado no PSDB vem levando vantagem sobre os concorrentes. Só a aliança com o cobiçado PSD do prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad (PSD) representa pelo menos em tese a garantia de votos na capital, onde o PSDB tinha dificuldades, segundo pesquisas.

MARQUINHOS jogou o jogo como devia jogar para inclusive começar a pavimentar o caminho rumo ao Parque dos Poderes. Essa aliança com o PSDB do governador Reinaldo Azambuja era previsível desde o início quando as relações entre eles começaram bem. Vale recordar que Marquinhos e Reinaldo tem algo em comum: ambos tiveram coragem de romper com a tutela do ex-governador Puccinelli (MDB) e conseguiram caminhar com as próprias pernas. E sobreviveram, vitoriosos, inclusive.

O COLUNISTA advertiu que o MDB havia ficado refém do ex-governador André Puccinelli. Aliás, ele retomou o comando da sigla temendo que o então presidente Jr. Mochi (MDB) avançasse nas relações com o Governo Estadual, quando especulou-se que ele poderia viabilizar sua candidatura a vice governador na chapa tucana. Na época falou-se também sobre a ida de Jr. Mochi para o Tribunal de Contas para facilitar o entendimento entre MDB e PSDB.

IMAGINO daqui de Portugal o diálogo havido na cadeia entre Puccinelli e a senadora Simone Tebet, quando ele teria conseguido sensibilizá-la para aceitar a candidatura ao Governo. Afinal, Puccinelli foi o grande responsável pela eleição da senadora, quando lembrava que tinha sido o ex-senador Ramez Tebet (MDB) o responsável pelo seu ingresso na política.

SIMONE deve ter ficado de saia justa diante da situação degradante de seu padrinho político confinado numa prisão e bombardeado pela mídia que não tem dado trégua a corrupção e aos políticos nela envolvidos. Mesmo com seu projeto original voltado aos grandes debates de interesse nacional em Brasília, ela acabou cedendo ao apelo de Puccinelli.

TROCAR a tranquilidade do Senado, longe das picuinhas paroquiais, pelos desafios de uma campanha que promete ser pedreira, não é fácil. Hoje a situação é o anverso daquele pleito que a elegeu senadora, onde a presença o apelo de Puccinelli era certeza de mais votos e consequentemente da vitória. Pelo que tem ocorrido com Puccinelli, a presença dele ao lado de Simone pode sim ser mais nociva do que benéfica à candidatura dela.

E MAIS,,, O envolvimento de velhas lideranças nacionais do MDB (alguns presos) em denúncias de corrupção também devem intimidar o discurso do partido aqui no Estado. E não se pode esquecer que a senadora Simone sempre se pautou pelo discurso ético desde a época em que era deputada estadual – seguindo aliás os passos de seu progenitor. Antevejo uma candidata tímida, de saia justa, pouco à vontade. Concorda?

RECADO O deputado federal Zeca do PT já enviou sinais de como a candidatura de Simone será tratada pelo seu partido. O parlamentar lembra das contas bloqueadas da senadora por conta da denúncia de supostas irregularidades em sua gestão na Prefeitura de Três Lagoas. Zeca também recorda do alinhamento dela ao Planalto em várias situações em vários episódios, votando inclusive a favor da manutenção do mandato do senador Aécio Neves (PSDB). Como sempre palanque eleitoral é implacável. Vale tudo.

O ABSURDO Os políticos andam perdendo a noção ou os parâmetros do bom senso, para não dizer outra coisa. Ainda recentemente o governador Luiz Fernando Pezão (MDB), do Rio de Janeiro, teve a coragem de dizer que os políticos estão sendo injustiçados e que está havendo fiscalização em excesso por parte das autoridades fiscalizadoras. Cá entre nós: fiscalizando eles aprontam, imagine sem essa vigilância.

REPETINDO Toda essa situação reinante na política – em todos os níveis – traz uma angustiante indecisão para o eleitor. Apesar de suas declarações as vezes intempestivas e contraditórias, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) vai conseguindo congregar aqueles que são contra o PT e todo tipo de corrupção. Se ele terá sucesso lá frente não se sabe, mas hoje é o único com um discurso de indignação.

