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Redação Douranews

Redação Douranews

A Defesa Civil de Mato Grosso do Sul divulgou nesta quinta-feira (20) um alerta para o Estado sobre o risco de tempestades intensas com descargas elétricas, considerando a transição da estação do inverno para a primavera e o acentuado calor que está fazendo em todas as regiões.

O aviso, que abrange todos os 79 municípios, pede que a população não se abrigue debaixo de árvores, não estacione veículos próximo a torres de transmissão e placas de propaganda, desligue aparelhos eletrônicos e o quadro geral de energia quando for possível, o que pode evitar a queima dos aparelhos.

Conforme o alerta meteorológico, válido até nesta sexta (21), a região Norte de Mato Grosso do Sul tem previsão de chuva entre 30 e 60 milímetros, ventos intensos de 60 a 100 Km/h e queda de granizo. Podem ocorrer ainda estragos em plantações, queda de árvores e alagamentos.

Para as cidades do Sul do Estado, a previsão também é de chuva intensa, com possibilidades de alcançar até 60 milímetros de precipitação, queda de árvores e granizo, além de alagamentos. No entanto, para essa área o alerta vale somente para esta quinta-feira, segundo a Defesa Civil.

Municípios

A tempestade já fez estragos em diversas cidades do Estado. Em alguns lugares a chuva e o vento, que começaram no início da manhã, causaram estragos, como em Sete Quedas, Iguatemi e Mundo Novo onde a Defesa Civil registrou queda de árvores e até uma estrutura foi lançada na rua pela força do vento.

Aberto na manhã desta quinta-feira (20), segue até nesta sexta (21), em Dourados, o Encontro do Sistema Estadual de Defesa do Consumidor. Representantes de 20 instituições ligadas ao assunto em Mato Grosso do Sul participam da ação estruturada pelo Procon de Dourados e Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor (Procon-MS), no auditório do Gales Park Hotel.

A prefeita Délia Razuk participou da abertura da atividade, e destacou que o Procon de Dourados tem sido referência em Mato Grosso do Sul. Ela pontuou a importância de ações como o Encontro no processo de reciclagem dos profissionais e conhecimentos que impactam também em encaminhamentos da gestão.

“Em Dourados, contamos com uma equipe de fiscalização, orientação e encaminhamento das demandas da comunidade, formada por pessoal preparado. O nosso Procon tem sido referência, inclusive, para outras cidades que aqui vêm buscar informações sobre os mecanismos de atuação desse grupo de valorosos servidores. Destaco que nessa ação, serão debatidos encaminhamentos nas relações com o comércio para que nós mesmos, enquanto poder público, possamos agir com a firmeza e a presteza necessárias ao bom desempenho dessa missão”, discursou.

O diretor do Procon de Dourados, Mário Cerveira, destacou que o Encontro celebra os 28 anos de existência do Código de Defesa do Consumidor e que possibilita que os profissionais fiquem mais unidos e ainda mais “alinhados e fortalecidos” no trabalho de proteção de direitos junto a população. Ele reiterou os encaminhamentos da gestão municipal neste trabalho.

“Estamos muito felizes por organizar esse encontro, contar com a ampla participação, por entender que é um momento de encontrarmos caminhos para as problemáticas nas relações empresas e consumidores que existem nas diferentes regiões do Estado. A prefeita Délia Razuk sempre direciona para que o Procon atue com fiscalização e também com orientação e apoiou grandemente este evento, essa sensibilidade da gestão é um grande diferencial”, pontuou.

Mariza Fátima Gonçalves, defensora pública do Consumidor em Dourados, abriu as palestras com o tema “Crédito Fácil e Superendividamento”. Ainda nesta quinta, serão abordados os temas “Avanços e retrocessos no direito do consumidor, sob a ótica da advocacia”, seguido de debate entre os profissionais.

