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Segunda, 06 Novembro 2017 11:52

Estudante que matou advogada estava 'muito bem orientado por advogado', concluiu a polícia

Escrito por Graziela Rezende/G1

"Fez o papel de defesa, muito bem orientado por advogado". Está é a conclusão da polícia após 1h30 de interrogatório com o suspeito de atingir um veículo e arrastá-lo por mais de 100 metros, na avenida Afonso Pena, em Campo Grande.

Conforme o delegado Enilton Zalla, plantonista da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Centro, o estudante de medicina, de 23 anos, afirmou não estar alcoolizado, além de dirigir entre 60 a 70 km/h no momento do acidente e "não ter culpa do fato da advogada ultrapassar o sinal vermelho".

"Ele afirma que não fez ultrapassagens perigosas, mas, ao mesmo tempo apresentou muitas contradições, principalmente quando afirma não ter visto o impacto da batida. O estudante disse ainda que foi embora ao ser chamado de assassino por pessoas que presenciaram o acidente. No entanto, a vítima não morreu no local e sim enquanto estava sendo encaminhada pelo socorro médico", comentou o delegado.

Sobre a bebida alcoólica, testemunhas afirmaram sentir cheiro de álcool no motorista. "Elas confirmaram o odor e temos ainda que intimar o bombeiro que chegou no local para atendimento. O fato é que a embriaguez aliada a alta velocidade é uma razão profunda de desqualificação do homicídio culposo para doloso. A questão da direção perigosa é outro fato, pois, perguntei a ele se sabia qual a velocidade da avenida Afonso Pena. Na mesma hora, o jovem afirmou saber que é de 50 km/h", explicou Zalla.

Conforme a investigação, o carro em que estava a advogada e o filho de três anos, foi arrastado por mais de 100 metros. "Os indícios de alta velocidade resultaram neste impacto. Foi feito um cálculo físico para constatar que ele dirigia a 160 km/h naquele momento, uma força cinética resultante de uma aplicação de força muito violenta. Foi algo visual. A velocidade que ele afirmou estar resultaria em um veículo arrastado por, no máximo, 10 metros", comentou o delegado.

A polícia inclusive que um veículo nesta velocidade equivale a uma arma nas mãos de uma pessoa. "Um carro a 120, 150 km/h equivale a uma arma, pois, você já não tem mais controle nenhum e o primeiro fato que pode acontecer é tirar a vida de alguém, do pedestre, de quem ultrapassar um sinal por exemplo. O condutor estaria, no caso, prevendo a possibilidade de dano", ressaltou o delegado.

Prática delituosa

De acordo com a investigação, foi constatado que há registro de seis multas, sendo de duas a três por excesso de velocidade. "Isto significa que é uma prática andar naquele veículo com velocidade excessiva. O estudante alegou já ter se envolvido em outro acidente, mas, que não seria culpa dele e que teria resultado somente em danos. Ele não possuía antecedente criminal", falou o delegado.

Antes mesmo do depoimento, Zalla ressaltou que havia representado pela prisão preventiva do suspeito. "Nós fizemos buscas em todos os endereços e houve muita intensidade policial neste trabalho, com campanas.
Acredito que, até por perceber toda a movimentação, o estudante achou melhor atender ao chamado da Justiça. O delegado da 3ª delegacia deve agora assumir o caso e vou visitá-lo pessoalmente para explicar todos os detalhes", comentou.

Forte odor

Durante a sua estadia na Depac, o estudante permaneceu em uma cela com mais 23 presos. Houve dezenas de flagrantes no final de semana e, conforme o delegado, ele reclamou diversas vezes do mau cheiro.

Entenda o caso

O acidente aconteceu no cruzamento das avenidas Afonso Pena e Doutor Paulo Machado. Carolina Albuquerque, de 24 anos, estava com o filho de 3 anos, quando o carro foi atingido pela caminhonete que era dirigida pelo estudante. Segundo a perícia, o motorista, que fugiu do local após o acidente, estava em alta velocidade e testemunhas disseram que ele apresentava sinais de embriaguez.

Carolina morreu enquanto recebia atendimento médico. O filho da advogada, que estava no carro, teve alta na Santa Casa da capital sul-mato-grossense. Ele fraturou a clavícula, mas, segundo a família, os médicos também identificaram que a criança machucou duas costelas. O menino está aos cuidados da avó materna.

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