SONHO Na minha última semana aqui um olhar para a imigração de brasileiros e de outros trabalhadores de países da América Latina no velho continente. No hotel onde hospedei em Madri a camareira boliviana ganha 120 euros por dia – o equivalente a R$ 570,00 aproximadamente. É autônoma, diarista, sem seguro social.

NO ESTÁDIO Santiago Bernabeu (Real Madrid) uma segurança, imigrante do Equador, ganha 900 euros mensais. No Aeroporto de Orly (Paris) um funcionário imigrante português feliz com o salário de 1.600 euros. Em Lisboa uma brasileira ganha no Metrô 1.200 euros. Na cidade do Porto um ex-caminhoneiro virou churrasqueiro e fatura 900 euros; após 2 anos trouxe a mulher e o filho e sonha com o próprio negócio.

A QUESTÃO A primeira vista parece que é bom porque a moeda Euro é forte: quase 5 por 1 - mas não se pode esquecer que os gastos também são feitos na mesma moeda e não em Real. O brasileiro que mora no Brasil acha que o imigrante fatura uma nota preta nos países europeus esquecendo-se dessa particularidade. Aferi num açougue do Porto: um quilo da ponta de costela minguinha custa o equivalente a R$ 30,00 e a carne de primeira chega ao equivalente a R$ 110,00. O açougueiro diz preferir carne do gado local, mas num restaurante serviram carne vinda da Polônia. Achei esquisito.

EM LISBOA uma brasileira que mora em Miami confessou que não se faz patrimônio financeiro e que a questão do plano de saúde do Governo seria uma grande enganação. Em Cáceres na Espanha, perto de Portugal - fundada 26 AC, vários brasileiros na luta pela sobrevivência e com ares de frustração. Em Évora (capital do Algarve), um professor está se aposentando com 1.700 euros apenas após 35 anos de trabalho.

OBSERVAÇÕES Minhas origens rurais permitem avaliar a realidade em trechos por onde passei. Muita terra ruim, de pedras, montanhas e areia na região da Extremadura na Espanha e no Algarve em Portugal. Vi gado solto no pasto só 3 vezes em mais de 200 km. Conta também a seca crescente nos últimos 40 anos, segundo os moradores. Pontes enormes mas sem água no leito. Usam irrigação com poços artesianos utilizando o líquido precioso em pequenas pastagens ou lavouras de milho. Será que compensa? Nessa hora não há como não lembrar do potencial do agronegócio brasileiro.

A EUROPA envelhecida, mas oxigenada com o dinheiro injetado pela Comunidade Europeia. Obras fantásticas implementadas em Nice (França) e em Madri que estão mudando o perfil delas. Mas é inegável: a população envelheceu e motiva intenso debate sobre os caminhos a seguir. Previdência é hoje um debate mundial. Em Portugal existem 1.500.000 aposentados ganhando salário mínimo.

EM PORTUGAL com salário mínimo de 580 euros (o menor da Europa) os aposentados conseguiram agora um aumento de 5 euros após muita luta. Enfim, a Europa não é só Mônaco como imaginam alguns. Tudo é relativo. Aqui na cidade do Porto são 8 meses de muito frio e vento, o que praticamente amordaça algumas atividades econômicas. As pessoas não usam o metrô por diletantismo e sim por necessidade. No comércio tudo é contado milimetricamente. Sem colher de chá.

MUITO DIFÍCIL Como sobreviver bem ganhando 580 euros e pagando 200 euros só com o aluguel do apartamento com 40 m2 de um quarto? Um barbeiro brasileiro que já morou na Inglaterra, partilha a ideia que viver na Europa é uma grande ilusão. Cobrando 7 euros por um corte de cabelo, diz que pretende voltar quando a situação melhorar no Brasil. Pelo jeito apenas os japoneses, dentro do rígido sistema de planejamento, conseguem economizar preparando o regresso ao Brasil.