Para Niokollas Pellat, superintendente do Procon MS, o momento é de fortalecimento das instituições no Estado. Ele ressaltou sobre a participação de representantes de empresas privadas no evento como um diferencial. “Muito válida essa troca de experiência, de formação. Vamos debater soluções com as empresas que estão participando; nós cobramos dessas empresas e estamos aqui para identificar junto a essas, instruir e tentar sanar as demandas. Com ações assim temos novas diretrizes de trabalho e muita coisa boa sairá desse encontro”, disse ele.

O Encontro prossegue nesta sexta-feira a partir das 8 horas quando haverá palestra com Roberto Grossman (Fundação Procon) sobre “Fiscalização - Aspectos Relevantes”.

Comentário

Em artigo de opinião publicado na edição desta quinta-feira (20), no jornal Valor, especializado na análise dos principais fatos econômicos, o advogado Vinícius Azambuja de Oliveira analisa a proposta do candidato à Presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes (posteriormente replicada pela chapa do PT), de "limpar o nome" dos devedores inscritos em bancos de dados de serviços de proteção ao crédito, como aqueles mantidos pelo SPC ou Serasa Experian.

"Valendo-se do controle da União sobre instituições financeiras como Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF), pretende-se renegociar a dívida do cidadão mediante a aquisição de créditos inadimplentes junto aos credores originais, com desconto, seguida da cobrança em termos mais benéficos ao devedor. Ainda, propõe-se angariar o apoio de instituições privadas à causa", observa o artigo.

Para ler o texto completo...

"Ao sugerir que as instituições privadas teriam interesse em apoiar o projeto em troca de maior leniência nas regras do depósito compulsório, os candidatos pretendem estender a imposição da pauta de seu governo ao Conselho Monetário Nacional (CMN) e ao Bacen, cuja independência é pressuposto de uma economia saudável", opina o advogado douradense.

Comentário

Com a temática “Os desafios de empreender no cooperativismo” a Unigran está realizando a segunda edição da Feira de Negócios. O filósofo brasileiro Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé falou sobre ética, abordando questões como virtudes, imaginário e deontologia e ainda respondeu questionamentos do público sobre esses assuntos.

Para Pondé a ética só é concreta quando todos a praticam, pois ela contagia, e a grande dificuldade do momento é que as pessoas não se preocupam mais com nada. “A discussão ética normalmente leva a uma maior consciência, nem sempre para todos na mesma quantidade, mas leva uma maior consciência de como as pessoas se relacionam, discussões éticas têm hoje uma função que é melhorar um pouco o convívio”, declara.

Para ele há um caráter ambíguo das relações, dos valores, dos processos, pois o mundo é bastante incerto. “No ponto de vista do mercado de trabalho, ele é incerto do ponto de vista das relações afetivas, então eu diria que além de ambivalente ele é bastante incerto, e também o mundo nunca foi tão volátil, no sentido de que você tem alguns processos que vão impactando, tanto a vida afetiva, quanto o mercado de trabalho, que são os dois ramos mais importantes na vida das pessoas e eles podem se transformar a cada momento de forma muito grande”.

E essa dificuldade ainda é somada, de acordo com Pondé, ao alto nível de burocracia existente no Brasil. Para ele esse é o maior entrave do empreendedor hoje e das questões éticas, a problemática de fazer as coisas corretamente em um país que exige mais do que oferece, que dificulta a vida dos empresários e quem deseja se tornar um.

Em um processo comparativo com Israel, o filósofo explica esses níveis. “Lá os processos financeiros, de gestão, econômicos são muito simples, Israel só cresce economicamente há muitas décadas, você chega no banco abre uma conta fácil, tem cartão de crédito, aqui no Brasil precisa de 5 carimbos, 48 assinaturas, então eu diria que a primeira coisa que falta no Brasil é que precisamos de um estado que não atrapalhe a vida dos outros”.

