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Quinta, 21 Março 2019 13:03

ARTIGO Projeto da Rota Bioceânica: Perspectivas de pujança econômica para Dourados Destaque

Escrito por Madson Valente

A comunicação desde os primórdios sempre foram razões de inquietações dos grandes desbravadores de nossa história, pois o grande conceito de domínio eram as conquistas de novos territórios, fazendo com que ao longo de séculos muitas guerras fossem protagonizadas, povos fossem subjugados, colônias de exploração fossem criadas e mantidas para satisfazer os grandes interesses das metrópoles.

Obter o domínio dos mares era o grande anseio das nações dominantes, visto que os oceanos poderiam permitir que mercadorias pudessem ser transportadas e que o tráfico negreiro atingisse com maior velocidade principalmente a América, durante todo o processo histórico de formação de países as saídas para estes oceanos acabou privando muitas nações de terem acesso aos mesmos, submetendo estes para, em muitos casos, o isolamento comercial, promovendo e colaborando para uma evolução desigual de concentração de riquezas, visto que a visão de outrora era de promover de fato o isolamento, para eliminar a concorrência, não havia ideias de integração, de crescimento mútuo, por isso culturalmente até mesmo na atualidade se torna desafiante esta questão, romper com este modelo e promover um mundo economicamente mais justo, mais fraterno e de democratização do conhecimento, visto que o poder de domínio cientifico se tornou o grande algoz da sociedade mundial, pois o conhecimento separa e subjuga nações inteiras devido ao poderio de dominação tecnológica industrial, militar e cientifica.

Procurando dar uma visão horizontalizada das relações geopolíticas e seus impactos, considerando ainda a revolução industrial do século XVIII, onde há um aprimoramento da busca pela hegemonia política e automaticamente econômica, pretendemos demonstrar que para sobreviver, possuir condições de competitividade, precisa-se buscar alternativas de cooperação, embora tenhamos exemplos das criações de blocos econômicos visando se consolidar no mercado global, entre estes, tivemos o Nafta, Aladi, União Europeia, Pacto Andino e em nosso caso particular temos o desafiante Mercosul. Entretanto barreiras físicas e alfandegárias, além das interferências políticas por parte das grandes nações econômicas nestes blocos continuam sendo nossos grandes obstáculos de crescimento.

Diante disso, para atingir mercados asiáticos, o Brasil encontra dificuldades de acesso ao Oceano Pacífico, sendo que muitos projetos para encurtar distâncias já foram estudados, porém há barreiras físicas que comprometem tais propósitos, devido os altos custos e os impactos ambientais, entre estes podemos citar o acesso artificial do Canal do Panamá, que liga o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico através da Amazônia. Há também o projeto de ferrovia Transcontinental através do Peru para chegar ao Pacifico e a rodovia Brasil, Bolívia e Peru com a mesma finalidade, chegar aos grandes mercados consumidores com custos menores de transporte.

Neste cenário de busca de alternativas, há o projeto da rota Bioceânica, integrando os países do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile através de uma rodovia, para tanto os entendimentos entre estes países se encontram em estágio avançado e alguns países, principalmente o Paraguai, já está executando a pavimentação desta rodovia, também em financiamento pela Itaipu com previsão de entrega em 2023, a ponte sobre o Rio Paraguai no município de Porto Murtinho com o distrito paraguaio de Carmelo Peralta e também será construída outra ponte entre Brasil e Argentina. Tudo isso reduzirá nossa distância para o mercado asiático em aproximadamente oito mil quilômetros, algo significativo para elevar nosso poder de competitividade econômica, promovendo impactos positivos para todo o Brasil e em especial para o Mato Grosso do Sul, o estado mais beneficiado devido sua posição geográfica, devendo nosso MS ser transformado no grande HUB (centro de distribuição de produtos importados e exportados).

Portanto, dimensionando tamanho impacto para nossa região, podemos vislumbrar que Dourados será um dos municípios de nosso estado mais contemplados com o referido projeto, pois 80 % da soja do nosso estado é exportada para a China, e Dourados é município polo, possui aeroporto, considerada o segundo maior trade turístico de nosso Estado, ótima infraestrutura e poderá no futuro absorver grandes indústrias de variados setores, visto que nossas exportações estão bastante voltadas para estes mercados asiáticos, entre eles citamos o Japão que é o nosso maior importador de minérios de ferro. Citamos ainda a Argentina nossa vizinha que é a nossa maior importadora de automóveis, setor agroindustrial que poderá ganhar maior impulso com objetivo de escoamento mais barato, seremos um município transformado literalmente com a concretização desta rota, impulsionando nosso setor logístico, turístico, de prestação de serviços.

Dourados possui potencialidades naturais, é vocacionada para o crescimento, todavia precisa ser estimulada, precisamos participar com maior altivez dos grandes projetos, nos tornarmos protagonistas destas ações, nos somarmos às vozes de visões futuristas, nos prepararmos no sentido de melhorar nossa estrutura aeroportuária, da construção da nossa ferrovia, de rediscutir o ramal do gasoduto, de aumento das nossas transmissões de redes de energia elétrica, da concretização da duplicação da rodovia BR 163 até Campo Grande, entre outros desafios. Caso contrário, permanecendo da forma como estamos, seguiremos como coadjuvantes e utópicos, visto que há uma pobreza cultural disseminada e infeliz de nós douradenses que permitimos a permeabilidade de pensamentos limitadores, de profunda letargia social, não nos impomos como deveríamos, deixando-nos transparecer que desconhecemos a força que possuímos enquanto líder regional, portanto com visão entusiástica, defendo que Dourados assuma sua condição e venha participar das grandes temáticas que possam promover nosso tão sonhado desenvolvimento, que não venhamos nos desanimar pelo estado momentâneo que passa nosso município no cunho administrativo. Tudo passa, tudo se supera.

* O autor é professor, geógrafo e vereador de Dourados

Última modificação em Quinta, 21 Março 2019 23:47

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