INVERSO Aqui no Porto há um restaurante famoso chamado ‘Mengos’. A enorme bandeira tradicional do Flamengo chama a atenção de todos os turistas e a explicação é bem interessante. O proprietário morou no Rio de Janeiro onde deu duro danado por 27 anos, aí voltou para a ‘terrinha’ e abriu seu próprio negócio. Um dos atendentes é brasileiro e se diz feliz aqui. Detalhe: o delicioso café servido é da Colômbia. E vale dizer que o pessoal do Porto nos trata bem e dizem que ‘nossa fala é doce”.

COMPARAÇÃO. O passe do jogador Neymar foi vendido por 220 milhões de euros. Pois e! Nestas andanças pela Europa estive na Freixenet – fundada em 1861 - a maior fabricante de vinhos espumantes da Espanha (entre Barcelona e Saragoza) que emprega 600 funcionários em época normal e mais de 1000 na safra – engarrafando 140 milhões de unidades por ano. Agora a parte interessante da nota. O grupo alemão de bebidas Oetker, a Henrel Co, segundo o jornal ‘La Vanguardia - adquiriu 50,67 das ações desta empresa pela mesma quantia paga pelo Paris Saint Germain ao nosso craque, os 220 milhões de euros

INVERSÃO de valores. Comparar a trajetória meteórica de Neymar com a história de vida dos fundadores e sucessores desta empresa sobrevivente a duas guerras mundiais, Revolução Espanhola e outras crises econômicas europeias nestes 157 anos, é inadmissível. Isto ajuda-nos a duvidar da realidade do mundo futebolístico com transações/salários milionários. A história de vida destes pioneiros e empresários sonhadores documentada e mostrada aos visitantes inclusive – vale muito mais que todos os feitos do atleta. A Freixenet produz 140 milhões de garrafas anuais, exporta para 109 países, com subsidiárias em 19 países.

“Pagar imposto no Brasil é como comprar o ingresso depois que o circo já foi embora” (José Pires)

Comentário

SEMÁFORO Será que nossos políticos sabem o significado de seus sinais? Fico observando as suas manobras e planos antes da campanha começar e vem à cabeça a tese simples, verdadeira, do ex-boxeador Mike Tysson: “Todo mundo tem um plano até levar um soco na boca”. As lições do passado mostram o eleitor reticente, faca nos dentes, indignado calçando suas luvas. Aí o nocaute pode ocorrer bem antes.

CORRUPÇÃO Não respeita fronteiras, culturas, ideologias e religiões. Aqui na Europa ouvi relatos interessantes envolvendo a construção da auto estrada que corta as montanhas ao longo da Costa Italiana e da Riviera Francesa – num custo altíssimo por conta da topografia que exigiu a abertura de mais de 200 tuneis e pontes altíssimas com pilares portentosos.

O PROJETO foi pensado ainda pelo ditador italiano Benito Mussolini e a sua concretização muitos anos depois beneficiou políticos dos dois países. Pela grandiosidade da obra não é difícil avaliar as relações das empreiteiras com os governantes. ‘Alegria geral’, como no Mato Grosso do Sul e no resto do país. Não é?

FATURA O pedágio também aqui varia de acordo com o porte do veículo. Um ônibus paga o equivalente a R$ 1.300 só para atravessar o túnel de 12 kms que corta o Mont Blanc que divide França e Itália. Antes da travessia a temperatura do motor do veículo passa por aferição e se estiver além do limite ele é desligado até atingir o nível exigido. Tudo por conta da explosão do motor de um caminhão que incendiou 25 veículos no interior do túnel e matou 39 pessoas em 1999. Só foi reaberto após reforma que levou mais de dois anos, contou-me o nosso guia turístico.

GARRA Infelizmente não herdamos essa qualidade de nossos ancestrais que saíram daqui do velho continente. Fraquejamos com facilidade. Aqui as adversidades para sobreviver e superar os desafios diversos são muito maiores do que temos no Brasil. Numa feira livre em Rapallo – Itália - o feirante relatou-me das dificuldades para produzir, quer pelas temperaturas ou mesmo pelo terreno montanhoso transformado em tabuleiros como se faz na China e Nepal. Tal como na minha primeira viagem à Europa eles pouco sabem do Brasil.