Para ele há também a própria preocupação dos brasileiros e, acima de tudo, dos jovens dessa nação, com o futuro, pensando em concursos públicos e uma vida tranquila. “Não acho que falta capacidade, vontade, no sentido de que os brasileiros são como todos os outros seres humanos”, destaca.

Tendo em vista a preocupação do filósofo com os jovens, Pondé também respondeu a questionamento feito sobre a importância da educação alinhada a esses conceitos, primando pela qualidade de ensino. “A única forma possível de primar por uma educação superior de qualidade é a capacidade que a instituição tem de oferecer empregabilidade”, definiu.

Quem é Pondé

Possui graduação em FIlosofia Pura pela Universidade de São Paulo (1990), mestrado em História da Filosofia Contemporânea pela Universidade de São Paulo (1993), DEA em Filosofia Contemporânea - Universite de Paris VIII (1995), doutorado em Filosofia Moderna pela Universidade de São Paulo (1997) e pós-doutorado (2000) em Epistemologia pela University of Tel Aviv. Atualmente é professor assistente da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, professor titular da Fundação Armando Álvares Penteado. Outros vínculos significativos em pós-graduação: Escola Paulista de Medicina, Unifesp, professor e pesquisador convidado (2007) , University of Warsaw, professor convidado (2007), Universität Marburg, professor e pesquisador convidado (2002 e 2003) - University Of Tel Aviv, pesquisador (1999 a 2000) - Universite de Paris VIII, pesquisador (1994 a 1996) - Universidad de Sevilla, professor convidado (2005) - Universite Catholique de Louvain (2002 até o presente) e colunista exclusivo do Jornal Folha de S. Paulo. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Ciências da Religião e Filosofia da Religião, atuando principalmente nos seguintes temas: religião, mística, santidade, angústia, modernidade/Pós-modernidade e epistemologia.

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A Uems (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) publicou edital de abertura de processo seletivo para o programa de Pós-Graduação em Ensino em Saúde, no município de Dourados. As inscrições deverão ser realizadas até o dia 15 de outubro.

O Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu Ensino em Saúde, Mestrado Profissional da Uems, está direcionado para a formação de profissionais com visão crítica, ética e reflexiva, capazes de realizar cuidado em saúde no contexto do SUS (Sistema Único Sistema), de forma fundamentada e sistematizada, com visão integral do ser humano, atendendo às peculiaridades regionais.

Para realizar a inscrição, o candidato deve acessar o site e fazer o pagamento do boleto bancário, no valor de R$ 300. Serão distribuídas 18 vagas para a Cidade Universitária de Dourados. O edital pode ser conferido na edição de terça-feira (18) do Diário Oficial do Estado (DOE). As informações sobre o processo seletivo também podem ser conferidas no site da Uems.

Comentário

O presidente da Câmara de Vereadores de Caarapó, André Luiz Nezzi (PDT), assume nesta sexta-feira (21), em sessão extraordinária convocada para às 10 horas, a função de prefeito do Município depois que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) confirmou a cassação do mandato do prefeito Mário Valério (PR), apontado como culpado pela compra de votos e abuso do poder econômico para chegar ao poder na cidade no segundo mandato.

A Câmara de Caarapó foi notificada sobre a cassação de Mário e a necessidade de nova posse na segunda-feira (17). Nesta quarta-feira ficou definido que a sessão extraordinária para a posse de Nezzi ocorra às 10 horas da sexta feira. Segundo a determinação do TRE, o vereador comandará a cidade até que eleições suplementares sejam convocadas pela Justiça Eleitoral. Após essa convocação, os moradores da cidade deverão voltar às urnas para escolher novo prefeito.

Cassado

Mário e o vice foram denunciados pelo Ministério Público Eleitoral por compra de votos, abuso do poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação. Na decisão colegiada, o ministro Edson Fachin confirmou a confusão feita pelo Tribunal. “Eu havia examinado a matéria e parece que a proposição [equivocada] é um reconhecimento de que há uma finitude humana debaixo da toga do julgador, que o enaltece como ser humano”, reconheceu o ministro do TSE.

