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Segunda, 09 Abril 2018 06:30

Polícia mobilizada para desocupação de terras invadidas por índios em Caarapó

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Policiais federais acionaram equipes da PM (Polícia Militar) de Dourados e Caarapó para somar forças na desocupação de dois acampamentos dos povos Guarani Kaiowá, com cerca de 6 mil indígenas, em Caarapó, em operação marcada para esta segunda-feira (9), conforme divulga a Agência Brasil.

Segundo o missionário Matias Rempel, que acompanha as comunidades desde 2014, a Funai (Fundação Nacional do Índio) já reconhece o território, composto pelos antigos tekoha [territórios originários dos Guarani Kaiowá transformados em fazendas no século 20], como propriedade dos indígenas, tendo, inclusive, oficializado a certificação por meio de publicações da imprensa oficial. Uma comitiva do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) está na região para mediar negociações e evitar confrontos diretos oriundos da ação de reintegração de o, posse.

Matias Rempel disse que a decisão da Justiça acirra um quadro já carregado de desacerto, considerando-se o desequilíbrio de um pacto firmado entre indígenas e o grupo que se assume como dono das terras, em 2016 e 2017. Na época, os indígenas anunciaram que não haveria mais retomadas de áreas, isto é, que eles cessariam as tentativas de recuperação, buscando, assim, pacificar os confrontos. Com a provável desocupação, além de o processo de demarcação de terras indígenas, que levou, segundo o missionário, 10 anos para ser concluído, foi também em vão a trégua proposta entre as partes.

De acordo com o Cimi, a Terra Indígena Dourados-Amambaipegua I, uma porção da área abarcada pelos acampamentos, é foco de um processo de demarcação com tramitação interrompida pelo governo. A área, vizinha à reserva Tey’i kue, teve seu relatório de identificação e delimitação publicado já em 2016.

"Os Kaiowá honraram sua parte do acordo, mesmo com muita dor gerada pela morte de sua liderança, não avançando mais em nem 1 centímetro de terra. Quem não honrou foram os proprietários de terra, que mantiveram o processo na Justiça, que se transformou em sentenças à luz da condenação do juiz da 1ª instancia", disse Rempel.

Também segundo informações do Cimi, 18 ações de reintegração de posse e interditos proibitórios estão em curso na Justiça Federal de Dourados contra a comunidade indígena de Caarapó.

  • PMRV

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