CRÍTICAS Nesta viagem tenho convivido com mexicanos, colombianos, bolivianos angolanos, argentinos, peruanos e chilenos. Depois do futebol, a situação do ex-presidente Lula (PT) é o assunto mais abordado. Todos perguntam se efetivamente ele concorrerá às eleições presidenciais mesmo estando condenado e preso. Um engenheiro do Peru sabia com detalhes como funcionava o esquema de corrupção das empreiteiras e lembrou que a Odebrecht aplicou a mesma receita em seu país como mostrou a imprensa e que resultou na prisão de alguns envolvidos. Enfim, eles se mostravam decepcionados com o desmascaramento da quadrilha do PT no governo do Brasil.

RETALHOS Tenho encontrado alguns brasileiros. Nenhum deles de terno e gravata ao estilo executivo, Todos trabalhando em atividades que não exigem grande qualificação profissional. Eles tentam passar a imagem de que estão gostando ou que vale a pena essa experiência. Um deles trabalhando como vendedor de roupa numa feira em Firenze disse-me que chega a faturar o equivalente a R$ 5.000. Um pouco mais do salário mínimo na Itália. Enfim, cada qual com suas escolhas. Cada um se virando como pode e precisa. Se vale ou não a pena ser imigrante só o tempo dirá. Cada caso é um caso. Que sejam felizes.

IMAGEM RUIM Até um turista do Nepal em Florença criticou os excessos do jogador Neymar na Copa da Rússia. Os gestos e expressões faciais dele indicavam artifício buscando holofotes. Aliás, nas lojas da Europa poucas camisas do craque à venda. Um vendedor disse-me que as camisas deles – embora falsificadas e baratas – deixaram de ser procuradas.

EM FLORENÇA lembrei-me do saudoso Sócrates que saiu do Corinthians para a Fiorentina e não correspondeu às expectativas. De fato, pensando bem, a distância entre a Toscana e Ribeirão Preto não se mede apenas pelos 10 mil km. Há algo mais (cultura) que se deve ser levado em conta. Não podia se adaptar neste ambiente. Azar dele. Perdeu a grande chance de morar no Primeiro Mundo.

MANIFESTANDO Opresidente da OAB-MS Mansur Karmouche ligou-me sobre meu comentário e a postura da entidade neste episódio da prisão de dois advogados junto com o ex-governador Puccinelli. Ouvi seus argumentos e li as publicações feitas pela OAB. Contudo reafirmei que a entidade, nas matérias publicadas, deu maior ênfase a questão das prerrogativas profissionais do que aos seus deveres e do dever da própria OAB em exigir de seus inscritos comportamento que não deixe dúvidas em termos de probidade e quando for o caso punir como prevê o Código de Ética. A opinião pública de olho na entidade que se posta como a sentinela do direito e da moral da sociedade. Portanto - ela deve fazer também o dever de casa. Fiscalizar e punir, indiferentemente do status do profissional nela inscrito.

BARCELONA O seu povo – catalão – parece ligado a uma tomada elétrica de 220 volts. Sempre ‘elétrico’, ativo. O porto, a proximidade com a África, suas indústrias fantásticas. Preserva seu passado com obras de artes e arquitetura convivendo com a modernidade, apesar das intervenções físicas na sua paisagem urbana para as Olimpíadas de 1992 que sediou com sucesso. Andei no seu metrô com 13 linhas - inaugurado ainda em 1924. Lembro: o metrô de Madri inaugurado em 1919, de São Paulo em 1974 e de Buenos Aires em 1913. Nós, atrasados.

NAS JANELAS de Barcelona as bandeiras com as cores da Catalunha e cartazes pela independência. A grande Barcelona enlaça mais de 4 milhões de habitantes, orgulhosos do passado e confiantes no futuro. Faz justiça a fama. E ao contrário do Rio de Janeiro nas Olimpíadas; com obras superfaturadas e abandonadas, Barcelona após as Olimpíadas de 1992 ficou com o legado de todos os parques esportivos conservados e usados pela população. Estive no estádio olímpico que sediou a abertura memorável com apresentação do cantor Freddie Mercury. Impecável. Como eu digo: precisamos fazer mais, honestamente e bem feito. O ‘rouba mas faz’, do ex-governador Paulo Maluf (PP) e de outros precisa acabar!!!!!!!