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Relator-geral do Orçamento da União de 2019, o senador Waldemir Moka reuniu-se nesta quarta-feira (19), em Brasília, com o ministro do Planejamento, Esteves Colnago, para acertar detalhes sobre a discussão da peça orçamentária. Serão realizadas reuniões entre consultores do Senado e da Câmara com técnicos do governo.

Moka quer que o futuro presidente do país, a ser eleito em outubro, participe da elaboração do orçamento do próximo ano. “Afinal, será o primeiro orçamento do novo governo e nada mais correto que ele acompanhe a discussão e, se for o caso, proponha encaminhamento de soluções”, afirmou.

O relator-geral e o ministro concordam que a discussão da peça orçamentária seja mantida, apesar da campanha eleitoral. “As conversas e discussões não podem parar. Dá para fazer as duas coisas”, diz o senador sul-mato-grossense.

Moka informou que o prazo para apresentação de emendas pelos parlamentares começa em 1 de outubro. “O parecer preliminar tem que ser votado antes de os relatores setoriais começaram a elaborar os seus relatórios, com base nas emendas a serem apresentadas pelos deputados e senadores”, afirma.

O senador defende que os cortes orçamentários e o remanejamento de recursos sejam acertados em comum acordo entre Executivo e Legislativo, de forma a manter o sincronismo de ações, inclusive, com a projeção do plano de metas do futuro governante do País.

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Mais de 400 desportistas acima de 60 anos participam dos Jogos da Melhor Idade, abertos nesta terça-feira (18) no município de Jardim. De acordo com os organizadores, os jogos tiveram que ser fracionados em duas etapas, devido ao número de inscrições que triplicaram em relação ao ano passado. As modalidades disputadas nesta fase são a bocha e o voleibol adaptado.

As competições iniciaram na manhã desta quarta-feira (19), seguem no período vespertino e recomeçam nesta quinta (20) com as disputas da bocha no Centro de Convivências Maria de Lourdes dos Reis – Conviver e o voleibol adaptado em quatro locais: ginásio de esportes Ticão e nas escolas municipais Oswaldo Fernandes Monteiro, Major Alberto Rodrigues e Rufina Loureiro Caldas.

Idosos de Dourados estão participando da competição. Ao todo, 22 atletas estão na cidade de Jardim, acompanhados das técnicas Elizete Ferreira (Funed) e Andréia Luiza (Semas) e do coordenador do CCI Andres Chamorro, Adolfo Ferrari. Os atletas que foram para a competição participaram das Olimpíadas dos Idosos em Dourados, de 17 a 19 de agosto, coordenada pelo CCI Andres Chamorro e obtiveram bons resultados.

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Dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostram que chegou a 146 nesta quarta-feira (19) o número de políticos que tiveram o registro de candidatura negada com base na Lei da Ficha Limpa. Nesta terça-feira (18), eram 98 os que já estavam nessa condição. No entanto, conforme publica reportagem de OGlobo, 74 deles ainda têm recurso pendente e, por isso, seguem em campanha. O MPE (Ministério Público Eleitoral) utilizou a lei nesta terça para pedir a impugnação de 749 candidatos, porém, a decisão cabe à Justiça Eleitoral.

Além do caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ficou fora da corrida ao Palácio do Planalto por decisão do TSE, há três concorrentes ao poder Executivo que foram enquadrados pela Justiça nos casos previstos por esta lei. Acir Gurgacz (PDT-RO) continua na disputa enquanto recorre ao TSE, mas Ângelo Castro (PCO-SC) e Marcelo Cândido (PDT-SP) aparecem no levantamento como inaptos a realizar campanha.

Em relação a cargos majoritários, a lista conta com Jurandir Marinho (PRTB-RN), candidato ao Senado, e Aguinaldo de Verso (PR-SE), que buscava uma suplência de senador. Os demais barrados concorrem a vagas nas eleições proporcionais. São 46 candidatos a deputado federal, 86 políticos que buscavam vagas em Assembleias Legislativas e 8 candidatos a deputado distrital.

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Uma morte a cada 45 minutos, sendo a maioria entre jovens de 15 a 29 anos. Esse é o panorama do suicídio no Brasil, país cujos indicadores o colocam como oitava nação com mais ocorrências no mundo. Provocar o fim da própria vida, aliás, está entre as principais causas das mortes não apenas de jovens, mas também de crianças e de adolescentes.

De acordo com estudos, 100% das pessoas que se matam têm algum tipo de doença mental e cerca de 90% dos casos poderia ser tratado, evitando, assim, quase todas as mortes. Falar sobre o assunto, portanto, é essencial para que toda a sociedade se conscientize e reconheça no outro ou em si mesmo, os sinais de que é necessário buscar ajuda.

A realidade não é animadora, mas muito se avançou desde que, em 2014, foi instituído o movimento “Setembro Amarelo”, ação mundial de conscientização sobre a prevenção do suicídio, com o objetivo de alertar a população sobre o tema que ainda é considerado tabu em muitas esferas sociais.

No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) foram as primeiras entidades a difundirem a campanha que, hoje, está presente em instituições de saúde de todo o País, incluindo o Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD).

A psicóloga organizacional Aline Zottos Moreira explica que doenças mentais como depressão e ansiedade não estão atreladas a sexo, idade, raça ou classe social e que, nem sempre, a pessoa que está prestes a cometer um ato extremo como o suicídio, é aquela que está isolada em casa. “Ela pode estar ao seu lado, no ambiente de trabalho, na faculdade, na escola, em um passeio. Ao menor sinal, ela precisa de apoio. É o que vai salvar a vida dela”, afirma.

Especialista em Gestão de Pessoas, a profissional, que atua no HU-UFGD, acredita no diálogo como forma de esclarecimento sobre o tema e alerta para a necessidade de instituições e empresas fomentarem espaços de expressão como uma das formas de lidar com os casos de adoecimento no ambiente de trabalho.

Confira a entrevista completa, realizada pela Unidade de Comunicação Social do HU-UFGD:

UCS/HU-UFGD – Por que é tão relevante falar sobre prevenção do suicídio? Apesar de todos os esforços de grupos da sociedade pelo diálogo em prol da difusão do assunto, com o objetivo de orientar beneficamente as pessoas, você acredita que o assunto ainda seja um tabu?

Aline – Acredito, sim, que esse assunto ainda seja um tabu, mesmo diante de toda a importância relacionada ao tema. Infelizmente, ainda há muito preconceito e banalização. Muitas pessoas lidam com o tema com intolerância, como se fosse frescura. A depressão é uma doença e precisa ser tratada como tal. O melhor caminho é se falar sobre assunto, orientar, conscientizar e dar suporte.

– Há uma barreira com relação ao tema, principalmente entre os veículos de imprensa, de que não se deve falar sobre suicídio, pois pode incentivar pessoas a o fazerem. Em alguns meios é até proibido publicar notícias com a temática do suicídio ou deve-se omitir a causa da morte. Como você avalia esse comportamento? Que abordagem seria mais adequada para se falar do tema?

– Penso que o mais adequado é falar. Não acredito que dialogar sobre o assunto possa ser prejudicial, muito pelo contrário. O suicídio é um tema de saúde pública e deve ser discutido em ambientes coletivos. O que não é adequado é lidar com essa temática de forma de forma preconceituosa ou com descaso. Quanto mais existirem informações para que as pessoas consigam identificar alguém nessa situação ou até mesmo se identificarem, mais progressos teremos nesse assunto tão complexo e delicado. Sobre a abordagem, acredito que o melhor a fazer é se colocar à disposição e demonstrar acolhimento, em um lugar tranquilo, de forma que quem precisa de ajuda se sinta confortável para falar. Não julgar e incentivar a busca por ajuda profissional também são fatores importantes.