FLORENÇA Firenze em italiano. Nenhuma outra cidade do mundo teve tantos personagens que influenciaram a humanidade como ela. Capital da região da Toscana às margens do rio Arno, é um museu a céu aberto com seus 380 mil habitantes. Terra de personagens notáveis como Leonardo da Vinci, Dante Alighieri, Boccacio, Nicolau Maquiavel (com discípulos no mundo), Michelângelo, Américo Vespuccio, dentre tantos outros gênios. Seu cenário cultural e artístico arranca suspiro até dos turistas coreanos e chineses.

PRA PENSAR: “Bolsonaro representa um risco? Sim, há risco em toda eleição presidencial. Viver sob esse modelo político é como rodar em estrada esburacada – anda-se devagar e aos solavancos. Pneus estouram. Há candidatos de risco e candidatos sabidamente catastróficos. Quem confia no centrão ou no Ciro “tarja preta” Gomes não deve atravessar a rua desacompanhado...”.

CONTINUANDO... “...Em política, muito do que se resulta é definido pelo que se combate. Reitero ser ainda cedo para opções eleitorais definitivas. Na minha planilha chegou a hora de marcar quem combate quem e o que combate. Isso tem seu lado divertido e seu lado desolador. É divertido observar o descaramento das negociações que distribuem terrenos na lua do poder. E desolador o confinamento da maioria do eleitorado”. (Percival Puggina)

VERDADES “A Rede Globo inventou uma pesquisa para saber o que o brasileiro quer para o futuro em seu país. Combate a corrupção é o tema mais apontado. Talvez não seja muito grande o número de pessoas que sabem exatamente quem foram ou são os responsáveis pelos altos índices de corrupção em nosso país.”

CONTINUANDO... “O Brasil chegou a figurar entre os 15 mais corruptos e a Petrobras esteve no pódio dos maiores escândalos de corrupção da história. Alguns dos responsáveis estão presos, outros estão na fila – e muito dos presos esperando uma chance para ganhar a rua e continuar...” (Mané Galo)

"A política é a arte de enfiar a mão na m...." (Otto Lara Resende)

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Comentário

NA EUROPA Dos países por onde tenho passado, algumas observações. Em Paris os supermercados vão implantando caixas sem funcionários graças ao uso do cartão de crédito e do sistema de código de barras. Nos postos de cobrança de pedágio nas rodovias também não há qualquer funcionário onde o motorista paga com cartão de crédito ou outro especial sem sair do carro. Nos postos de combustíveis o mesmo sistema com o motorista fazendo o abastecimento após concluída a operação com seu cartão de crédito.

EM ROMA o motorista programa no parquímetro do quarteirão o tempo de uso da vaga, ao contrário da nossa capital. Na hora lembrei do nosso criticado sistema. Um amigo engenheiro francês, conhecedor da nossa realidade, observou: “acabei de ir ao médico que cobrou o equivalente a R$ 120. O médico não tem secretaria na recepção. Por economia, é claro – diferente do cenário chic e caro dos consultórios de médicos no Brasil..

ENFIM... a economia nas mais diferentes atividades tende a incluir a dispensa da mão de obra para evidentemente baixar os custos, Ao ver essa realidade sem volta lembrei da Revolução Industrial na Inglaterra quando seus críticos diziam que a mão de obra seria dizimada. Lembrei também do Partido dos Trabalhadores e sindicatos defensores da manutenção dos cobradores de ônibus em Campo Grande. Evidente – estão na contramão das realidade.

BONS EXEMPLOS Lyon na França e a italiana Milão mostram porque encantam. A primeira – com menos de 400 mil habitantes – tem metrô subterrâneo e garagens também subterrâneas para desafogar o trânsito. Quanto a capital da moda, tem ciclovias, metrô subterrâneo e o moderno trem de superfície movido a energia elétrica. A convivência entre os diferentes sistemas – pelo que percebi – é tranquila.

PROBLEMAS Mesmo na Suíça percebi que a questão dos imigrantes é delicada. Conversei com gente do Senegal, Bangladesch, Camarões, Nigéria e Índia. Senti pena deles; excluídos, humilhados. Na quinta feira assisti na televisão da Itália um debate sobre o problema, O que fazer? Eles fazem bicos, topam serviços pesados e vendem produtos aos turistas em Veneza, Vaticano, Paris, Genebra, Roma, dormindo nas praças e debaixo das pontes. Sem renda e melhores condições só lhes restam o passaporte para o mundo do crime. O Estado Islâmico de olho neles para cooptá-los.

PROBLEMÃO Uma amiga de infância residindo em Paris desde 1979 acompanha de perto o crescimento do espaço social e econômico da comunidade muçulmana formada por imigrantes de países árabes, alguns são ex-colônias. Disse-me: os muçulmanos conseguiram que o Governo cortasse a carne de porco da merenda escolar sob o argumento de que as crianças muçulmanos seriam prejudicadas devido a proibição do consumo desta carne pela religião. O jeito foi optar por mais frango e peixe no cardápio.

PREÇOS “Quem converte o Real para o Euro não se diverte”. Essa máxima que vigora na política do turismo é verdadeira, mas também perigosa com o advento do cartão de crédito. Só para o leitor sentir o drama do brasileiro na Europa. Em Genebra um café custa R$ 28, em Paris uma garrafa pequena de água até R$ 10, em Roma uma bola de sorvete varia entre R$ 13 a R$ 17, uma refeição sem vinho varia entre R$ 150 a R$ 250 e um copo duplo de suco de laranja, R$20.

OS OLHOS dos jornalistas são diferentes. Neste domingo fomos ao supermercado em Roma. Nenhum produto brasileiro. Nem a tal cachaça que insistimos endeusar. O coco não é da Bahia e sim da Tailândia. O abacaxi de Costa Rica, o tomate da Holanda, a laranja da Espanha, o limão da Argentina, a gengibre do Peru, a banana do Equador. Senti que estamos aquém das exigências do Mercado Comum Europeu. Nosso custo de produção é maior que dos concorrentes citados. Ou não?

INVASORES Antes foram os Mouros, os Bárbaros e outros povos inimigos, Agora são os chineses que não poupam a Europa. Se não bastassem seus produtos nas lojas populares numa concorrência sem precedentes, eles comparecem nas filas dos museus, nas cidades e locais turísticos. Impossível não vê-los, em todos os cantos da Europa. Com a sua economia em alta eles lotam os aeroportos, lojas e restaurantes caríssimos gastando sem pestanejar. O poder de fogo dos chineses é tal que os avisos nos principais pontos de turismo também são dados no idioma Mandarim. Como o ex-chanceler norte americano Henry Kissinger previa – o gigante acordou..

A EXPRESSÃO lapidar do personagem Riobaldo “Eu quase de nada sei. Mas eu desconfio de muita coisa” - no livro Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa – pode ser a guia ou referência pela grande maioria da população do nosso Estado neste episódio das prisões do ex-governador Puccinelli (MDB) e dos advogados André Puccinelli Junior e João Paulo Alves Novas prisões a mando da Justiça Federal que ganhou admiração crescente da opinião pública desde que a Operação Lava Jato desnudou ex-ministros, políticos poderosos e o ex-presidente Lula (PT) inclusive por crimes de corrupção - muitos deles na cadeia.

REPITO: Puccinelli será transformado em vítima mesmo não tendo sequer explicado os motivos ainda daquela primeira prisão? O cidadão comum acreditará na tese de que ele seria uma pobre vítima mesmo no MDB, que em nível nacional também está desgastado por envolvimento em corrupção. Na internet, as ironias: Puccinelli, o ex-deputado Edson Giroto (PR) e o empresário João Amorim planejando o futuro governo. Amorim é irmão da deputada estadual Antonieta Amorim – também do MDB e da linha de frente do ex-governador.