– A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que, por ano, cerca de 800 mil pessoas cometem suicídio e que o Brasil é apontado como o oitavo país no mundo com mais ocorrências. A que se deve tal fato? Será que atualmente se fala mais sobre o assunto e, por consequência, tem maior visibilidade ou realmente esse número vem aumentando ao longo das décadas?

– As duas afirmações estão corretas: a facilidade em se obter informações hoje em dia é muito grande e isso com certeza aumenta a visibilidade. No entanto, o número também vem aumentando. A depressão será a doença mais comum até 2030, segundo a OMS. Isso demonstra a seriedade do problema e como os indicadores vêm realmente crescendo. A depressão não tem sexo, idade, raça ou classe social, e não tem hora. É preciso dar muita atenção a esse assunto.

– Existem, também, alguns mitos em relação ao comportamento suicida, como por exemplo a ideia de que as pessoas que ficam ameaçando se matar não vão realmente cometer suicídio, ou “quem quer se matar se mata mesmo, sem ficar anunciando”. Com relação a esses “alertas”, quais são os sinais que a família ou as pessoas próximas devem observar para poder ajudar quem está na iminência de cometer um ato extremo?

– Nem sempre é fácil identificar esses sinais, não existe uma fórmula, um passo a passo. Muitas vezes, as pessoas que cometem suicídio não eram pessoas que viviam “isoladas em um quarto escuro” – porque ainda existe essa imagem caricata da pessoa com depressão e intenções suicidas. É claro que o isolamento é algo que deve ser levado em consideração, mas não é o único fator. A tristeza exacerbada, a falta de esperança, frases com pensamentos mórbidos como “vou sumir”, “eu preferia estar morto”, “eu não aguento mais”, entre outros sinais, também devem ser levados a sério. A pessoa com depressão nem sempre está reclusa. Ela pode estar no ambiente de trabalho, na faculdade, na escola ou mesmo passeando. Então, ao menor sinal, dê seu apoio.

– A depressão é uma das principais causas de afastamento do trabalho no Brasil. Casos cotidianos de estresse, ambiente hostil, cobranças, metas e situações adversas contribuem para o surgimento de um quadro de negatividade, insatisfação, tristeza e ansiedade, que pode rapidamente evoluir para a doença. Como as instituições podem reverter a situação e construir um ambiente profissional saudável? Paralelo a isso, como os trabalhadores podem agir para cuidar da saúde mental, visto que a maioria sequer tem conhecimento do próprio adoecimento?

– As instituições, em geral, precisam voltar sua atenção à saúde mental do colaborador. É uma questão complexa e que envolve vários fatores. É preciso ressaltar que nem todos os afastamentos por depressão são decorrentes do ambiente de trabalho, porém, independentemente do nexo causal, a instituição precisa ter meios de lidar com isso. A realização de um diagnóstico organizacional pode ser o primeiro passo, pois a partir dele é possível levantar as principais necessidades da organização e desenvolver ações de prevenção e promoção à saúde. Concomitante a isso, criar um ambiente no qual o colaborador tenha espaços de expressão eficientes, como ouvidoria e canal de relações de trabalho, além de espaços na área da saúde e da segurança do trabalho. O desenvolvimento de pessoas, principalmente de lideranças, é fundamental, pois propicia um ambiente mais acolhedor, e o bom uso das normas e regimentos confere transparência às situações que por ventura surgirem. Esses e outros mecanismos contribuem na instituição de um ambiente organizacional mais saudável. Já com relação aos trabalhadores, o reconhecimento das limitações é o primeiro passo. O autoconhecimento auxilia na percepção da necessidade de se buscar ajuda e, a partir de então, se pensar na melhor conduta.

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