DETALHE Nenhum companheiro de Puccinelli ousou debater o mérito das razões que embasaram as investigações e as duas prisões. Eles se limitam a referências a atuação dele como gestor público e nada mais. Do senador Waldemir Moka (MDB) e da senadora e advogada Simone Tebet (MDB) também nem uma fala convincente. O MDB está sem rumo – Puccinelli ficou com o GPS do partido. Os seus companheiros estão órfãos, desnorteados. Puccinelli – nosso Sergio Cabral (ex-governador carioca)?

DE LONGE na terra de Puccinelli – lembrei-me dele ao ver pontes romanas centenárias ainda intactas. Mas não vou falar das pontes de papel do André que ruíram. Ele poderia fazer o estou fazendo – comemorando a chegada dos 70 anos em sua terra natal com a família. O mínimo nesta altura da vida. Quanta humilhação nesta exposição pública que atinge violentamente sua honra e de seus familiares inclusive? Faltou-lhe humildade ou bom senso para admitir que seu tempo já passou, como tudo na vida.

PERGUNTA-SE: E precisava disso aos 70 anos? Que presente macabro pelo seu aniversário recente. Não há sentença judicial que apague da memória o trauma da prisão. Não há como excluir esses episódios de sua biografia já manchada. Para piorar, ele acabou arrastando pelo mesmo caminho seu filho, seu companheiro de cela pela vez segunda. Lamentável esse quadro! Se vivo ainda, o que seu pai diria disso?

HONRA É um patrimônio, um princípio de comportamento do ser humano que age baseado em valores inarredáveis como honestidade, dignidade, ética e outras características consideradas socialmente virtuosas. Recuperar a honra é uma tarefa hercúlea, quase impossível, segundo os pensadores e teólogos das mais diferentes correntes filosóficas. E pergunto – uma suposta volta ao poder limparia essa nódoa na imagem de Puccinelli até aqui desonrada? Eis a questão.

OAB-MS A opinião pública acompanha a sua luta em questões referentes a postura dos agentes públicos. Ainda recentemente tivemos o caso da campanha pelas eleições limpas, sem corrupção. E como esse episódio envolve – mais uma vez – o advogado André Puccinelli Junior, seria de bom alvitre questionar a posição da entidade através de seu Conselho de Ética sobre o caso dele e seu colega João Paulo Alves.

AFINAL...Já que também em nível nacional a entidade se posta como defensora intransigente dos direitos democráticos e dos mais pobres – aqui já deveria ter se postado publicamente para evitar dúvidas neste ano eleitoral daquela entidade. Afinal são dois profissionais aparentemente em conduta incompatível com a própria profissão. Eu disse aparentemente. Esse silêncio preocupa. Com a palavra o presidente da OAB-MS.

DELCÍDIO-1 Ainda que recupere todos os seus direitos para voltar a vida pública partidária conseguirá viabilizar sua candidatura em 2018? O que pesa não é apenas a questão jurídica. É que ficaram no imaginário popular aquelas imagens fortes de sua prisão e todas aquelas notícias colocando-o como homem forte do PT e seu governo. Desassociá-lo de tudo isso é muito complicado. Ele tem consciência disso.

DELCÍDIO-2 O ex-senador Delcídio do Amaral (PTC) sabe bem que perdeu o espaço para voltar ao Senado. A saída seria a eventual candidatura a Câmara Federal ou mesmo à Assembleia Legislativa para se aproveitar dos votos ainda indecisos (que são muitos). Embora tenha saído do PT - será complicado se livrar do estigma de corrupção reinante no governo de Dilma Roussef (PT). Mas qual seria seu candidato ao governo? É a pergunta ainda sem resposta.

PONTO FINAL Embora essa prisão de Puccinelli fosse prevista, ainda outros fatos graves devem ocorrer até as eleições. Com a competência da Polícia Federal para investigar, as eventuais influências do MDB acabaram. Aliás o próprio presidente Michel Temer (MDB) também de saia justa. O que percebo é que os órfãos de Puccinelli querem se salvar nesta tempestade. Vamos ficar atentos ao próximo capítulo. Sigo a viagem rumo a Florença, Nice, Barcelona e Madri. A vida é bela. Até.

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